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Luxemburgo vai ter o primeiro estudo sobre racismo
Sociedade 2 min. 10.09.2021
Liser

Luxemburgo vai ter o primeiro estudo sobre racismo

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Luxemburgo vai ter o primeiro estudo sobre racismo

Foto: DR
Sociedade 2 min. 10.09.2021
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Luxemburgo vai ter o primeiro estudo sobre racismo

Marie DEDEBAN
Marie DEDEBAN
Três meses após o início do estudo sobre a perceção da discriminação no Luxemburgo, os peritos da Liser estão "muito satisfeitos" com a taxa de resposta.

Na ausência de dados sobre a expressão do racismo no Grão-Ducado, o ministério da Integração encarregou o Instituto Luxemburguês de Investigação Sócio-Económica (Liser) de investigar a questão há quase três meses. Os primeiros resultados são esperados em novembro.

Ao que tudo indica, este novo inquérito poderá vir a ser mais conclusivo do que o último estudo europeu. Apenas 402 pessoas foram inquiridas pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia em 2018 e os peritos da Liser conseguiram recolher 3.000 respostas no questionário online, lançado em meados de junho. O número representa uma taxa de resposta de 20%. 

Originalmente, o inquérito baseava-se num grupo de 15.000 inquiridos, dos quais 5.000 foram selecionados entre as populações "mais expostas ao risco de discriminação". O objetivo era ser tão representativo quanto possível, ao contrário do inquérito europeu. 

Para Frédéric Docquier, esta taxa é portanto "muito satisfatória" e suficiente para tirar conclusões significativas. Especialmente porque, quando lançou este inquérito online no verão, o investigador responsável pelo estudo do Liser temia que a participação fosse inferior. 


Grada Kilomba
Equívocos das origens do racismo
Continuam a revelar-se inúmeras formas de discriminação racista, que permitiram a formação e o pleno desenvolvimento de uma melhor percepção dos modos de discriminação racial, que se encontram naturalizados no corpo, na linguagem, tal como no plano das subjectividades.

Cético quanto à eficácia dos inquéritos online, receava que o estudo falhasse por falta de respostas, temendo que os participantes não tivessem acesso à internet ou não compreendessem as perguntas. 

 Este primeiro retrato deverá permitir destacar problemas sistémicos no acesso à educação, ao emprego ou à habitação. A decisão da Câmara de Deputados foi motivada, nomeadamente, pelo último relatório do Centro para a Igualdade de Tratamento. No estudo publicado em abril passado, 20% dos residentes admitiam ter sido alvo de algum tipo de discriminação. Destes, a grande maioria - 46% - apontava a nacionalidade como fator determinante. Num retrato mais alargado dos tipos de atitudes discriminatórias, o estudo mostra ainda que depois do país de origem, o sexo continua a ser motivo de segregação.     

Impulsionado pelo ministério da Integração devido à pandemia e a um orçamento limitado de "cerca de 100.000 euros", este dispositivo digital deu finalmente os seus frutos. A Liser vai agora efetuar as verificações estatísticas e assegurar "que as minorias estejam bem representadas entre os inquiridos". Os resultados só serão divulgados a partir de novembro. 

(Artigo original publicado na edição francesa do Luxemburger Wort.)

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