Escolha as suas informações

Inteligência Artificial. Microsoft investe 894 milhões de euros para replicar cérebro humano
Sociedade 4 min. 23.07.2019

Inteligência Artificial. Microsoft investe 894 milhões de euros para replicar cérebro humano

Inteligência Artificial. Microsoft investe 894 milhões de euros para replicar cérebro humano

Foto: Shutterstock
Sociedade 4 min. 23.07.2019

Inteligência Artificial. Microsoft investe 894 milhões de euros para replicar cérebro humano

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
OpenAI, do empresário Elon Musk, é a empresa responsável por este desafio de construir uma máquina que se auto-organize, aprenda e até se transforme fisicamente, um desafio que muitos cientistas consideram impossível.

A Microsoft, empresa fundada por Bill Gates há 44 anos, anunciou na passada segunda-feira, 22, uma parceria com a OpenAI, empresa fundada em 2015 que cria inteligência artificial (IA). 

O grande objetivo da OpenAI é chegar ao ponto em que computadores vão conseguir imitar o cérebro humano. Este é mais um passo para criar inteligência geral artificial (AGI) que consiga rivalizar - e até ultrapassar - as capacidades cognitivas dos humanos. 

Um desafio que não reune consenso no campo dos cientistas, nomeadamente naqueles que estudam o cérebro. A cientista brasileira Suzanna Herculano-Houzel que foi a primeira a contar o número de neurónios do cérebro humano, declarou a respeito desse tipo de tentativas:  "Acho muito pouco provável que uma máquina construída hoje atingisse o nível de complexidade que um cérebro real vivo tem. Para chegar lá, ela teria de ter essa capacidade de auto-organização que o cérebro, sistema vivo, tem. Existem tentativas de criar máquinas com regras fluidas. Elas teriam assim alguma capacidade de auto-organização, mas ainda assim estamos falando de auto--organização do software. O que permite a construção do cérebro é capacidade de auto-organização, de sofrer mudanças e de se modificar em consequência da sua própria atividade. Para você construir uma máquina como essa, você está simplesmente falando da capacidade de construir, do zero, um sistema vivo semelhante ao cérebro, ou seja: um cérebro. E isso a gente faz quando cria a próxima geração, sem precisar de mexer em nada, a nossa biologia já sabe fazer isso sozinha".

Nada que atemorize a empresa fundada por Bill Gates. Em comunicado, a Microsoft tornou oficial o investimento de mil milhões de dólares (894 milhões de euros) no projeto, garantindo que um dos objetivos é "garantir que a tecnologia de IA tenha benefícios em todo o mundo". 

O acordo entre as duas empresas implica que a Azure, plataforma de computação na 'cloud' da Microsoft, passe a ser o único prestador de serviços na 'cloud' da OpenAI e, por sua vez, esta passa a desenvolver novas tecnologias para a Azure. 

A computação na cloud é uma aposta estratégica no futuro da empresa criada por Gates e continua a ser um dos principais impulsionadores do crescimento da empresa. Este ano, as receitas da Azure, que compete com a Amazon e Google, aumentaram 73%. 

Em julho, a Microsoft divulgou que teve um lucro líquido de 39.240 milhões de dólares (35 mil milhões de euros) em todo o ano fiscal de 2019. Este resultado é mais do dobro dos lucros obtidos no ano fiscal anterior, 16.571 milhões de dólares (14.822 milhões de euros).

Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, garante que a criação de AGI será “o desenvolvimento tecnológico mais importante da história da humanidade” e que está feliz por a Microsoft “partilhar” essa visão. 

“A inteligência artificial é uma das tecnologias mais transformadoras do nosso tempo e tem o potencial de ajudar a solucionar muitos dos desafios mais urgentes do nosso planeta. Ao combinar a tecnologia de ponta da OpenAI com as novas tecnologias de supercomputação em IA do Azure, a nossa ambição é democratizar a própria IA para que todos possam beneficiar dela, mantendo a segurança em primeiro lugar ”, afirmou Satyua Nadella, diretor-executivo da Microsoft. 

Elon Musk
Elon Musk
Foto: Reuters

Qual é o limite? 

Em 2015, Elon Musk, também criador da Tesla, PayPal e SpaceX, fundava a OpenAI em São Francisco. O objetivo da empresa era ser uma organização sem fins lucrativos para investigar o campo da inteligência artificial para promover o desenvolvimento de tecnologias que “beneficiam a humanidade" 

No entanto, uma das criações da OpenAI, o GPT2, pode ser demasiado perigoso para ser comercializado. O GPT2 é um sistema de criação de texto que poderia substituir de forma credível um humano na produção de artigos jornalísticos ou obras literárias. É inserido um texto (pode ser apenas uma ou duas frases ou páginas inteiras), e programa continua a escrever o texto, já que consegue prever  a continuação lógica das frases. Nas experiências efetuadas, o GPT2 conseguiu escrever segmentos de texto credíveis sem os erros frequentes de outras ferramentas de Inteligência Artificial.  

No entanto, o risco de ser usado para produzir conteúdos sensíveis ou "fake news" é tão elevado que o próprio Musk disse que não ia divulgar na íntegra o sistema e que precisavam de mais tempo para ajustar a ferramenta. 



Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.