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História de amor interrompida por ordem de expulsão do Luxemburgo
Sociedade 3 min. 19.05.2022
Deportação

História de amor interrompida por ordem de expulsão do Luxemburgo

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História de amor interrompida por ordem de expulsão do Luxemburgo

Sociedade 3 min. 19.05.2022
Deportação

História de amor interrompida por ordem de expulsão do Luxemburgo

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Carlos, cidadão brasileiro de 21 anos, foi detido à porta de casa e levado para o Centro de Detenção de Sandweiler. Numa semana vai ser expulso do Luxemburgo. Há três anos que o Consulado brasileiro não tinha notícias de um caso como este.

Carlos, cidadão brasileiro de 21 anos, foi detido pela polícia quando estava sentado à porta de casa da família em Kayl, na quarta-feira passada. O prazo do visto de autorização para estar no país tinha terminado há duas semanas. Depois de uma passagem pela esquadra de Rumelange foi transferido para o Centro de Detenção de Sandweiler. Amanhã vai ser deportado para o Brasil. A hora não é revelada à família por razões de segurança.

Cristina Delaz, Dayana Silva e Pollyanna Martins da Associação Revibra Europa e Coletivo Entreajuda Luxemburgo em frente ao Centro de Detenção de Sandweiler.
Cristina Delaz, Dayana Silva e Pollyanna Martins da Associação Revibra Europa e Coletivo Entreajuda Luxemburgo em frente ao Centro de Detenção de Sandweiler.

O processo “não é comum” e “é uma clara violação dos direitos humanos” denuncia Dayana da Silva, da Rede de apoio às Vítimas Brasileiras de Violência Doméstica (Revibra Europa). “Há três anos que o Consulado brasileiro não recebia um pedido de apoio a um caso de deportação vindo do Luxemburgo” sublinha Dayana da Silva.

“Durante os primeiros dias de prisão, as autoridades não permitiram que a família tivessem contacto com ele ou que pudessem trazer as suas coisas, alegando que por causa da pandemia ele tinha que estar em isolamento durante sete dias”, acrescenta esta dirigente associativa. “Geralmente, como passou do prazo para ir embora, ele receberia uma carta convite de saída voluntária e voltaria para o Brasil” no prazo de trinta dias, diz ainda a dirigente.  “Não lhe deram a oportunidade de se retirar do país voluntariamente”, diz uma familiar.

“É impossível que a polícia conheça toda a gente que está sem documentos. A não ser que tenham uma denúncia com indicação do nome e da morada”, sublinha Pollyanna Martins, psicóloga do Revibra e Coletivo Entreajuda Luxemburgo.

Mas, “quando há uma denúncia, vão buscar essa pessoa e trazem-na para o Centro de Detenção para que o Estado tenha a certeza que essa pessoa não vai ficar no país”, acrescenta.

Carlos não fala francês e foi abordado em luxemburguês pela polícia. Não percebeu uma palavra do que lhe estavam a dizer, porque não havia qualquer tradutor presente. Os polícias, a certo momento, “recorreram ao Google Tradutor no telemóvel, o que é completamente irregular”, denuncia Dayana da Silva.


Desconhecimento da língua luxemburguesa é a principal discriminação no Grão-Ducado
Em janeiro de 2021, cerca de 47% da população luxemburguesa era estrangeira, mas a maioria, 61%, era proveniente da imigração, sublinha o mais recente estudo encomendado pelo Ministério da Família e Integração.

"Quando foi detido tinha a roupa do corpo e o telemóvel, não tinha mais nada”, diz uma familiar, em declarações ao Contacto.

Carlos tem passado os dias a chorar e quase não consegue comer, revelam os familiares que preferem não ser identificados. Esta manhã receberam a indicação que “o poderiam visitar na prisão e que lhe poderiam trazer a mala para que ele não voltasse para o Brasil só com a roupa do corpo”. 

Veio para o Luxemburgo à procura de uma vida melhor, mas entretanto “conheceu uma jovem francesa e estão a pensar em casar”, revelam os familiares. Agora, recebeu a ordem do Ministério dos Negócios Estrangeiros de “interdição de entrar no território por um ano”. No prazo de três meses pode apresentar um recurso para tentar regressar.

O jovem brasileiro só quer voltar, o mais rápido possível, para casar.  “Esperemos que esta história de amor termina com final feliz”, diz Dayana da Silva.

Para esta dirigente associativa, o "que está a acontecer aqui é um caso colocado para servir como exemplo para dizer aos brasileiros para não virem e ficarem ilegais porque se não é isto que vai acontecer. Porque o número de brasileiros a querer vir para o Luxemburgo está a aumentar”. 

"Não queremos  incentivar a ilegalidade, mas sim alertar para o risco de deportação no caso dos brasileiros que fiquem ilegais em qualquer país europeu", conclui Dayana Silva.

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