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Guineenses desalojados podem ainda mudar de casa
Edicarlos e Alamuta Piedade deverão mudar de casa novamente.

Guineenses desalojados podem ainda mudar de casa

Foto: Gerry Huberty
Edicarlos e Alamuta Piedade deverão mudar de casa novamente.
Sociedade 3 min. 05.12.2018

Guineenses desalojados podem ainda mudar de casa

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Esta quarta-feira, a família Piedade deverá saber se vai poder ter uma residência permanente em Troisvierges.

A família Piedade, que ficou desalojada em outubro, devido à venda forçada da casa onde morava em Larochette, poderá vir a ter finalmente uma casa. Acolhidos há uma semana em Heinerscheid (Clervaux) por uma família portuguesa, Edicarlos Piedade, a mulher, Alamuta, e os três filhos vão ter hoje mais uma reunião com o CNDS-Wunnen (organismo social que faz parte do Comité Nacional de Defesa Social).

“Vamos ter uma reunião e, se as coisas forem tratadas com urgência, vamos para lá”, diz Edicarlos Piedade. Esta é a segunda oferta que a família recebeu: o primeiro andar de uma casa, com três quartos, a poucos minutos de autocarro de Troisvierges. Já a primeira oferta a aparecer e a ser aceite foram os três quartos sobre um café-restaurante em Heinerscheid que os portugueses Ana Rocha e José Manuel dos Santos disponibilizaram temporariamente à família guineense.

A distância entre os dois locais é de 12 quilómetros e as diferenças são claras. “Em Troisvierges há comboio e mais autocarros, enquanto aqui [Heinerscheid] há autocarro de hora a hora”, afirma Edicarlos. “De Troisvierges a Mersch [onde trabalha a mulher, Alamuta], em meia hora põem-se lá, enquanto de Heinerscheid para Mersch, Ettelbruck ou Larochette é mais complicado para quem vai de transportes públicos”, defende também a imigrante portuguesa Ana Rocha.


Famille expulsée de la maison,Camping La Pinede .Berdorf. Foto.Gerry Huberty
Guineenses desalojados já têm duas casas à escolha
A família Piedade, desalojada de casa em Larochette no passado mês de outubro, já não deverá passar o rigoroso inverno ao frio. Esta quarta-feira vai mudar de casa.

Família não está inscrita em Clervaux

Outro problema é a inscrição na comuna. Como a família portuguesa já tem outra pessoa registada a viver por cima do café-restaurante, a autarquia de Clervaux ainda não autorizou a inscrição da família Piedade. “Temos lá outra pessoa inscrita e a comuna não percebe como é que vamos pôr lá uma família completa, onde está a viver outra pessoa que não tem nada a ver com a família”, afirma Ana Rocha ao Contacto.

Com ou sem inscrição em Clervaux, a imigrante natural de Aveiro, residente há 16 anos no Luxemburgo, vai manter a palavra. “Não deixo ninguém na rua e eles sabem que os quartos, a sala e a cozinha são de graça até eles arranjarem uma casa ou apartamento. Só queremos o melhor para eles”, indica Ana Rocha. “Esta família é um espetáculo. Puseram-nos à vontade, comemos aqui, dão-nos liberdade”, agradece o imigrante guineense.

Já na casa em Troisvierges, a família Piedade não deverá ter problemas com a inscrição na comuna, uma vez que é o CNDS-Wunnen que se ocupa do processo de realojamento.


O parque de campismo La Pinède, em Consdorf, foi uma das poucas instituições que acolheram a família Piedade. Porém, esta quarta-feira foi o último dia no bungalow n° 127.
Família portuguesa acolhe guineenses desalojados
A família guineense Piedade foi desalojada de casa em Larochette e hoje é o último dia na pousada de juventude de Echternach. Na falta de resposta das autoridades luxemburguesas, a ajuda temporária veio através de uma família portuguesa, mas só chega para semana.

Crianças demoram mais de duas horas até à escola

Depois de terem deixado a pousada da juventude de Larochette na passada semana, o tempo que os filhos mais novos, de cinco e dez anos, demoram até chegar à escola em Larochette é a maior preocupação agora para a família Piedade. “Na sexta-feira demorei quase duas horas e meia até lá chegar. Saímos de casa às 5h30, fizemos 40 minutos até Ettelbruck, ficámos ainda lá à espera do autocarro e chegámos a Larochette às 7h42”, conta Edicarlos.

Se hoje obtiverem uma resposta positiva do CNDS-Wunnen, a transferência de comuna pode até nem passar por Clervaux. A família poderá registar-se em Troisvierges e as crianças mudam diretamente para a escola dessa comuna.

“Como sou mãe e penso na estabilidade das crianças, mais vale mudarem de residência quando souberem onde vão ficar. Não vale a pena mudar agora para Heinerscheid e daqui a uns dias mudar outra vez para Troisvierges”, aconselha Ana Rocha.

O filho mais velho, de 16 anos, que frequenta o liceu de Junglinster, deverá também mudar de escola.


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