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Luxemburgo. Sono muito agitado pode aumentar risco de Parkinson
Sociedade 5 min. 08.04.2021

Luxemburgo. Sono muito agitado pode aumentar risco de Parkinson

Luxemburgo. Sono muito agitado pode aumentar risco de Parkinson

Foto: DR
Sociedade 5 min. 08.04.2021

Luxemburgo. Sono muito agitado pode aumentar risco de Parkinson

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Os imigrantes portugueses, entre os 55 e os 75 anos, estão a ser convidados para participar num grande Estudo Nacional do Sono no Luxemburgo. Para detetar um distúrbio do sono que está associado a futuras doenças graves.

O ser humano passa cerca de um terço da vida a dormir e um sono tranquilo e reparador é fundamental para uma boa saúde. Já um sono muito agitado pode ser indicador de um transtorno específico que pode chegar a ser perigoso para o doente e para com quem ele dorme, além de estar associado ao risco de aparecimento futuro da doença de Parkinson.

Cientistas do Luxemburgo estão a iniciar o primeiro Estudo Nacional do Sono do Grão-Ducado para descobrir precisamente quantas pessoas são afetadas por esta doença do sono em particular, chamada Distúrbio de comportamento do sono REM (RBD, sigla inglesa).

"Este estudo permitir-nos-á determinar, pela primeira vez, quantas pessoas no Luxemburgo são afetadas pela RBD, uma vez que não existem dados até à data. Não é só o primeiro do Luxemburgo, mas também o primeiro do género realizado à escala mundial. Até agora, os estudos sobre este transtorno envolveram doentes já diagnosticados", declara ao Contacto Lukas Pavelka, investigador médico do Centro Nacional de Excelência da Investigação da Doença de Parkinson e que colidera o estudo com Rejko Krüger, o coordenador daquele Centro.

Ao mesmo tempo que irá identificar e tratar os doentes com este distúrbio do sono REM, a investigação visa também "desenvolver novas estratégias de prevenção e tratamento precoce da doença de Parkinson", adianta este investigador (na foto).

A equipa está assim a convidar 134 mil residentes no país, entre eles os portugueses, com idades entre 55 e 75 anos, para participar nesta investigação. Os convites a esta população vão chegar a casa por correio, até meio de abril.

Lukas Pavelka lança o apelo para os portugueses participarem neste importante estudo em que todos os passos foram concebidos também a pensar na comunidade portuguesa. O vídeo explicativo do megaestudo está também legendado em português, tal como o inquérito preliminar online sobre o sono também está acessível em língua portuguesa. "Além de que na vasta equipa há em todas as fases investigadores e médicos que falam português", vinca este responsável.

"A qualidade do sono é essencial para a nossa saúde e várias doenças podem estar associadas a um sono inadequado, como a diabetes, doenças cardíacas e doenças neurodegenerativas, como a Parkinson", lembra Lukas Pavelka.

Que problema do sono é este?

A fase do sono REM (Rapid eye Movement, na sigla em inglês, 'Movimento Rápido dos Olhos') é fundamental para o descanso reparador. É nesta fase REM que surgem os sonhos, a atividade cerebral é mais intensa e os movimentos oculares mais rápidos. Durante o tempo que dormimos o ciclo do sono repete-se cerca de três ou quatro vezes.

"O distúrbio de comportamento do sono REM (RBD) ocorre devido a uma disfunção cerebral que provoca a ativação dos músculos, em vez de estarem quietos, que é o normal durante esta fase".

Quais os seus sintomas? "A manifestação mais típica do RBD são movimentos violentos que a pessoa faz enquanto está a sonhar, como pontapés, murros ou o movimento descontrolado dos braços, acompanhados de expressões vocais, como falas, gritos ou explosões. Tudo isto tem a ver com o referido sonho. Quando as pessoas acordam durante tais episódios, podem geralmente recordar o seu sonho", sintetiza Lukas Pavelka. Mas alerta: Estes movimentos descontrolados podem representar um perigo de "lesões físicas para a própria pessoa e para o seu companheiro de cama, especialmente se se tornarem mais graves com o tempo".

Por isso, deixa um conselho a quem tem estes sonhos 'mexidos', com movimentos involuntários bruscos: "afastar a mesa de cabeceira da cama e não ter objetos em cima".

O Estudo Nacional do Sono abrange apenas as pessoas entre os 55 e os 75 anos, dado que "a idade desempenha um papel principal no desenvolvimento da RBD, surgindo tipicamente após os 50 anos, antes disso é muito raro".

Lukas Pavelka não tem dúvidas: "Este estudo nacional é importante não apenas para a comunidade científica, como para os próprios participantes, dado que ajudará ao diagnóstico da doença RBD, permitindo o seu tratamento. Uma vez confirmado um diagnóstico, um tratamento eficiente pode ser iniciado para melhorar a qualidade do sono, em paralelo com o estudo. A investigação permite também identificar sinais de doenças neurodegenerativas ou de deficiência cognitiva, e nestes casos, os participantes serão encaminhados para o seu médico/especialista para outros diagnósticos e medidas de tratamento".


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 Contudo, os investigadores apelam a todos os residentes que recebem o convite para responder ao inquérito e participar no estudo. Isso permitirá, por um lado, para avaliar a qualidade do sono da população do país, e por outro, identificar quem possa sofrer de RBD, mesmo que não tenha sintomas.

Convites por correio

Após receber o convite por correio, o preenchimento do inquérito online "que demora cerca de 10 minutos" é o primeiro passo a que se seguirão outros, para a equipa fazer a triagem dos participantes com maior probabilidade de sofrer de RBD. Será então marcada uma consulta na Clínica de Pesquisa de Parkinson para a realização de exames neurológicos e neuropsicológicos, explica Pavelka. Os participantes suspeitos de sofrer de RBD serão depois submetidos a exames de sono para confirmar a patologia. Se o diagnóstico for confirmado serão convidados a participar neste estudo longitudinal de quatro anos (poderá vir a ser mais longo) com consultas e exames anuais.

Ao acompanhar de perto os participantes que sofrem deste transtorno de sono REM, pode-se "aprender mais sobre os primeiros sinais e fatores de risco da doença de Parkinson e a sua evolução", frisa. O estudo nacional da UNI pode "permitir um diagnóstico mais precoce da doença de Parkinson, e portanto, um tratamento mais eficaz desta patologia".

O cientista lembra que esta equipa de investigadores tem já vários anos de experiência na investigação da doença de Parkinson, nomeadamente através do Estudo de Parkinson iniciado em 2015 e que conta com 1600 participantes. O novo estudo beneficiará desta experiência".

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