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Luxemburgo. Um em cada quatro agregados familiares não tem dinheiro para pagar contas ao final do mês
Sociedade 4 min. 22.04.2021

Luxemburgo. Um em cada quatro agregados familiares não tem dinheiro para pagar contas ao final do mês

Luxemburgo. Um em cada quatro agregados familiares não tem dinheiro para pagar contas ao final do mês

Photo: Gerry Huberty/archive
Sociedade 4 min. 22.04.2021

Luxemburgo. Um em cada quatro agregados familiares não tem dinheiro para pagar contas ao final do mês

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O Grão-Ducado é o segundo país da UE onde o risco de pobreza é maior entre quem trabalha, alerta o novo relatório anual da Câmara dos Assalariados.

É cada vez mais difícil viver com dignidade no Luxemburgo para quem trabalha o mês inteiro, mas recebe um salário baixo. As desigualdades sociais estão a aumentar, o risco de cair na pobreza é cada vez maior, mesmo para quem tem emprego, e as famílias com mais filhos e as monoparentais são as que se encontram numa situação mais preocupante. O alerta é dado no relatório “Panorama social 2021” realizado anualmente pela Câmara dos Assalariados do Luxemburgo e que traça o retrato social do Luxemburgo e compara a situação socioeconómica do país a nível europeu.

“Atualmente, um em cada quatro agregados familiares (26%) admite que não consegue pagar as contas no final do mês”, declarou Jean-Claude Reding, vice-presidente da Câmara dos Assalariados do Luxemburgo, citado pela edição francesa do Wort.

Mesmo oferecendo o salário mínimo mais elevado da União Europeia, de acordo com o centro de estatísticas da Europa (Eurostat) cujo valor bruto é de 2.202 euros, mais 450 euros do que a Irlanda que ocupa o segundo lugar, o Grão-Ducado consegue ser também o segundo país da UE onde o risco de pobreza é maior entre os trabalhadores.

O Luxemburgo “não só é o país com o maior aumento a curto prazo (+4,8% durante um ano!), mas é também um dos países em que esta taxa está a aumentar consideravelmente a longo prazo”, indica o relatório “Panorama Social 2021”. Em 2019 registou-se o maior aumento histórico das pessoas em risco de pobreza no Luxemburgo, de 17,5%.

Os agregados familiares com três ou mais crianças e as famílias monoparentais, um adulto com filho ou filhos a seu cargo constituem as famílias com maior risco de atingir o limiar da pobreza, colocando o país no terceiro entre os 27 da União Europeia onde este risco é mais elevado, em 2019. Nas famílias com três ou mais filhos esta taxa é de 35%, e nas monoparentais sobe 41,3%.

Entre os desempregados a situação de viver sem meios para o sustento ainda é pior, como mostra o “Panorama Social 2021”. Mesmo com a taxa de risco de pobreza entre os desempregados longe dos 74% da Alemanha, no Luxemburgo “uma em cada duas pessoas em situação de desemprego corre o risco de pobreza!”


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Cresce recurso a mercearias sociais

 Fazer face às despensas mensais, onde a habitação leva cerca de um terço do rendimento mensal, está cada vez mais difícil para muitas famílias.

"Mais de um terço dos agregados familiares luxemburgueses declararam que enfrentam pesados encargos financeiros relacionados com a habitação, e esta proporção sobe para quase três em cada cinco para os que estão em risco de pobreza”, sublinha o relatório da Câmara dos Assalariados.

“Os indicadores dos gabinetes sociais e instituições de caridade também apontam para uma deterioração contínua das condições de vida das famílias e pessoas mais vulneráveis no Grão-Ducado”, relembra este documento. Em 2019 aumentou o número de residentes e famílias que se viu obrigado a recorrer às mercearias sociais destas instituições. Entre 2019 e 2020 estas mercearias sociais conheceram um aumento de 11% de clientes e o valor total do cesto de compras aumento 26%, salienta Sylvain Hoffmann citado pelo Paperjam.

Aumentar os apoios sociais

A distribuição da riqueza no País e as desigualdades entre quem ganha os salários mais elevados e os mais baixos são muito preocupantes: os mais ricos estão cada vez mais ricos e os mais pobres cada vez mais pobres.


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A distribuição da riqueza está a desenvolver-se a favor das famílias mais abastadas, refere o relatório da Câmara dos Assalariados.  “Mais precisamente, em 2019, os 10% das famílias com mais dinheiro recebem uma parte do rendimento nacional que é nove vezes superior à recebida pelos 10% mais pobres: um aumento de quase 60% em comparação com 2005”.

Este preocupante retrato social tende a piorar em consequência da epidemia da covid-19 como alerta não só a CSL mas todos os especialistas.

Para a Câmara dos Assalariados do Luxemburgo o Governo tem de reagir face a esta situação e rever os apoios sociais destinados à habitação, ajuda alimentar e a quem recebe as pensões de reforma mais baixas.

“É graças a estas transferências sociais que grande parte da população ainda consegue sobreviver”, vinca Jean-Claude Reding, citado pelo Wort.

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