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Holanda discute comprimido letal para idosos "cansados de viver"
Sociedade 2 min. 07.02.2020

Holanda discute comprimido letal para idosos "cansados de viver"

Holanda discute comprimido letal para idosos "cansados de viver"

Sociedade 2 min. 07.02.2020

Holanda discute comprimido letal para idosos "cansados de viver"

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
O governo quer aprovar a medida para maiores de 70 anos até ao final do ano. Não vai precisar de uma receita médica nem sofrer de qualquer problema de saúde.

Em 2002, a eutanásia tornou-se legal na Holanda mas apenas para situações de doença terminal ou sofrimento extremo e a decisão precisa de ser assinada por dois médicos independentes. 

Passados 18 anos, o governo holandês quer debater o alargamento desta prescrição, nomeadamente, para idosos que tenham mais de 70 anos e que não queiram continuar a viver. Seria, assim, a distribuição gratuita de um comprimido letal a pessoas que estejam “cansadas de viver”, avançou o ABC.

Foi publicado um estudo sobre o alcance populacional a que este método de suicídio se dirige e este divulgou que há um grupo da população holandesa com mais de 55 anos que “têm um desejo de morrer consistente e ativo”, apesar de estarem saudáveis. Esse grupo representa 0,18% de um total de 10.000 pessoas. 

A Holanda sempre tratou a eutanásia com relativa naturalidade. Segundo o ABC, em 2002, depois da lei ser aprovada, pelo menos 1880 pessoas usaram o comprido mortal. Atualmente, são quase sete mil que todos anos recorrem a este método. 

O partido União Cristã é o grande adversário da medida. “A missão do governo é proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis ​​e as mais velhas, e não ajudar ao suicídio”, afirma a deputada Carla Dik-Faber, citada pelo ABC.

“Os idosos podem se sentir desnecessários numa sociedade que não valoriza a velhice. É verdade que existem pessoas que se sentem sozinhas, outras podem ter uma vida de sofrimento e isso é algo que não é fácil de resolver, mas o governo e toda a sociedade devem assumir a responsabilidade. Não queremos ‘consultores de fim de vida’, queremos ‘guias de vida’. Para nós, todas as vidas são valiosas.”, acrescenta Dik-Faber.

Já o partido D66, que faz parte da coligação do governo, argumenta que é preciso aprovar a legislação, uma vez que os "os idosos que já viveram o suficiente dever poder morrer quando decidirem", disse Pia Dijkstra, do D66. 

O assunto vai continuar a ser discutido.