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Investigadores portugueses criam tratamento para jovens agressores com traços de psicopatia
Sociedade 2 min. 24.09.2021
Violência juvenil

Investigadores portugueses criam tratamento para jovens agressores com traços de psicopatia

Violência juvenil

Investigadores portugueses criam tratamento para jovens agressores com traços de psicopatia

Foto: Shutterstock
Sociedade 2 min. 24.09.2021
Violência juvenil

Investigadores portugueses criam tratamento para jovens agressores com traços de psicopatia

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O estudo envolveu, ao longo das várias fases, um total de mil jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. Cerca de metade, a cumprir medidas de correção em centros juvenis de internamento.

Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra criou um tratamento para jovens agressores com traços de psicopatia.

O programa, liderado por Daniel Rijo, docente da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), e desenvolvido em colaboração com a Universidade de Derby, no Reino Unido, o estudo envolveu ao longo das várias fases um total de mil jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. 

A investigação analisou 400 agressores juvenis a cumprir medidas de correção em centros juvenis de internamento, a cumprir medidas de correção, e 600 menores sem qualquer tipo de psicopatologia provenientes de escolas públicas, refere a informação do comunicado da Universidade de Coimbra.

No âmbito do projeto, designado "Psychopathy.comp - Modificabilidade dos Traços Psicopáticos em Menores Agressores", foi desenvolvida uma intervenção específica baseada em novos modelos de psicoterapia, cuja eficácia foi testada num ensaio clínico com 119 menores a cumprir medida tutelar educativa de internamento, em todos os Centros Educativos do Ministério da Justiça.


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O programa de intervenção, traçado pela equipa, consistiu em 20 sessões semanais de psicoterapia individual, realizadas durante seis meses por investigadores que são também psicoterapeutas creditados. A intervenção teve a supervisão de Paul Gilbert, da Universidade de Derby, perito em Terapia Focada na Compaixão, o modelo que foi seguido no projeto.

"Grande parte da intervenção é dedicada ao treino da mente compassiva como estratégia preferencial de aquisição de competências de regulação emocional e comportamental. Os participantes são treinados a desenvolver compaixão pelos outros, mas também por si próprios, como forma saudável e adaptativa de lidar com o sofrimento e com a adversidade da vida", explica Daniel Rijo.

Os ensaios mostraram, segundo o coordenador do projeto, que "os traços psicopáticos são modificáveis na adolescência, mesmo em menores agressores em contacto com o sistema de justiça". 

Para o investigador, estes resultados revelam a necessidade de fornecer "intervenções adequadas" a pessoas que apresentam estas características cedo, "com vista à modificação do comportamento criminal e à consequente redução do risco de persistência no crime após intervenção pelo sistema de justiça".

Apesar de os adolescentes com traços de psicopatia correrem um maior risco de persistir no crime, o programa desenvolvido pela Universidade de Coimbra apresenta-se como pioneiro no ajuste da intervenção psicoterapêutica às especificidades deste grupo. 

A psicopatia está associada às formas mais precoces, severas e estáveis de comportamento antissocial, o que torna mais necessária uma identificação e prevenção precoce. 


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De acordo com Daniel Rijo, os vários estudos realizados no âmbito do projeto demonstraram que a "terapia focada na compaixão" se revelou "adequada para esta população" mais jovem, assim como "para as instituições da justiça juvenil" que as acolhem, "uma vez que o ensaio clínico decorreu nos Centros Educativos". Para o docente da Faculdade de Psicologia, da Universidade de Coimbra, os resultados obtidos contribuem também para "a expansão de uma das mais promissoras terapias de terceira geração, aproximando as novas terapias aos contextos forenses".

Os resultados globais da investigação, desenvolvidos nos últimos quatro anos, serão apresentados e discutidos, em seminário, no próximo dia 30 de setembro.

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