Escolha as suas informações

Má alimentação mata mais do que tabaco
Sociedade 5 min. 08.04.2019 Do nosso arquivo online

Má alimentação mata mais do que tabaco

Má alimentação mata mais do que tabaco

Foto: Shutterstock
Sociedade 5 min. 08.04.2019 Do nosso arquivo online

Má alimentação mata mais do que tabaco

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Novo estudo garante que dietas pouco equilibradas causam 11 milhões de mortes por ano.

Os números são assustadores. E demonstram bem o quanto uma má alimentação é nociva para a saúde. Em 2017, uma em cada cinco pessoas no mundo morreu devido ao elevado consumo de sal e gorduras processadas e à baixa ingestão de frutas e vegetais. 

Menos de metade das pessoas, 45% tinha menos de 70 anos e morreu principalmente de ataque cardíaco ou AVC, cancro e diabetes tipo 2. Em Portugal e no Luxemburgo como mostra o estudo, a principal causa de morte são os ataques cardíacos. 

Estes são os resultados de estudo de 27 anos realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, Universidade de Washington, e publicado na revista científica The Lancet. "Em muitos países, a dieta pobre agora causa mais mortes do que o tabagismo e a hipertensão", alertou o principal autor do estudo, Ashkan Afshin, à Fox News. 

O estudo analisou quinze diferentes nutrientes, bons e maus para a saúde. – alguns bons para a saúde e outros nem tanto. Os maiores riscos compreendiam o consumo elevado de sal e a pouca ingestão de cereais integrais, fruta, frutos secos e sementes, vegetais e ácidos ricos em ómega-3 derivados do peixe, e ainda o abuso de carnes vermelhas e processadas, bebidas açucaradas, pouco leite e fibra. 

Comer bem e optar por um estilo de vida saudável pode prevenir uma em cada cinco mortes no mundo. Ashkan Afshin, médico e um dos responsáveis pelo estudo afirma que “Em vez de tentar que as pessoas consumam menos açúcar, gorduras e sal, o que tem sido ‘o principal objetivo das políticas de dieta nas últimas duas décadas’ o melhor é promover dietas mais saudáveis. 

De forma geral, funcionamos por substituição, ou seja, quando aumentam o consumo de algo, diminuem o de outro". Para este investigador as campanhas para uma vida saudável e mais longa tem de se centrar sobretudo na educação para o consumo de alimentos saudáveis e frescos. Há que apelar à redução do consumo do açúcar do sal e da gordura mas sobretudo ao aumento dos alimentos saudáveis no dia-a-dia. 

“Embora tradicionalmente toda a conversa sobre dieta saudável tenha se concentrado em reduzir a ingestão de alimentos não saudáveis, neste estudo, mostramos que, no nível populacional, o factor mais importante é a fraca ingestão de alimentos saudáveis, em vez do consumo de alimentos não saudáveis”, disse Afshin salientando também que é da máxima importância diminuir o nível do sal. 

"O nosso estudo mostra que a dieta abaixo do ideal é responsável por mais mortes do que qualquer outro risco global, incluindo o tabagismo, destacando a necessidade urgente de melhorar a dieta humana nos vários países", pode ler-se no resumo da investigação. De acordo com a investigação, metade das mortes e dois terços dos casos de incapacidade registados derivam da baixa ingestão de frutas e vegetais, bem como da alta ingestão de sal. 

"Quando as pessoas aumentam o consumo de alguma coisa, tendem a diminuir o consumo de outras", vinca este investigador. Este mega estudo comparou as dietas, taxas de doenças e de mortes em 195 países entre 1990 e 2017 e revelou que os maus hábitos alimentares estão se disseminando por todo o planeta. Consome-se mais carne e poucos vegetais. 

E a fast food continua a crescer a olhos vistos. Israel, foi o país que registou a menor taxa de mortes relacionadas com a dieta (89 por 100 mil), seguido por França, Espanha e Japão. Já o Uzbequistão registou 892 mortes por 100 mil, ficando em último lugar na tabela. Em 2017, a má alimentação matou 11 milhões de pessoas — 22% do total de mortes no mundo, naquele ano. O cigarro respondeu por 8 milhões de mortes, e a pressão alta, por pouco mais de 10 milhões. 

"Morre-se menos mas mais cedo" 

“Hoje morre-se menos mas mais cedo, devido a doenças cardiovasculares”, confirma o médico Luís Negrão, da Fundação Portuguesa de Cardiologia à Rádio Latina, apontando o dedo ao consumo excessivo da fast food, pelas famílias, em casa e na rua. Para este especialista, a principal preocupação são os jovens que adotam cada vez mais comportamentos de riscos. 

Eles já são uma população com taxas de obesidade cada vez mais elevadas, devido à má alimentação, ao consumo excessivo de “gordura processada”, de “bebidas açucaradas”, ou seja, de fast food. E entre as raparigas “está a aumentar o consumo de tabaco”, vinca Luís Negrão. E se nas refeições fora de casa, os jovens optam pelo fast food, em casa está a acontecer exatamente o mesmo, algo que “antes não acontecia”. 

“Agora pede-se a comida por telefone e vão entregar a casa e já está. Ou seja, encomenda-se fast food”, diz Luís Negrão, salientando que as famílias portuguesas estão a deixar de cozinhar. E isso “é prejudicial à saúde”. Para este médico, deste modo, deixa-se de comer sopa e os pratos tradicionais portugueses, e outros da dieta mediterrânea que sempre fizeram parte da nossa alimentação e que saudáveis. “Até um prato de salsichas em couve lombarda, apesar de ser salsicha tem couve e não tem batata frita. É mais saudável”, garante. 

Mais. “Os jovens gostam de um bom peixe. Só que é raro comerem. Nem sequer o sabem amanhar. E um dia vão ser pais. E que alimentação vão dar eles aos filhos?” Para Luís Negrão, há que incentivar as famílias portuguesas a voltar” à comida das avós” para diminuírem as taxas de mortalidade por má alimentação. Países como Portugal, que seguem a dieta mediterrânica, tendem a consumir mais fruta, vegetais e frutos secos. No entanto, países como Israel, Irão ou Líbano são os que mais consomem produtos saudáveis. Israel é o país com o menor número de mortes devido a más dietas (89 por 100 mil pessoas), seguido de França, Espanha e Japão. 

(Com Ana Patrícia Cardoso)

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Imagine que através de uma análise laboratorial conseguia saber que tipo de alimentação mais se adequa ao seu metabolismo. Esta é a ambição de Alberto Noronha, o jovem investigador português a viver e a trabalhar no Luxemburgo desde 2014.