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Imbecis perigosos
Editorial Sociedade 2 min. 18.12.2019

Imbecis perigosos

Imbecis perigosos

Foto: AFP
Editorial Sociedade 2 min. 18.12.2019

Imbecis perigosos

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Os ricos e os seus governantes fizeram um pacto com o dinheiro: trocaram a vida da Terra no futuro pelos muitos lucros agora.

Recentemente, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, nomeou três homens para dirigir parte do aparato cultural do país: o primeiro, indicado para dirigir uma instituição de cultura afro-brasileira, defendeu que a escravatura foi benéfica para os negros. O segundo, colocado na biblioteca nacional brasileira garantiu que a manutenção do analfabetismo no Brasil era causado pelas divulgações das letras do cantor oposicionista, ao governo de Brasília, Caetano Veloso. Já o homem proposto para dirigir as artes no Brasil, por parte do Estado, revelou que os Beatles estavam ligados à Escola de Frankfurt e envolvidos numa conspiração comunista para aumentar as drogas, o sexo desbragado e o aborto. Dante Mantovani, fixem o nome, o novo presidente da Fundação Nacional das Artes, não só garantiu que: “O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que fez um pacto com o Satanás.”; como revelou a grande conspiração que envolve a NASA e os vermelhos, fazerem–nos acreditar que a Terra não é plana: “Terrabolistas são ótimos em fazer piadinhas acerca da auto-evidente planicidade da superfície terrestre, mas são absolutamente incapazes de apresentar um único argumento ou prova da delirante (sic) esfericidade da Terra. O mais próximo que chegam de um argumento em favor da bola giratória são imagens de computação gráfica feitas pela agência de desinformação e propaganda da Guerra Fria, a NASA, cujos próprios autores já vieram a público dizer que é tudo fake.”

A imbecilidade tem perna-longa e não se resume a estes três pobres servidores do governo brasileiro. Repetidamente e reiteradamente, o Presidente dos EUA, Donald Trump, o seu homólogo brasileiro, Bolsonaro, puseram em duvida a influência humana no aquecimento global. Os seus argumentos podem ser caricaturais, mas os interesses que defendem são muito sérios. Estes políticos sabem que a progressiva destruição do planeta não vai ter consequências iguais para ricos e pobres: uns vão viver no inferno da poluição e aos outros estará sempre reservado um pequeno canto miraculosamente preservado e defendido com muros e arame farpado.

Os ricos e os seus governantes fizeram um pacto com o dinheiro: trocaram a vida da Terra no futuro pelos muitos lucros agora.

A incapacidade dos governos acordarem na COP25 é consequência destas ações. A estratégia da imbecilidade que é visível no início do texto é o braço armado de uma política que permite que nada se faça e se continue a poluir em troca de dinheiro e condenando o nosso futuro.

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