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Jovens que imaginam empregos de sonho ficam mais motivados para estudar, diz OCDE
Sociedade 2 min. 22.01.2020

Jovens que imaginam empregos de sonho ficam mais motivados para estudar, diz OCDE

Jovens que imaginam empregos de sonho ficam mais motivados para estudar, diz OCDE

Foto: Shutterstock
Sociedade 2 min. 22.01.2020

Jovens que imaginam empregos de sonho ficam mais motivados para estudar, diz OCDE

O ambiente socioeconómico das famílias acaba por ter uma forte influência no futuro dos jovens, mas o relatório aponta para mais um fator: o sucesso dos adolescentes é também afetado pelo conhecimento aprofundado do mundo do trabalho. “Numa palavra, os estudantes não podem ser o que não podem ver”.

Os jovens que conseguem imaginar os seus empregos de sonhos e de vida acabam por ficar mais motivados para estudar, revela um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), reconhecendo que esses “sonhos e aspirações não dependem apenas do talento dos alunos”.

O maior inquérito que avalia o desempenho escolar a nível mundial, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da OCDE, divulgou hoje um estudo sobre “Empregos de Sonho: As aspirações de carreira e o futuro do trabalho entre os adolescentes”, tendo por base as respostas de meio milhão de jovens, entre os quais os portugueses.

Mais uma vez o ambiente socioeconómico das famílias acaba por ter uma forte influência no futuro dos jovens mas o relatório aponta mais um fator: o sucesso dos adolescentes é também afetado pelo conhecimento aprofundado do mundo do trabalho. “Numa palavra, os estudantes não podem ser o que não podem ver”, sublinha o relatório.

Sonhos e aspirações não dependem apenas do talento dos alunos.

OCDE

O relatório recorda ainda outros estudos que revelaram que os jovens que conseguiram combinar um emprego a part-time com os estudos a tempo inteiro acabaram por te melhores resultados quando chegaram à vida adulta e entraram no mundo do trabalho.

O papel das escolas e dos Governos também são fundamentais nesta equação no momento de direcionar os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. Os estudantes que têm experiências de trabalho durante a adolescência assim como orientação profissional acabam por ter mais sucesso profissional porque mais dificilmente descobrem ter escolhido a profissão errada.

Em Portugal, são raros os jovens que não têm acesso a essa orientação profissional, que ocorre de forma sistemática nas escolas. É nas escolas com uma população estudantil composta maioritariamente por jovens de meios socioeconómico desfavorecidos que a taxa de participação nestes processos desce. Ali, só 85% das escolas oferece este serviço de apoio aos adolescentes, contra as quase 100% das escolas situadas em meios favorecidos.

Numa palavra, os estudantes não podem ser o que não podem ver.

OCDE

No entanto, os resultados nacionais estão muito acima da média da OCDE, que se situa no intervalo entre os 60% e os 70% para as escolas desfavorecidas e favorecidas, respetivamente.

Um pouco por todo o mundo, os jovens que terminam os estudos têm mais formação do que os seus pais ou avós. No entanto, apesar de terem mais formação académica acabam por ter mais dificuldades no mercado de trabalho.

A existência de cada vez mais desempregados com formação superior e as dificuldades que os empregadores dizem ter em encontrar pessoas com a formação necessária revela que “mais educação nem sempre significa automaticamente melhores empregos e melhores vidas. Para muitos jovens, o sucesso académico provou ter um significado insignificante para garantir uma transição suave para um bom emprego”.

Com o mundo em rápida mudança, existem fortes razões para acreditar que a escola precisa de ter um olhar novo sobre como preparar os jovens para o mundo do trabalho.

O último PISA realizou-se em 2018 tendo contado com a participação de meio milhão de alunos de 15 anos de 79 países participantes. Para o estudo suplementar sobre as carreiras participaram alunos de 32 países, incluindo Portugal.

Lusa


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