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Guia para educar o seu filho sobre redes sociais
Sociedade 5 min. 30.11.2022
Internet

Guia para educar o seu filho sobre redes sociais

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Guia para educar o seu filho sobre redes sociais

Foto: Pixabay
Sociedade 5 min. 30.11.2022
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Guia para educar o seu filho sobre redes sociais

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Dois especialistas deixam conselhos aos pais sobre a influência das redes sociais na vida das crianças. Uma coisa é certa, também é preciso "dar o exemplo".

"Dividir" a educação parental com a influência das redes sociais parece ser o grande desafio para os pais, numa era em que a tecnologia já se instalou em praticamente todos os aspetos da rotina pessoal e profissional. 

Facebook, Instagram ou Tik Tok exigem que os utilizadores tenham no mínimo 13 anos para criarem uma conta, mas há muitas crianças - até com o consentimento dos progenitores - que mentem na idade para terem um perfil mais cedo. Até mesmo as plataformas de streaming criam contas exclusivamente para os mais novos, com supostos conteúdos mais adequados para menores. 

E, durante a pandemia de covid-19, o uso da internet para as aulas online acelerou todo o processo de incluir a influência online na educação. 


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Por isso, a grande questão já não é como evitar que os filhos usem dispositivos online durante toda a infância ou adolescência, alienando-os da realidade do ambiente em redor, mas antes criar regras claras que protejam o seu processo de crescimento sem a influência - muitas vezes, negativa - da internet. 

O Facebook começou por ser a grande rede social, mas acabou a perder terreno para o Instagram e, entre as camadas mais jovens, para o Tik Tok, que já se tornou na aplicação mais usada do mundo, com 1,5 mil milhões de utilizadores (o Instagram tem 1,4 milhões de perfis). 

'Challenges' do Tik Tik podem ser fatais

Esta rede social tornou-se conhecida pelas danças e desafios que se tornam virais. Enquanto alguns vídeos podem parecer inofensivos, como as coreografias ou de animais de estimação, os chamados 'challenges' (desafios) podem mesmo ser fatais.  

Uma investigação da Bloomberg revelou que, pelo menos, 15 crianças menores de 12 anos tiveram mortes relacionadas com o Tik Tok e o 'Blackout challenge', em que os menores cortam o fornecimento de oxigénio para o cérebro até perder a consciência. Este desafio tornou-se mais conhecido depois do caso de um menino britânico de sete anos, ter entrado em coma ao experimentá-lo. Os pais lutaram, em vão, para que as máquinas não fossem desligadas. 

Dois especialistas internacionais Marc Berkman, diretor-executivo da Organização para a Segurança das Redes Sociais, e Emily Mulder, diretora de programa do Family Online Safety Institute, trabalham a influência das redes sociais nas crianças e têm alguns conselhos para os pais tornarem este caminho mais navegável. 

  • Idade 

"Os requisitos de idade existem por uma razão", diz Mulder à Bloomberg. Hoje em dia, já há plataformas adequadas para cada período de crescimento, não precisam de entrar precocemente pelas redes sociais. 

No entanto, caso os progenitores não se importam de introduzir redes sociais antes dos 13 anos, Marc Berkman recomenda precaução extra "como a utilização de um software de terceiros", ou seja, aplicações que monitorizam a conta dos mais novos e enviam alertas aos pais quando encontram conteúdos nocivos. 

Berkman defende que o primeiro passo é os próprios pais informarem-se sobre os reais perigos das redes sociais, tais como o assédio sexual ou o bullying. "Muitos pais não se apercebem de quantos perigos diferentes existem por aí, quão graves alguns deles são, ou quão comuns alguns deles são" e, por isso, permitem o acesso dos mais novos desde uma tenra idade. 

  • Fazer perguntas 

Apesar de defender que não há uma abordagem única para todas as famílias, Mulder, aconselha a que ante de qualquer passo, os pais interroguem as crianças sobre os seus interesses, com perguntas como: "quais são as suas intenções na utilização da aplicação?" ou "porque é que é apelativa para ti?". 

As respostas podem ajudar a ter uma noção dos verdadeiros interesses dos mais novos e travar alguns impulsos desmedidos típicos da idade. 

Conversar regularmente sobre o assunto também é aconselhável. Mesmo que acedam a que a criança tenha perfis online, manter o diálogo frequente sobre os perigos ou limites das redes sociais é fundamental para que o menor entenda o que está a fazer. "Se uma criança não compreende o que é um perigo, é muito mais difícil evitar esse perigo", afirma o diretor-executivo da Organização para a Segurança das Redes Sociais.

  • Transmitir valores fundamentais 

A educação para a cidadania tem de acontecer mesmo fora do online. No entanto, os limites das redes sociais muitas vezes são atenuados pelas circunstâncias: toda a gente pode comentar ou ter uma opinião. 

É fundamental deixar claro que coisas como discurso de ódio ou 'ciberbullying' são erradas e contra os valores da família. E fomentar noções como aceitar as diferenças, fundamentar pensamentos e não ofender ninguém. 

  • Regras e castigos

Para Berkman, a próxima coisa a fazer é implementar regras muito claras na  família para as redes sociais, que devem ser seguidas por grandes e pequenos. eNão levar o telefone para a mesa de refeição, não estar online antes de dormir, reservar tempo de qualidade para a família, etc... E dar o exemplo ao seguir as mesmas regras. Afinal, se os pais impõem regras e não as cumprem, estão a mostrar aos filhos que estas não servem para nada.

E, caso essas regras sejam violadas, Berkman recomenda uma consequência proporcional ao mau comportamento, como a perda temporária do acesso às redes sociais ou ao dispositivo. No fundo, "queres que eles saibam como é uma interação saudável online, da mesma forma que queres que elas saibam como é na vida real", diz Mulder. 

  • Vida offline sem exclusão 

Para os pais que não quiserem mesmo que os filhos menores tenham redes sociais, Berkman aconselha um trabalho parental de forma a que as crianças não se sintam excluídas do seu ambiente. É aconselhável, por exemplo, procurar uma comunidade ou grupo onde a maioria dos pais também tenha optado por manter os filhos fora das redes sociais até estarem prontos. 

Também é importante criar rituais em família que as crianças valorizem desde cedo. Não só para fortalecer os laços entre pais e filhos, mas para fomentar a ideia de que o mundo real é mais importante do que o 'convívio' online. 

(Com Bloomberg*)

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