Escolha as suas informações

Mais de 85% das vagas para emigrantes no ensino superior português ficam por ocupar
Sociedade 3 min. 14.11.2019

Mais de 85% das vagas para emigrantes no ensino superior português ficam por ocupar

Mais de 85% das vagas para emigrantes no ensino superior português ficam por ocupar

Foto: Luxemburger Wort/Chris Karaba
Sociedade 3 min. 14.11.2019

Mais de 85% das vagas para emigrantes no ensino superior português ficam por ocupar

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Apenas 483 alunos de toda a diáspora concorreram às 3560 vagas disponíveis no contigente especial para candidatos emigrantes, no concurso de acesso ao ensino superior em 2019/20. Os alunos do Luxemburgo pedem que o sistema de acesso "seja simplificado".

"Venham. Ainda há muitas vagas disponíveis". O apelo foi feito por Mafalda Macedo da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) perante uma sala cheia de pais e filhos da comunidade emigrante portuguesa no Luxemburgo, numa sessão promovida no Instituto Camões.

A sala foi pequena para tantos participantes e o tempo foi pouco para responder à longa lista de perguntas da audiência, na sessão de informação sobre acesso ao ensino superior em Portugal.

Mas a verdade é que, feitas as contas, concorreram apenas 483 estudantes às 3560 vagas disponíveis, em 2019/20, no contingente especial para candidatos emigrantes portugueses e familiares que com eles residam. "Ao entrar neste contingente especial não estão a concorrer com os restantes candidatos", sublinhou a responsável da DGES. O que significa que as médias de entrada podem ser muito mais baixas. Na prática, se concorrer apenas um estudante ao curso de Medicina, neste contingente, pode entrar com 14 – a nota mínima exigida pelas faculdades de Medicina – em vez da média de 19 com que entram os estudantes portugueses através do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Para concorrer às vagas deste contingente basta apresentar uma candidatura no site da DGES. 

Instituições com muita procura na Feira dos Estudantes

A verdade é que foram longas as filas de estudantes que se formaram no pavilhão do Instituto Camões onde se apresentavam as instituições portuguesas de ensino superior na Feira dos Estudantes que decorreu, de 7 a 8 de novembro, na LUXEXPO The box, no Luxemburgo.

"A procura foi espetacular, o stand esteve sempre cheio", revela Joaquim Prazeres, Coordenador do Ensino Português no Luxemburgo. "O interesse foi maior que em anos anteriores", acrescenta. A novidade é que, este ano, surgiram "muitos alunos estrangeiros a pedirem informações" sobre como concorrer às instituições portuguesas, para além dos lusodescendentes.

Também as instituições presentes confirmam este aumento da procura e o interesse nestes alunos. Para além de "dominarem a língua portuguesa, os estudantes luxemburgueses, porque fazem o 13º ano, são mais maduros, interessados e sabem fazer as perguntas certas", sublinha Isabel Beato do Instituto Politécnico de Leiria. Depois se escolherem esta escola "sabem que ficam com uma formação que lhes permite ter um emprego no mundo, porque já estamos a formar pessoas para o mercado global", acrescenta.

Também Joana Sampaio, Pró-Presidente do Instituto Politécnico do Porto confirma "que surgiram muitos alunos interessados em concorrer, sobretudo lusodescendentes". Por isso vieram de propósito a esta Feira para captar estudantes.

Acesso para emigrantes deveria ser mais simples

Mas o que motiva um estudante lusodescendente luxemburguês a escolher uma instituição de ensino superior português? "Gosto muito de Portugal, porque tem um ambiente completamente diferente e é de onde viemos, aqui o ensino superior não me chama muita atenção, prefiro estudar lá", responde Inês Pedro, de 21 anos, que está indecisa entre concorrer a Medicina Dentária ou Gestão. Nasceu no Luxemburgo, mas vai todos os anos nas férias e Portugal e "gosto muito". 

"Escolhi estudar em Portugal, porque é um país que gosto, e é o meu país", afirma Christiane Papel Matos, de 18 anos. Vive há 13 anos no Luxemburgo, mas quer seguir Psicologia na Universidade de Aveiro, porque é a sua terra de origem. Já Marta Alves, 21 anos, quer estudar Psicologia Criminal no Porto "porque nasci lá". Não tem dúvidas na sua escolha "porque sempre gostei muito de Portugal e tenho lá a minha família toda".

Mas há algumas dificuldades no sistema de acesso porque "o sistema de ensino luxemburguês é completamente diferente do português. Neste momento estou a fazer o 14º ano, porque frequento um curso profissional", que nem sequer existe em Portugal. Não fez os exames que são exigidos no concurso português e vai ter que estudar "para fazer as provas de ingresso de Biologia, Geologia, História e Português o que vai ser um bocado complicado para mim".

Também Eludi Gomes Pereira, 20 anos, pretende entrar em Enfermagem na Universidade Fernando Pessoa, no Porto. "Se calhar tenho que fazer os exames nacionais e vou ter que estudar muita coisa, que nunca estudei". Já João Azevedo, 20 anos, quer ir para o Porto estudar Jornalismo ou Psicologia. "Existe muita burocracia , acho que deviam simplificar mais o sistema de acesso para os estrangeiros". 


Notícias relacionadas

Debate. Um português sozinho contra o sistema escolar no Luxemburgo
Béatrice Peters é a autora do polémico livro "Fremde Heimat" ("Pátria Estrangeira"), sobre uma revolução liderada por um português para mudar o sistema de ensino luxemburguês. A escritora é a convidada de uma conferência organizada pela Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI), dia 31 de maio, para apresentar o romance.
O romance conta muitos episódios reais passados com alunos portugueses, quando Béatrice Peters dava aulas no ensino primário.
Luxexpo: Feira do Estudante junta vinte países
A 30.ª edição da Feira do Estudante realiza-se esta quarta (9) e quinta-feira (10) na Luxexpo, em Kirchberg, na cidade do Luxemburgo, com a presença de representantes de universidades, bancos e outras instituições de vinte países, entre os quais Portugal.
Auf der "Foire de l'étudiant" können sich die Schüler über Studienmöglichkeiten informieren.