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Investigadores do Luxemburgo querem acabar com o estigma do peso associado à obesidade
Sociedade 3 min. 21.05.2022
Saúde

Investigadores do Luxemburgo querem acabar com o estigma do peso associado à obesidade

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Investigadores do Luxemburgo querem acabar com o estigma do peso associado à obesidade

Shutterstock
Sociedade 3 min. 21.05.2022
Saúde

Investigadores do Luxemburgo querem acabar com o estigma do peso associado à obesidade

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Investigadores do instituto querem que a doença seja abordada de forma abrangente e que sejam reconhecidos os vários fatores que para ela contribuem, combatendo a perceção estereotipada de que as pessoas obesas são de alguma forma responsáveis pelo seu peso.

O Instituto de Saúde do Luxemburgo (ISL) quer mudar o atual estigma que recai sobre a obesidade. O organismo junta-se à Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (EASO) que apoia oficialmente as diretrizes canadianas sobre a obesidade em adultos, que defendem que esta condição deve ser classificada de acordo com bases multifactoriais e não por estado de peso. 

Segundo essas diretrizes, o diagnóstico da obesidade e o seu tratamento devem ter em consideração o metabolismo da pessoa e os padrões mentais e sociais da quem vive com obesidade. 


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"A dieta e o exercício não curam a obesidade, que deve ser abordada através de uma abordagem médica personalizada que tem em conta as necessidades específicas dos doentes para tratar as causas subjacentes da doença", refere um comunicado do ISL.

Hanen Samouda, investigadora do instituto, especializada em obesidade e composição corporal, tem lutado pelo reconhecimento, diagnóstico e tratamento da obesidade como uma doença multifactorial e não apenas como o resultado de escolhas de estilo de vida pouco saudáveis, como muitas vezes é tratada. 

Este estigma, que tem efeitos negativos tanto nas crianças como nos adolescentes, acaba por aumentar a obesidade, agravando as condições de saúde física e mental associadas, sinaliza o mesmo comunicado.

O trabalho da investigadora já inclui a avaliação de normas e sistemas de classificação em obesidade, complementadas com o desenvolvimento de ferramentas fáceis de usar para diagnosticar obesidade, tal como uma calculadora de gordura visceral recentemente desenvolvida (visceralfatcalculator.lih.lu), em colaboração com outro membro do instituto Jérémie Langlet. 

Mas Hanen Samouda acredita que há ainda outros aspetos a abordar quando se fala de obesidade. "Precisamos de agir em conjunto para que a obesidade seja reconhecida como uma doença crónica multifatorial, para tratar sem estigma pessoas que vivem com obesidade e para avançar com a investigação neste campo", defende a investigadora, citada no comunicado.

Um estigma que agrava a doença

Apesar do entendimento de que para a obesidade contribuem fatores internos (biologia, genética, questões mentais) e externos (exposição alimentar, comercialização, industrialização), a perceção estereotipada de que as pessoas obesas são de alguma forma responsáveis pelo seu peso prevalece.   


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Este estigma sobre o peso, ao ser assumido pela pessoa que vive com a obesidade, acaba por tornar-se ele próprio condutor da doença, ao provocar um aumento do stress psicológico, depressão e ansiedade que resultam em distúrbios alimentares e que levam à auto dietética que, por sua vez aumentam o ganho de peso e agravam a obesidade. Um problema que se começar em tenra idade se vai tornando mais difícil de combater ao longo dos anos.

"O estigma do peso induz problemas psicológicos e aumenta a obesidade, e vice-versa, agravando a saúde mental e física desde a infância", lembra o instituto, que considera que o combate a essa crença se tornou numa intervenção de saúde pública de primeira linha.

Criar um registo de acompanhamento abrangente

A investigadora Hanen Samouda está, entretanto, a colaborar com o grupo MOTOR (MOving TOgetheR) e com Chiraz Ghaddhab (MD, PhD), endocrinologista especializado em obesidade pediátrica na clínica de obesidade infantil, Kannerklinik, do Centro Hospitalar do Luxemburgo, para desenvolver um registo de obesidade pediátrica que terá em conta o aspeto multifatorial da obesidade. 

A estratégia assenta no desenvolvimento de uma abordagem para evitar o peso estigma, já que as crianças e adolescentes que vivem com obesidade sentem-se frequentemente envergonhados e culpados pelo seu peso, mesmo quando a obesidade não é uma escolha pessoal baseada na preguiça e na falta de força de vontade, mas uma doença crónica com várias origens, como frisa o instituto.

O sistema de registo, que deverá ser lançado assim que o financiamento estiver em vigor, envolverá tanto o paciente como a família no seu desenvolvimento. De acordo com Hanen Samouda Samouda, "o paciente e a família irão ajudar a assegurar que as suas necessidades sejam compreendidas e correspondam aos objetivos dos médicos, para permitir uma melhor gestão da doença".

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