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Jornadas debatem durante três dias violência doméstica na comunidade portuguesa na Suíça
Sociedade 2 min. 04.09.2019

Jornadas debatem durante três dias violência doméstica na comunidade portuguesa na Suíça

Jornadas debatem durante três dias violência doméstica na comunidade portuguesa na Suíça

Foto: Shutterstock
Sociedade 2 min. 04.09.2019

Jornadas debatem durante três dias violência doméstica na comunidade portuguesa na Suíça

A Suíça é um dos países com a maior comunidade portuguesa e onde os casos de violência doméstica divulgados pela imprensa envolvem vítimas ou agressores portugueses.

Os problemas e consequências da violência doméstica, por vezes com casos fatais, na comunidade portuguesa na Suíça estão em debate num encontro promovido pela associação Change Mind - Global Aid em Lausanne e Zurique.


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A comunidade portuguesa possui o maior número de vítimas de violência doméstica no Grão-Ducado, voltam a indicar os novos dados, de 2018, a que o Contacto teve acesso. Acresce a isto, uma percentagem bastante superior nos agressores em relação ao seu peso na população residente. Serão os portugueses mais violentos do que os outros povos? Fomos escutar a opinião dos especialistas.

As Jornadas sobre Violência Doméstica, que decorrem entre sexta-feira e domingo, são a primeira iniciativa desta associação, com sede em Lucerna, na comunidade portuguesa na Suíça e têm como objetivo colaborar de “forma efetiva” para “combater a violência doméstica, quaisquer que sejam as suas formas de manifestação, promovendo o diálogo, o debate, a troca de experiências e boas práticas”.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da iniciativa em Portugal, João Pedro Gaspar, explicou que a Change Mind - Global Aid (CMGA) é uma associação que se preocupa com a comunidade portuguesa a residir na Suíça, mas também em Portugal, onde tem participado em diversas iniciativas e defendido várias causas.

“Desta vez, dada a preocupação crescente com os dados que vão surgindo de violência doméstica junto da comunidade portuguesa na Suíça, decidiu levar a cabo esta iniciativa”, disse o investigador da Universidade de Coimbra e coordenador da Plataforma de Apoio a Jovens (Ex)acolhidos (PAGE).

Em comunicado, a associação diz acompanhar com “profunda tristeza e preocupação” os casos veiculados pela comunicação social suíça que envolvem vítimas ou agressores de nacionalidade portuguesa.

Em Portugal, afirma, “a violência doméstica foi durante anos um problema camuflado, de que não se falava. Era socialmente aceite. Ainda hoje se ouve com frequência “entre marido e mulher, não se mete a colher”.


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A deputada Hetto-Gaasch do CSV quer saber se a assistência à vítima chegou a contactar a brasileira e como a polícia controla os agressores com ordem de restrição como o português.

“Sendo a comunidade portuguesa uma das mais representadas na Suíça, preocupa-nos a reprodução destes comportamentos, no seu seio”, refere a CMGA.

Sublinha ainda que, “tendo em conta que apenas os casos mais graves e que culminam em homicídio são divulgados, desconhecendo-se a quantidade de vítimas que sofrem em silêncio”, é urgente “prevenir” e “combater” este fenómeno.

“A nossa diáspora acaba por refletir um pouco aquilo que são os costumes, neste caso péssimos costumes, que se relacionam com tudo o que é violência doméstica”, acrescentou João Pedro Gaspar

Na sua intervenção nas jornadas, o investigador irá abordar “as consequências duradouras da violência doméstica” nomeadamente nas crianças que assistem à violência doméstica entre os pais.


Violência doméstica é uma das principais causas de homicídio
Um em cada quatro homicídios, em Portugal, são de uma mulher em contexto de um relacionamento de intimidade e perto de 37% dos homicídios ocorridos em Portugal "têm como ponto comum a existência de violência doméstica".

“Falamos de muitos milhares de crianças que anualmente assistem a situações de violência familiar, uma situação que depois se reflete na sua vida futura”, disse.

“O que se passa na infância, não fica na infância” e com este flagelo, “estamos a hipotecar gerações”, rematou.

Apoiadas pela Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, as jornadas pretendem “mobilizar a comunidade científica e técnica ou outros que de alguma forma atuem neste domínio, para as especificidades deste fenómeno”.

O encontro conta com a participação de jovens, pais, professores, movimentos associativos, técnicos de serviço social, estudantes.

Conta ainda com a presença do cônsul-geral de Portugal em Genebra, Bruno Paes Moreira, e da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro.

Lusa


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