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Greta Thunberg no Parlamento Europeu pede mais ambição para a Lei Clima europeia
Sociedade 4 min. 04.03.2020

Greta Thunberg no Parlamento Europeu pede mais ambição para a Lei Clima europeia

Greta Thunberg no Parlamento Europeu pede mais ambição para a Lei Clima europeia

AFP
Sociedade 4 min. 04.03.2020

Greta Thunberg no Parlamento Europeu pede mais ambição para a Lei Clima europeia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Corredores vazios deram lugar a uma sala cheia para ouvir a ativista sueca desancar as propostas modestas da Comissão Europeia. Maioria dos deputados também quer ação mais urgente e metas mais duras.

Greta Thunberg não disse “como se atrevem” aos deputados da comissão do Ambiente do Parlamento Europeu (PE), mas também não esteve ali a dirigir muitos sorrisos à sala onde se reuniram deputados e dezenas de jornalistas. 

Falando em nome dos jovens líderes das greves do clima, a ativista sueca estava ali para criticar a “falta de ambição” da proposta de Lei Climática que acabava de oficialmente conhecer no encontro que teve, horas antes, na sede da Comissão Europeia, com Ursula von der Leyen e o principal mentor da proposta de lei, o vice-presidente Frans Timmermans.

AFP

“O que a comissão propõe é uma desistência, quando está a atirar metas para 2050. São precisas metas claras para 2020”, disse, perante uma plateia que a aplaudiu, mas que não estava 100% rendida à sua presença. Um jovem assistente do deputado alemão Andreas Gluck (do grupo onde está o partido de Emmanuel Macron, Renew Europe) dizia em privado, “não se percebe como é que uma miúda de 17 anos pode vir, quando todas as visitas ao Parlamento Europeu foram canceladas”. 

E, disse, “é óbvio que ela não está a gostar do aproveitamento que a Comissão Europeia está a fazer dela”. Dentro da própria comissão parlamentar de Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar (ENVI, na sigla inglesa) nem todos aplaudiram a jovem sueca. 

E ontem, o deputado português do CDS Nuno Melo, e ele próprio membro suplente do ENVI, escreveu uma carta ao presidente do Parlamento a questionar a exceção de que a ativista beneficiava, quando o PE tem desde ontem restrições severas à entrada de estranhos aos edifícios.

Mas o presidente do ENVI, o francês Pascal Canfin, estava contente quando apresentou a jovem de 17 anos à sala: “Gostando ou não gostando de Greta, a ciência continua a ser a ciência. Greta Thunberg soou o alarme, encontrou centenas de políticos que disseram que era formidável e não fizeram nada”. Mas, garantiu o francês, “não é esse o estado de espírito desta casa, que é a casa da democracia europeia”. E, num tom mais pessoal: “Não te deixes enganar Greta, estás perante uma comissão e um parlamento que estão na linha da frente, e quetêm compromisso sérios, não estás na Casa Branca”, assegurou.

Nesta segunda vez que Thunberg se dirigiu ao Parlamento Europeu (esteve também em 2019) pediu aos deputados que após terem dito que “estamos perante uma ameaça existencial, provem que estão a fazer o que é preciso”. 

O Parlamento Europeu declarou emergência climática em novembro do ano passado e assinou um pedido de que as metas de descarbonização propostas fossem de pelo menos 55% das emissões em 2030.

A eurodeputada sueca Jytte Guteland, relatora da ENVI, garantiu a Greta Thunberg que perante a proposta de Lei do Clima desencorajadora da Comissão Europeia, os deputados vão “trabalhar muito duro”. “Posso garantir que vamos aumentar a pressão e a ambição. Não vou dizer que vai ser fácil, há muitas forças de oposição nesta casa, mas não vamos parar”, sublinhou. Referindo que está há cinco anos na comissão de ambiente, “é evidente a diferença de atenção à questão do clima entre o antes e o depois das greves dos jovens”.

Chegar a zero em 2050 passa a estar na lei

A proposta de lei hoje apresentada pela Comissão Europeia obriga os Estados-membros a cumprirem a meta de atingirem a neutralidade carbónica em 2050 e inclui as medidas e os instrumentos para acompanhar o progresso. Mas é a ausência de metas intermédias que está a ser criticada não só externamente, como pelo PE. 

Pascal Canfin
Pascal Canfin

Ao Contacto, o presidente da ENVI, Pascal Canfin, adiantou que perante esta proposta os deputados vão agora “ reforçar a lei, torná-la mais ambiciosa”. “É importante que a lei exista, não vou jogar fora o bebé com a água do banho, mas é importante que proponha um objetivo mais alto para 2030 . Há uma maioria do Parlamento Europeu que apoia uma redução de pelo menos 55% de emissões de gases com efeito de estufa em 2030 e queremos isso escrito na lei. Queremos também que todas as leis europeias futuras, sobre o que quer que seja, estejam alinhas obrigatoriamente com o objetivo de neutralidade carbónica. É nestes dois elementos concretos que vamos trabalhar”, adiantou.

Quanto à presença de Greta Thunberg no edifício do Parlamento Europeu em Bruxelas que vive uma quase quarentena, Canfin garantiu que “foram respeitadas as regras. Todas as pessoas nesta sala estavam já acreditadas, embora houvesse muitos pedidos posteriores”. E acrescentou que “no dia em que a Lei Clima europeia é apresentada, a presença de Greta Thunberg é totalmente justificável. Isto não é uma exceção ao regulamento”.   

No dia em que apresentou a Lei Clima, a Comissão Europeia lançou também uma consulta pública, que estará aberta nas próximas 12 semanas, sobre o futuro Pacto Climático Europeu, que servirá para desenhar novas ações, partilhar conhecimento, lançar atividades e avançar soluções. O Pacto do Clima será lançado antes da Conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP26, a ter lugar em Glasgow, em novembro.


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