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Juízes “poupam” doze acusados em caso de rixa violenta

Juízes “poupam” doze acusados em caso de rixa violenta

Foto de arquivo: Ralph di Marco
Sociedade 2 min. 11.07.2018

Juízes “poupam” doze acusados em caso de rixa violenta

Os doze acusados envolvidos numa violenta rixa entre dois grupos rivais de jovens, que teve lugar em 2012, em Esch-sur-Alzette, foram “poupados” pelo coletivo de juízes. A sentença, ditada na passada quinta-feira, impôs penas mais leves do que as pedidas pelo Ministério Público.

Em causa estavam violentos confrontos, com três tentativas de homicídio, entre dois grupos rivais: o “grupo Semedo” (assim designado pela polícia), de ascendência cabo-verdiana e provenientes na sua maioria de Portugal, e elementos do “grupo Shine” (também designação dada pela polícia), também de origem cabo-verdiana, portuguesa e luxemburguesa quase todos de Esch-sur-Alzette.

O coletivo de juízes deliberou seis absolvições e outras penas suspensas. O facto de o “limite razoável [de julgamento] ter sido ultrapassado”, já que o caso ocorreu há seis anos, pesou na balança dos juízes. Outra atenuante tida em consideração é que alguns dos acusados mudaram, entretanto, de vida (trabalham e têm filhos).

Semedo, o principal acusado e atualmente preso na Suíça por envolvimento noutro caso, teve a pena mais alta: 18 meses de prisão, com seis meses em liberdade condicional. Ficou provado que o jovem esfaqueou por quatro vezes o principal oponente do outro grupo, “Shine”, com quatro golpes nas costas. O Ministério Público pedia 10 anos de prisão, mas a sentença acabou por ser diferente.

Quatro acusados do “grupo Semedo”, que se destacaram também pela brutalidade, foram igualmente poupados pelos juízes. Rui (golpes e ferimentos com os pés na cabeça de Shine) foi condenado a doze meses com pena suspensa, quando o Ministério Público pedia dois anos de prisão. Kadafi (golpes com tacos de basebol) apanhou nove meses de pena suspensa e Mandela (acusado de golpes) ficou com seis meses, também com pena suspensa.

Local onde parou a perseguição de carro e deu lugar a violentos confrontos, junto à rue du Brill, em Esch-sur-Alzette.
Local onde parou a perseguição de carro e deu lugar a violentos confrontos, junto à rue du Brill, em Esch-sur-Alzette.
Foto: Guy Wolff

Um outro elemento do “grupo Semedo”, Delson, para quem o Ministério Público pedia nove meses de prisão, por golpes com cabo de alta tensão, foi condenado à revelia com 12 meses de prisão sem pena suspensa. Como não se manifestou durante o processo, poderá ainda recorrer e contestar a sentença.

O caso aconteceu em fevereiro de 2012, com os dois grupos envolvidos em duas horas de pancadaria com facas, tacos de beisebol, cabos elétricos, catanas, garrafas partidas e perseguição automóvel em várias ruas de Esch-sur-Alzette. Motivo? Vingança gerada por incidentes “territoriais”.

Cheker, Nito e Pekapa foram absolvidos, assim como os três acusados do “grupo Shine”: Goma, Leandre e o próprio Shine.

Este é o segundo caso de violência, com jovens de origem cabo-verdiana, que o mesmo coletivo de juízes julga em menos de duas semanas.

No caso anterior, que também envolvia tentativa de homicídio, a sentença foi mais pesada. Os juízes condenaram dois jovens de Wiltz a 12 anos de prisão, seis dos quais em liberdade condicional.

O caso remonta a novembro de 2016 e teve lugar na cidade do Luxemburgo. Os dois agressores atacaram com doze golpes de faca um outro jovem, que ficou com os dois pulmões perfurados. A vítima acabou por sobreviver graças à insistência da mãe para ir ao hospital e a intervenção dos médicos do hospital de Esch-sur-Alzette.

O embaixador de Cabo Verde no Luxemburgo, Carlos Semedo, e dirigentes da comunidade já condenaram estes casos e preparam-se agora para apresentar iniciativas contra a delinquência.

H.B. / S.R.


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Imagem no local do ataque, na rue de Hollerich.