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Já é possível aprender português através do telemóvel
Sociedade 4 min. 03.06.2019

Já é possível aprender português através do telemóvel

Já é possível aprender português através do telemóvel

Foto: Pixabay
Sociedade 4 min. 03.06.2019

Já é possível aprender português através do telemóvel

Ferramenta de elearning 100% portuguesa oferece cursos noutras sete línguas.

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) lançou um curso de elearning para aprender português à distância apenas com um telemóvel ou computador. A ferramenta "O Meu Português" já está disponível online desde janeiro. Através do curso, que é no entanto pago, é possível aprender outras sete línguas para além do português: espanhol, francês, inglês, russo, mandarim, árabe e romeno. O projeto nasceu de uma parceria da FLUL com a empresa Distance Learning Consulting (DLC) para dar resposta a um projeto da Universidade Católica Portuguesa. 

O professor e director da FLUL, Miguel Tamen, explicou ao jornal Público que é possível ter um ensino de português à distancia sem comprometer a qualidade. "Nós já tínhamos uma longuíssima experiência de ensino presencial, em particular no ensino do português como língua estrangeira, que é um caso especial. Porque, sem perda notória da qualidade, pode ser ensinado de modo não presencial", afirmou. Após várias tentativas falhadas com outros parceiros, os investigadores viram na DLC o parceiro ideal para o projeto. "Contactaram professores nossos, conversámos durante uns meses e chegámos à conclusão que era possível desenvolver isto", acrescentou.

Também em declarações ao Público, Nélia Alexandre, uma das coordenadoras pedagógicas da equipa responsável pelos conteúdos do curso e também coordenadora dos cursos de Português Língua Estrangeira do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa da FLUL, afirmou que a empresa "já trazia este produto esboçado", o que acabou por ser uma vantagem. "O que nós fizemos, e levou quase um ano a ser feito, foi toda a revisão do material que eles tinham em esboço", contribuindo de forma "pedagógica e científica" para o projeto pensado de raiz para o português", referiu. 

Português de Portugal e do Brasil

Apesar de o acordo ortográfico celebrado entre Portugal e os restantes países de língua portuguesa, em 1990, ter unificado boa parte da grafia, os criadores desta ideia entendem que o português unificado "é uma fantasia" como caracteriza Miguel Tamen. "Tal como há maneiras diferentes de escrever português, há maneiras diferentes de falar e de usar a língua. E à medida que se progride nos níveis, as diferenças vão ser maiores. Quando começam as formas de tratamento, o vocabulário e as estruturas sintáticas, podem mesmo ser grandes", assegura. Ainda assim, o novo acordo ortográfico é aplicado aos textos do curso, seja no português europeu ou brasileiro. "É uma questão oficial", refere. Nélia Alexandre.

O primeiro nível - A1 - divide-se em seis unidades e cada uma desta em vários tópicos: Alfabetização (O alfabeto latino, Os sons da fala, Leitura de sílabas, Leitura de palavras), Identificação pessoal (Nome, Idade, Nacionalidade, Família, Formas de tratamento), Quotidiano (As horas, Dias da semana, Tempo e estações do ano, Rotina diária), Alimentação (Comida, Bebida, Compras, Refeições), Casa (Habitação, Mobiliário e utensílios, Descrição da casa, Tarefas domésticas) e Trabalho (Profissões, Locais de trabalho, Emprego). Tudo numa ótica comunicativa, descreve o Público.

Nélia Alexandre acrescenta que estas unidades estão em linha com o que já é feito a nível europeu para os cursos de línguas. "A filosofia que preside aos conteúdos que estão no A1, e que é a mesma para todos os níveis que estamos a desenvolver, é a do quadro europeu comum de referência para as línguas. Não estamos a inventar nada, estamos a seguir referenciais que reforçam e salientam essa vertente comunicativa e a vários níveis. Porque nós não aprendemos uma língua, seja ela qual for, da mesma forma nem ao mesmo ritmo". 

E só este nível pode demorar seis meses ou um ano, "dependendo da velocidade que cada candidato quiser imprimir ao seu estudo". No final do primeiro nível, previsto para 300 horas, o formando deverá, segundo o programa do curso, "ser capaz de interagir de modo simples, fazer perguntas e dar respostas sobre ele próprio e sobre os seus interlocutores, sobre o local onde vive(m), sobre as pessoas que conhece(m), sobre as coisas que possui(em), intervir ou responder a solicitações utilizando enunciados simples acerca das áreas de necessidade imediata ou de assuntos que lhe são muito familiares". 

Procura satisfatória

Os dois professores dizem que a procura pelo curso online tem sido satisfatória. "Tivemos logo contactos, nomeadamente da nossa própria universidade, mas de outras faculdades, perguntando-nos se podiam usar o curso para os alunos Erasmus, antes de fazerem a introdução ao português, como uma espécie de curso intensivo, para quando chegarem já estarem familiarizados com várias questões linguísticas". Miguel Tamen sublinha ainda que as perspetivas são otimistas. "Nós previmos patamares de vendas de licenças para se começar a pensar no nível que se segue. Tínhamos pensado começar a trabalhar no A2 só em meados de 2019, mas como as expectativas eram razoavelmente optimistas decidimos antecipar o calendário e começámos a trabalhar nele bem mais cedo. Mas só vamos ter ideias do calendário de desenvolvimento do B1, pelo menos, seis a oito meses passados sobre o arranque".

Quanto aos números em concreto, Miguel Tamen já antecipa os próximos níveis de ensino. "Imaginamos que a partir de 300 a 400 licenças já temos a base suficiente para o nível seguinte [B]. Só para dar uma ideia, temos 2 mil alunos presenciais de português como língua estrangeira por ano. E que estão em Portugal", acrescentou. 

Bruno Amaral de Carvalho