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Mais de 300 crianças e jovens morrem todos os dias por causa do VIH
Sociedade 4 min. 28.11.2022
Sida

Mais de 300 crianças e jovens morrem todos os dias por causa do VIH

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Mais de 300 crianças e jovens morrem todos os dias por causa do VIH

Sociedade 4 min. 28.11.2022
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Mais de 300 crianças e jovens morrem todos os dias por causa do VIH

Lusa
Lusa
Há 2,7 milhões de menores que vivem com VIH no mundo.

Mais de 300 crianças e jovens morrem diariamente por causas relacionadas com a sida, totalizando cerca de 110 mil só em 2021, revela um relatório global da Unicef, que alerta para a estagnação sem precedentes no combate à sida. 

Lançado no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, assinalado a 01 de dezembro, o relatório divulgado refere também que 310 mil crianças e jovens (0-19 anos) foram infetadas recentemente, elevando para 2,7 milhões o número de menores que vivem com VIH no mundo.

A Unicef adverte que os progressos na prevenção e tratamento do VIH em crianças, adolescentes e grávidas quase não se fizeram sentir nos últimos três anos, com muitas regiões ainda por chegar aos níveis existentes no pré-covid-19.

"Embora, durante muito tempo, as crianças tenham ficado atrás dos adultos na resposta à sida, a estagnação verificada nos últimos três anos não tem precedentes, e coloca demasiadas vidas jovens em risco de doença e morte", alerta a diretora adjunta da UNICEF para o VIH/Sida, Anurita Bains, citada em comunicado.

Anurita Bains salienta que, coletivamente, não se está "a localizar e a testar estas crianças e a fazer-lhes chegar tratamentos que salvam vidas".

"Todos os dias que passam sem progresso, mais de 300 crianças e adolescentes perdem a sua luta contra a sida", enfatiza a responsável.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sublinha que, apesar de representarem apenas 7% do total de pessoas que vivem com o VIH, esta população representou 17% de todas as mortes relacionadas com a sida, e 21% das novas infeções pelo VIH em 2021.

Segundo o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, as raparigas são responsáveis por três quartos de todas as novas infeções por VIH em adolescentes.

A menos que os fatores de desigualdade sejam abordados, adverte, "o fim da sida em crianças e jovens continuará a ser um sonho distante".

No entanto, o relatório indica que as tendências a longo prazo continuam a ser positivas, destacando que as novas infeções por VIH entre crianças mais novas (0-14 anos) caíram 52%, entre 2010 e 2021, e entre os jovens (15-19 anos) 40%.

Da mesma forma, a cobertura do tratamento com medicamentos antirretrovirais nas grávidas que vivem com VIH aumentou de 46% para 81% numa única década.


Micrografia electrónica de vários agentes patogénicos do VIH num paciente.
Organismo de paciente terá erradicado vírus da Sida de forma natural
"Combinação de diferentes mecanismos imunitários" pode estar na origem deste feito que impediu naturalmente que o VIH se replicasse, afirmaram os investigadores. Este é o segundo caso inédito no mundo.

Percentagem de crianças entre 0-4 anos sem tratamento continua a aumentar

 Apesar de o número total de crianças infetadas estar em declínio, a diferença de tratamento entre crianças e adultos continua a aumentar.  

A percentagem de crianças entre os zero e os quatro anos infetadas que não beneficiam do tratamento tem vindo a aumentar nos últimos sete anos, subindo para 72% em 2021, um valor tão elevado como em 2012.

"Estes são resultados chocantemente pobres à medida que o mundo entra na quinta década da epidemia e passaram mais de 25 anos desde que os tratamentos antirretrovirais que salvam vidas se tornaram disponíveis pela primeira vez", lê-se no relatório.

Os dados revelam, contudo, que a cobertura do tratamento entre os adultos é "substancialmente melhor": 86% conhecem o seu estado e 76% estão em tratamento.

Nos países prioritários em matéria de VIH identificados pela Unicef, a cobertura do tratamento antirretroviral entre crianças era de 56% em 2020, mas caiu para 54% em 2021.

"Este declínio deve-se a vários fatores, incluindo a pandemia de covid-19 e outras crises globais, que aumentaram a marginalização e a pobreza, mas é também um reflexo de uma vontade política decrescente", salienta.

Segundo as estimativas globais de 2021, apenas 59% das crianças até aos 14 anos que vivem com VIH conhecem o seu estado e só 52% estão em tratamento.

O relatório realça também que as grávidas seropositivas na Ásia Oriental e no Pacífico, no Médio Oriente e Norte de África, no Sul da Ásia e na África Ocidental e Central, têm muito menos probabilidades de estar em tratamento antirretroviral do que as que vivem na África Oriental e Austral, "o epicentro da epidemia do VIH".

Em 2021, mais de 75.000 novas infeções infantis ocorreram porque as mulheres grávidas não foram diagnosticadas e iniciadas no tratamento.

Anurita Bains considera que, "com um compromisso político renovado para alcançar os mais vulneráveis, parceria estratégica e recursos para aumentar os programas", se pode acabar com a sida em crianças, adolescentes e grávidas.

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