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Joël Robuchon, perfil de um génio da gastronomia
Joël Robuchon em 1994.

Joël Robuchon, perfil de um génio da gastronomia

Foto: AFP
Joël Robuchon em 1994.
Sociedade 2 min. 06.08.2018

Joël Robuchon, perfil de um génio da gastronomia

Chef que colecionou 32 estrelas Michelin morreu aos 73 anos, vítima de cancro do pâncreas.

Por muito sofisticada que pudesse ser a forma de confecionar, a sua cozinha era considerada simples, uma vez que não costumava recorrer a mais do que quatro ingredientes na preparação; queria que os clientes se sentissem sempre à vontade e gostava de conversar com eles, tendo a comida como essência; o primeiro L'Atelier, que inaugurou em Paris, assinalou a mudança da sua vida; a rede de restaurantes que construiu estende-se da Cidade-Luz a Hong Kong, de Las Vegas a Tóquio, do Mónaco a Macau e Banguecoque. Eleito melhor chef do século pelo guia Gault & Millau em 1989, Joël Robuchon teve uma longa carreira de sucessos com destaque para as 32 estrelas Michelin que colecionou durante a vida. Morreu hoje, aos 73 anos, devido a cancro no pâncreas que já motivara uma operação, segundo revelou a assessoria de imprensa.

Robuchon era originário da cidade de Poitiers, onde nasceu em 1945, tendo três irmãos. Começou a trabalhar como cozinheiro no seminário de Mauléon-sur-Sèvre e, aos 15 anos, tornou-se aprendiz de chef no hotel Relais de Poitiers, iniciando-se no mundo da doçaria. Em 1966 passou a viajar por toda a França graças ao seu envolvimento no Compagnon du Tour de France. Oito anos mais tarde foi escolhido como chef do Hôtel Concorde la Fayette e, em 1976, era eleito "meilleur ouvrier de France" em função do seu virtuosismo nas técnicas culinárias.

Continuando o seu percurso ascensional, em 1989 recebeu o referido e prestigiado título do guia Gault & Millau, inaugurou em Paris o seu restaurante (que seria eleito o melhor do mundo pelo jornal International Herald Tribune), mas, depois de servir como referência para outros nomes que se tornaram famosos, como Gordon Ramsay ou Eric Ripert, resolveu afastar-se aos 50 anos. Regressou pouco depois com o estabelecimento da sua cadeia de restaurantes à escala mundial e, entre 1996 e 2000, a sua fama ganhou outra dimensão com as presenças televisivas. "Cuisinez comme um grande chef" (TF1) e "Bon appétit, bien sûr" (France 3) foram programas em que demonstrou todo o requinte dos seus conhecimentos.

Na rede social Twitter, Guillauem Gómez, responsável pela cozinha no Palácio do Eliseu, escreveu: "É o maior profissional que a cozinha francesa já teve. Um exemplo para as futuras gerações de chefs".

"Classificar Joël Robuchon como cozinheiro é o equivalente a dizer que Picasso era pintor, Pavarotti um tenor e Chopin um pianista", resumiu Patricia Wells, autora de uma obra sobre o chef.


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