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OMS. Luxemburgo é um dos quatro países da UE que cumpre objetivos na saúde de toxicodependentes
Sociedade 4 min. 14.06.2022
Toxicodependência

OMS. Luxemburgo é um dos quatro países da UE que cumpre objetivos na saúde de toxicodependentes

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OMS. Luxemburgo é um dos quatro países da UE que cumpre objetivos na saúde de toxicodependentes

Foto: Arquivos LW
Sociedade 4 min. 14.06.2022
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OMS. Luxemburgo é um dos quatro países da UE que cumpre objetivos na saúde de toxicodependentes

Redação
Redação
O Grão-Ducado inclui-se num grupo de apenas quatro países europeus que, em 2020, forneceram 200 seringas por ano por toxicodependente e que têm 40% da população de consumidores de opiáceos de alto risco em tratamento com fatores de proteção contra a 'overdose'.

Apenas quatro países europeus cumpriram, em 2020,  os objetivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) no apoio de saúde a toxicodependentes e o Luxemburgo foi um deles. 

O Grão-Ducado inclui-se no restrito grupo dos países europeus que, em 2020, comunicaram àquela agência das Nações Unidas, o fornecimento de 200 seringas por ano por toxicodependente e de ter 40% da população de consumidores de opiáceos de alto risco em tratamento com agonistas de opiáceos (OAT), um fator de proteção contra a ‘overdose’. Os dados são do mais recente relatório Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA na sigla em inglês), publicado esta terça-feira.


Consumo de drogas duras está a descer e procura de tratamentos a subir
O RELIS, publicado esta sexta-feira, pelo Ministério da Saúde luxemburguês, revela também uma descida generalizada das infeções HIV entre os toxicodependentes e da mortalidade por overdose.

O documento, que foi apresentado em Lisboa, onde está sediado este organismo europeu, sublinha a necessidade de aumentar os serviços de tratamento e de redução de danos na Europa para as pessoas que consomem drogas injetáveis.

 De acordo com o observatório, estima-se que, em 2020, houvesse um milhão os consumidores de opiáceos de alto risco na União Europeia (UE) e 514.000 utentes de OAT, o que sugere uma cobertura global do tratamento na ordem dos 50%.  

O relatório, citado pela Lusa, frisa que existem grandes diferenças entre os países e a oferta de tratamento continua a ser insuficiente em muitos Estados-membros da EU. 

Quase seis mil mortes por overdose

O EMCDDA estima que em 2020 tenham ocorrido na UE 5.800 mortes por ‘overdose’, com a maioria dos casos associada a politoxicidade (combinação de opiáceos ilícitos, outras drogas, medicamentos e álcool.

Estima-se que aproximadamente 83,4 milhões (29% dos consumidores entre 15-64 anos) na UE tenham alguma vez consumido uma droga ilícita, sendo que o consumo foi comunicado por mais homens (50,5 milhões) do que por mulheres (33 milhões).

Canábis é a droga mais consumida

A canábis continua a ser a substância mais consumida, com mais de 22 milhões de adultos europeus a comunicarem o seu uso em 2021.

Os estimulantes são a segunda categoria indicada com mais frequência. Estima-se que, no último ano, 3,5 milhões de adultos tenham consumido cocaína, 2,6 milhões MDMA e dois milhões anfetaminas.

Cerca de um milhão de europeus consumiram heroína ou outro opiáceo ilícito no último ano. 


Europa. Consumo de canábis aumentou durante o confinamento
Mais de 30% dos europeus afirmou ter consumido mais canábis e menos ectasy durante março e abril de 2021, revela um inquérito realizado em 30 países da Europa hoje divulgado.

Embora a prevalência do consumo de opiáceos seja inferior à de outras drogas, os opiáceos continuam a representar a maior parte dos danos atribuídos ao consumo de drogas ilícitas.  

O documento salienta que embora o consumo injetável de heroína esteja em declínio, há preocupações crescentes em torno do uso intravenoso de uma gama mais vasta de substâncias, incluindo anfetaminas, cocaína, catinonas sintéticas, opiáceos prescritos e outros medicamentos.    

Mais de 50 novas substâncias psicoativas reportadas a Europa em 2021

O relatório aponta ainda para 52 duas novas substâncias psicoativas comunicadas em 2021, pela primeira vez. Este reporte, feito através do Sistema de Alerta Rápido da União Europeia, eleva para 880 estas drogas, que são monitorizadas pelo Observatório Europeu.

Das Novas Substâncias Psicoativas (NSP) comunicadas no último ano, seis são novos opiáceos sintéticos, seis catinonas (anfetaminas) sintéticas e 15 novos canabinoides sintéticos, refere o documento.

Em 2020 foram apreendidas na Europa (27 Estados-membros da UE, Noruega e Turquia) “quantidades recorde de NSP”, num total de 6,9 toneladas (41.100 apreensões), das quais 65% (3,3 toneladas) eram catinonas sintéticas, frequentemente vendidas como substitutos de estimulantes tradicionais como a cocaína ou a MDMA.

No relatório, a canábis aparece também em destaque, pois os produtos produzidos com base neste canabinoide “estão a tornar-se cada vez mais diversificados, incluindo extratos e produtos comestíveis".

Em 2020, adianta também o documento, o teor médio de 'tetrahidrocanabinol' (THC), a principal substância psicoativa da canábis, da resina de canábis era de 21%, quase o dobro do da canábis herbácea (11 %), invertendo a tendência observada nos últimos anos, quando a canábis herbácea era, normalmente, de maior potência.

Apreensão recorde de toneladas de cocaína

A análise do Observatório revela também um aumento da produção, do tráfico e da disponibilidade de droga na Europa, com o desmantelamento, em 2020, de mais de 350 laboratórios de produção de drogas como cocaína, metanfetaminas e catinonas “em grande escala”.

Em 2020, foi apreendido na UE o volume recorde de 213 toneladas de cocaína (contra 202 toneladas em 2019), tendo sido desmantelados 23 laboratórios (15 em 2019). A disponibilidade de anfetaminas também é elevada e pode estar a aumentar, avisa o EMCDDA, já que em 2020 os Estados-membros apreenderam um recorde de 21,2 toneladas (15,4 toneladas em 2019) e foram desmantelados 78 laboratórios de anfetaminas (38 em 2019).

Quanto ao número de laboratórios de MDMA desmantelados (29) manteve-se relativamente estável em 2020. 

Foram ainda destruídos 15 locais de produção de catinonas (cinco em 2019) e apreendidos 860 kg de precursores químicos para a produção de catinonas, e, embora menos comuns, foram desmantelados na UE, em 2020, laboratórios ilícitos que produzem heroína, cetamina, GBL e DMT.

No final de 2021, as receitas estimadas provenientes da venda de droga diminuíram drasticamente para pouco menos de 30.000 euros por dia (em comparação com um milhão diário em 2020).

(Com Lusa)

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