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Greenpeace pede fim dos veículos a diesel a ministros reunidos no Luxemburgo
Sociedade 4 6 min. 06.06.2019

Greenpeace pede fim dos veículos a diesel a ministros reunidos no Luxemburgo

Greenpeace pede fim dos veículos a diesel a ministros reunidos no Luxemburgo

Foto: Sara Poze/Greenpeace
Sociedade 4 6 min. 06.06.2019

Greenpeace pede fim dos veículos a diesel a ministros reunidos no Luxemburgo

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
"A maior parte dos governos negligenciou a urgência da crise ambiental", considera a organização ambiental.

(Notícia atualizada às 17:49 com declarações do ministro da Mobilidade e dos Obras Públicas do Luxemburgo, François Bausch.)

Cerca de 30 ativistas da organização ambiental Greenpeace pediram esta quinta-feira aos ministro dos Transportes da UE, reunidos no Luxemburgo, para colocarem a emissão de gases poluentes provenientes do tráfego rodoviário no topo das prioridades políticas, incluindo o fim da venda de veículos a gasóleo até 2028.

Os membros da Greenpeace das filiais do Luxemburgo, Polónia, Bélgica e Alemanha reuniram-se esta manhã para um protesto pacífico à porta do Centro Europeu de Conferências (ECCL, em inglês) no Grão-Ducado. O local escolhido não foi por acaso. Durante os dias 6 e 7 de junho, os ministros dos Transportes e Telecomunicações da União Europeia (UE) estão reunidos em Conselho, onde também está presente o congénere do Luxemburgo, François Bausch. Bausch apresentou hoje aos congéneres europeus as ideias do Grão-Ducado para a luta contra as alterações climáticas, incluindo a introdução de uma "tarifa verde" para o setor da aviação ao nível europeu. 

A Greenpeace aproveitou a ocasião para reforçar aos líderes europeus a urgência de encarar a "crise climática" atual "de forma séria", referiu Ansgar Kiene ao Contacto, conselheiro da Greenpeace para as políticas do clima e energia. E continuar o "forte apelo à eliminação progressiva dos veículos a diesel até 2028", um tema que a Greenpeace lamenta não estar a ser suficientemente debatido pelos Estados europeus, em eventos como o desta quinta-feira. "A maior parte dos governos negligenciou a urgência da crise ambiental", considera, ao mesmo tempo, a organização em comunicado enviado hoje às redações. 

Políticas "concretas" para o fim dos veículos a diesel até 2028

De acordo com os números da organização, 27% das emissões de gases poluentes na Europa é oriunda do setor dos transportes, dos quais uns preocupantes 45% provêm apenas dos veículos rodoviários. Como tal, os ambientalistas colocaram um carro acidentado à porta do ECCL e envergaram cartazes onde se podia ler "Don’t crash the climate!" ("Não estraguem o clima", em inglês). A ação tinha como objetivo pressionar os decisores políticos a proibir a venda de veículos a diesel até 2028, uma das grandes bandeiras de Greenpeace atualmente.

De acordo com um estudo do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla alemã), esta é uma das formas de conseguir chegar à meta definida pelos Acordos de Paris - limitar o aquecimento climático a 1,5 graus. Mas, neste caso, o Centro Aeroespacial vai mais longe, defendendo o fim das vendas dos veículos a gasolina, gasóleo e híbridos convencionais nos próximos onze anos.

Além do Conselho europeu desta quinta-feira, "queremos que os chefes de Estado coloquem isto no topo das prioridades da agenda na reunião de 20 e 21 de junho". Durante este dois dias os dirigentes da UE vão reunir-se em Bruxelas para o Conselho Europeu, com o obejtivo de adotar a agenda estratégica do bloco para o período 2019-2024. Um dos tópicos do encontro, que antecede a Cimeira da ONU da Ação sobre o Clima - a 23 de setembro deste ano - serão as alterações climáticas. Mas, Ansgar lamenta que a poluição rodoviária em concreto não seja um dos temas da agenda.

"Este encontro [20 e 21 de junho] é o último para se chegar a propostas concretas (…) E este tópico não está sequer nas prioridades da discussão", lamenta Ansgar Kiene. Ao mesmo tempo, no documento divulgado hoje, a Greenpeace pede também aos líderes europeus metas ambiciosas como a redução dos gases com efeito de estufa de ao menos 65% até 2030, e a meta das zero emissões em 2040.

Em declarações ao Contacto, o ministro da Mobilidade e dos Obras Públicas do Luxemburgo, François Bausch, admite que a descarbonização da indústria automóvel deve ser uma "prioridade" na política europeia e local mas refere, no entanto, que é difícil de prever que se atinja a meta proposta pela Greenpeace. "Por um lado precisamos sim de colocar pressão sobre a regulação dos veiculos", algo que tem vindo a acontecer ao nível europeu, explica ao Contacto. "Por outro lado, é importante melhorar as infraestruturas para os veículos elétricos", considera Bausch. 


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Alguns países mais empenhados que outros no combate ao diesel

Após o escândalo Volkswagen em 2015, em que a empresa alemã manipulou os valores das emissões poluentes nos carros a diesel, alguns Estados europeus tem debatido soluções para diminuir a emissão de gases com efeito de estufa oriundos da grande abundância de tráfego rodoviário nas cidades europeias. Necessidade que ganhou ainda mais força com o soar dos alarmes da Organização das Nações Unidas (ONU). 

No final de 2018, o organismo alertou que os gases que provocam efeito de estufa e o aquecimento global atingiram novos recordes de concentração em 2017, e apelou à necessidade de medidas urgentes. 

Alguns países europeus deram ouvidos ao alerta. Recentemente, o ministro francês dos Transportes defendeu uma classificação mais apertada dos veículos a diesel em relação à emissão de gases poluentes. Também na capital belga, Bruxelas, os veículos a diesel registados antes de 2000 e veículos a gasolina de antes de 1997 perderam o direito a circular no centro da cidade a partir de abril deste ano. Há, inclusive, multas pesadas para os infratores. Para além de França e Bélgica, nas cidades alemãs de Estugarda e Hamburgo, certas categorias de veículos a gasóleo estão proibidos de circular em algumas zonas. 

No sentido contrário, o Luxemburgo é um dos 'mal comportados' no que toca ao ambiente. O país tem mais carros por cada mil habitantes do que a média da Grande Região, segundo as contas do gabinete de estatísticas luxemburguês (Statec) de janeiro de 2019. Também um relatório recente da Global Footprint Network revelou que a pegada ecológica do Luxemburgo é a segunda pior do mundo, a seguir ao Qatar. Ambos estão aliás nos primeiros lugares em dois tops: são os dois países mais ricos do mundo e os mais devedores, em termos de gasto de recursos e de pegada ecológica.

Em janeiro deste ano, o governo do Grão-Ducado anunciou o novo regime de apoio financeiro que vai dar incentivos financeiros a quem comprar um carro elétrico ou uma bicicleta. As ajudas podem chegar aos cinco mil euros. Um dos objetivos do novo plano é o de reduzir as emissões de gases poluentes nos centros urbanos.