Escolha as suas informações

Helpify, a plataforma criada na pandemia que agora serve para ajudar refugiados ucranianos
Sociedade 3 min. 24.03.2022
Guerra na Ucrânia

Helpify, a plataforma criada na pandemia que agora serve para ajudar refugiados ucranianos

Através da Helpify, mais de 500 pessoas de todo o mundo, incluindo do Luxemburgo, já se voluntariaram para ajudar os refugiados da Ucrânia.
Guerra na Ucrânia

Helpify, a plataforma criada na pandemia que agora serve para ajudar refugiados ucranianos

Através da Helpify, mais de 500 pessoas de todo o mundo, incluindo do Luxemburgo, já se voluntariaram para ajudar os refugiados da Ucrânia.
Foto: DR
Sociedade 3 min. 24.03.2022
Guerra na Ucrânia

Helpify, a plataforma criada na pandemia que agora serve para ajudar refugiados ucranianos

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Uma plataforma online criada em 2020 para ajudar as pessoas durante a pandemia da covid-19 está agora a ser usada para apoiar os refugiados da guerra na Ucrânia. Através da Helpify, mais de 500 pessoas de todo o mundo, incluindo do Luxemburgo, já se voluntariaram para contribuir da forma que podem.

Em março de 2020, quando a pandemia da covid-19 começou a alastrar-se pela Europa, um grupo de amigos criou uma plataforma de solidariedade na Suíça. A Helpify nasceu da constatação de que muitas pessoas ainda não se sentem confortáveis com as novas tecnologias e acabam por ser excluídas de muitas iniciativas na Internet.

Assim, a aplicação, que pode ser utilizada gratuitamente através do computador ou telemóvel, permite que todos os voluntários possam ajudar as pessoas que enfrentam uma crise em qualquer parte do mundo, seja para ter acesso a alojamento, ajuda médica, comida, roupa, compras, ir à farmácia ou passear o cão.

"A ideia é juntar as pessoas que precisam de ajuda com aquelas que querem ajudar", explicou Olena Leontieva, ucraniana de 38 anos que vive em Dublin, na Irlanda. Quando começou a guerra na Ucrânia, há cerca de um mês, Olena foi uma das fundadoras da comunidade da Helpify para a Ucrânia, uma missão especial da plataforma para ajudar os refugiados. "Um dos meus amigos criadores da aplicação contactou-me a perguntar se podia ajudar os ucranianos. A ideia foi brilhante, uma vez que há muitas pessoas a pedir ajuda", contou.


a
"Enquanto o Governo é tão lento, vemos as pessoas no Luxemburgo a juntar-se para ajudar os refugiados"
Mais de quatro mil ucranianos já chegaram ao Luxemburgo. A maior parte está em casas de famílias de acolhimento, através de iniciativas civis e de organizações como a LUkraine, que criticam a falta de comunicação com o Governo e a demora dos apoios.

Desde então, Olena recebeu imensos contactos de pessoas que pediam ajuda. "Pensamos que seria incrível usar esta plataforma para realmente ajudar os ucranianos. Foi assim que a adaptamos para as necessidades dos refugiados, como compras, comida, roupas. Traduzimos o site para ucraniano e tornámo-lo global. Estamos a dar a oportunidade às pessoas para poderem ajudar a partir de qualquer país no mundo", notou a co-fundadora.

Os voluntários podem ajudar de várias formas. "Podem simplesmente dar algumas informações sobre os seus países e as condições para os refugiados. Ou informar como estão as filas de pessoas nas fronteiras. Pode ser qualquer coisa. Pode ser algo tão fácil como a tradução de um texto ou ajudar a preencher formulários, ir buscá-los ao aeroporto…", apontou a ucraniana, lembrando que alguns refugiados têm a “sorte” de ter familiares e amigos noutros países, "mas a maior parte não tem, então qualquer pequena ajuda pode fazer a diferença".

Pelo menos 10 voluntários no Luxemburgo

Até ao momento, mais de 500 pessoas voluntariaram-se para ajudar através da Helpify. "Mas há mais a aparecer", garante Olena. "Há milhares de pessoas que precisam de ajuda, por isso quantos mais voluntários tivermos, melhor. Estamos a trabalhar com diferentes organizações com a mesma missão". Entre esses voluntários, "pelo menos 10 são do Luxemburgo", revelou, assumindo que estão à procura de mais pessoas no país, porque "elas são tão disponíveis para ajudar, mas não sabem como o fazer".

A ucraniana lembra ainda que existem algumas restrições no apoio direto aos refugiados, especialmente no transporte e alojamento sem verificação das autoridades, pelo que a plataforma cria a possibilidade de "o cidadão comum poder fazer a sua parte". A equipa da Helpify para a ajuda à Ucrânia começou há apenas umas semanas, pelo que o objetivo é agora é "divulgar a plataforma para aumentar o alcance da ajuda", reconheceu Olena. "Estamos abertos a todo o tipo de colaborações".


O português Márcio Gomes, Patrick, Olena e a família desta que fugiu da Ucrânia: os pais, a irmã e as sobrinhas.
Foi buscar a família à Ucrânia. Agora, pede ajuda para cuidar de sete pessoas no Luxemburgo
Um francês que vive no Luxemburgo foi buscar a família da mulher à Ucrânia. Acolheu na sua casa os pais dela, a irmã e as duas sobrinhas. Agora são oito pessoas no mesmo apartamento, com apenas dois quartos.

Neste momento, os responsáveis da Helpify estão a adaptar a plataforma às necessidades dos refugiados. "As pessoas estão stressadas, a fugir das suas casas. Há tanta informação online e o que fazem é colocar informações no Facebook ou no Telegram, mas eles [refugiados] não têm forma de procurar isto na Internet. Ou nem sequer têm acesso à Internet", notou a co-fundadora. 

"Através da aplicação, só demora dois minutos para eles dizerem que precisam de ajuda e onde precisam de ajuda. Um dos elementos da nossa equipa cria uma missão e depois os voluntários assumem essa missão e contactam diretamente a pessoa que precisa de ajuda. Eles podem decidir de que forma querem e podem ajudar, consoante a sua disponibilidade", salientou Olena, sem dúvidas quanto à importância desta plataforma: "Estamos a aliviar a dor das pessoas que estão a fugir da Ucrânia".

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.