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Maior parte das vítimas sobrevive: Em 2017 morreram seis crianças com cancro no Luxemburgo

Maior parte das vítimas sobrevive: Em 2017 morreram seis crianças com cancro no Luxemburgo

Foto: REUTERS
Sociedade 4 min. 14.02.2018

Maior parte das vítimas sobrevive: Em 2017 morreram seis crianças com cancro no Luxemburgo

O Dia Internacional da Criança com Cancro é a 15 de fevereiro. Apesar de tudo, a maior parte das vítimas sobrevivem. E o Contacto falou com um familiar de uma sobrevivente.

O Dia Internacional da Criança com Cancro é a 15 de fevereiro. Apesar de tudo, a maior parte das vítimas sobrevivem. E o Contacto falou com um familiar de uma sobrevivente.

Por Henrique de Burgo

Em 2017 morreram seis crianças no Luxemburgo vítimas de cancro, o mesmo número que em 2016. Ainda no ano passado foram registados 33 novos casos de cancro infantil. Na falta de estatísticas oficiais, estas estimativas são da fundação luxemburguesa Kriibskrank Kanner, que há quase 30 anos ajuda crianças com cancro e as suas famílias.

Comparando o número de casos de cancro infantil com as mortes registadas no Grão-Ducado, a grande maioria das vítimas continua felizmente a ganhar esta luta.

“Tínhamos acabado de chegar. Sem termos ainda toda a nossa situação legalizada, de repente, cai-nos uma bomba em cima. Normalmente ouvimos casos de outras pessoas, mas isto foi um choque. Ainda para mais com uma criança e num país novo. É uma coisa que não sei descrever e que ninguém espera. Foi uma fase bastante complicada”, desabafa, ao Contacto, Telmo Ferreira.

O imigrante português trocou Coruche, no Ribatejo, pelo Luxemburgo em janeiro de 2013, acompanhado pela mulher e pela filha de três anos. Três meses depois da chegada souberam que a criança tinha um tumor cerebral.

“Havia qualquer coisa que não estava bem, quando começou a perder o equilíbrio, a ter algum receio de subir e descer escadas, coisa que ela fazia bem. Houve também vómitos e queixou-se umas três vezes seguidas da cabeça”, conta o pai.

Telmo Ferreira e a mulher pensavam que estava relacionado com a mudança de país e do clima, mas, depois da repetição dos sintomas, foram ao hospital de Esch-sur-Alzette.

“O médico que a atendeu foi bastante perspicaz e enviou-a para a KannerKlinik (clínica pediátrica) do Centro Hospitalar do Luxemburgo, em Strassen. Foi aí que fizeram os exames complementares e onde se verificou o caso. Era fim de abril de 2013, dois dias depois do aniversário dela”, conta o pai, emocionado.

Na fase em que a família mais precisava de apoio apareceu a fundação Kriibskrank Kanner, “sem pedir nada em troca”. “Só nos disseram: ’Estamos aqui e queremos ajudá-los.’ Dentro desta situação má, o apoio psicológico que nos deram foi extraordinário.”

Mas a ajuda não se ficou por aí. “Não faço ideia de quanto custou o tratamento da minha filha. A fundação ocupou-se de tudo e nem as faturas chegavam a nós. Sabíamos que havia despesas a pagar, mas a fundação ocupou-se disso com os meios que tem à disposição. Foi um enorme problema em cima da doença que nos foi tirado, um grande alívio”, acrescenta.

Depois de removido o tumor, seguiu-se o processo de quimioterapia, “uma parte no Luxemburgo e outra em Bruxelas”. O tratamento foi de maio a final de novembro de 2013. Depois disso vieram os controlos médicos rotineiros.

Hoje, com oito anos, a filha de Telmo Ferreira está no terceiro ano do ensino primário. Faz a vida de uma criança “perfeitamente normal”. A única sequela que ainda tem são “picos de falta de concentração”. “É esta a única dificuldade que nós e a fundação estamos a acompanhar, juntamente com os médicos da clínica”, conclui o pai.

Cancro pode ser curado aos primeiros sinais

Por ocasião do Dia Internacional da Criança com Cancro, que se assinala esta quinta-feira, a fundação Kriibskrank Kanner lembra que “oito em cada dez crianças com cancro podem ser curadas se forem encaminhadas para os serviços médicos aos primeiros sinais da doença”. Os pais devem estar atentos a sinais como pontos brancos nos olhos, enfraquecimento da vista, inchaço do globo ocular, emagrecimento, palidez, nódoas negras e hemorragias, dores nos ossos e nas articulações, perda de equilíbrio ou problemas de fala.

Kriibskrank Kanner tem atendimento em português

A fundação Kriibskrank Kanner conta com um psicólogo português para a comunidade lusófona no Luxemburgo. “Quando é preciso falar de coisas difíceis, de emoções, nada melhor do que fazê-lo na sua língua materna. Com este profissional, as pessoas estão mais à vontade e ele tem a vantagem de compreender a cultura portuguesa”, disse ao Contacto a diretora da fundação, Anne Goeres.

Entre casos atuais de famílias portuguesas que estão a ser acompanhadas pela Kriibskrank Kanner, a fundação conseguiu recentemente o transporte e acompanhamento médico de um doente para o Porto. “Estava em tratamento e a família quis regressar a Portugal, onde continua a ser acompanhado. Entre outros países, trabalhamos com Portugal, para onde vamos enviar cinco técnicos rumo a um congresso que vai ter lugar este ano em Lisboa”, conclui Anne Goeres.

Em 2017 a fundação angariou um milhão de euros e ajudou 93 famílias no país e outras 66 fronteiriças. A fundação tem também folhetos informativos em português. Mais informações através do tel. 31 31 70, do email contact@fondation.lu ou na sede (rue des Romains, n° 168), em Strassen. 

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