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Gerência do lago de Remerschen diz que morte de Puto G foi acidente

Gerência do lago de Remerschen diz que morte de Puto G foi acidente

Foto: Pierre Matgé
Sociedade 15 3 min. 11.07.2018

Gerência do lago de Remerschen diz que morte de Puto G foi acidente

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
A época balnear arrancou a 1 de maio e prolonga-se até 30 de setembro. No lago de Remerschen, onde morreu o rapper Puto G, a maioria dos banhistas que paga entrada continua entregue à sua conta e risco.

A autarquia de Schengen, que gere o lago de Remerschen, não assume qualquer responsabilidade na morte de José Carlos Cardoso. Conhecido como Puto G, o rapper de origem cabo-verdiana, de 27 anos, morreu afogado na tarde do dia 30 de junho, depois de ter deixado os amigos no areal, numa zona sem vigilância. Vários fãs e amigos inundaram as redes sociais com homenagens, mas também com referências a uma alegada falta de segurança do lago.

“Como comuna de Schengen, para nós é um momento triste. Mas foi um acidente, apesar de trágico”, começou por dizer ao Contacto o vereador Tom Weber, responsável pelo lago artificial de Remerschen, existente há cerca de 30 anos entre Schengen e Remich.

“No grande lago o risco é dos banhistas, mas se há um problema no pequeno lago para as crianças ou na área dos insufláveis, onde fazemos a vigilância, a situação é diferente. Fizemos uma visita ao lago Bostalsee na Alemanha, e a outros, e temos o mesmo ’standart’ de segurança, que é muito bom”, defende o edil de Schengen. A Procuradoria de Estado (Parquet) também defende a tese de acidente, razão pela qual não pediu autóspia. “Depois do que a polícia constatou no local, a Procuradoria concluiu que não houve indícios contrários a tese de acidente. Foi por isso que a Procuradoria não pediu uma autópsia. (...) A tese de acidente continua a vigorar”, disse ao Contacto a porta-voz do Parquet, Diane Klein.

Há 10 vigilantes para três mil visitantes

O centro de lazer de Remerschen tem capacidade para receber três mil visitantes (a entrada é gratuita para os residentes da comuna), mas tem apenas 10 funcionários que se ocupam da segurança. Três vigilantes estão em permanência no lago das crianças, que este ano conta com uma cadeira de vigilância, igual à dos nadadores salvadores nas praias. Entre os outros sete, há dois que estão a vigiar as pessoas que estão nos insufláveis na água (com uso obrigatório de coletes), enquanto os restantes estão na caixa ou a limpar a água.

Já o grande lago, que tem o principal areal a 20 metros dos insufláveis, continua sem vigilância, porque a comuna de Schengen não tem mais meios. “Já investimos muito e estamos num bom nível para a vigilância do pequeno lago e dos insufláveis. Em dias com mais pessoas podemos reforçar a equipa, mas com 25 hectares de toda superfície de água, é impossível vigiar todo o perímetro. Por isso, os visitantes recebem uma bracelete à entrada com a mensagem de que são responsáveis em caso de acidentes”, diz Weber.

A mensagem está também afixada no exterior do recinto, junto à entrada, no artigo 33, capítulo 3, do regulamento comunal de 2 de outubro de 2013.

Questionado sobre a limpeza das algas, de que muitos visitantes se queixam, o vereador responde que o barco equipado com a máquina “corta as algas todos dias”. Outra das críticas após a morte de Puto G, foi a abertura do lago no dia seguinte, domingo. “Falámos com psicólogos e estivemos a ver se abríamos ou não as portas no dia seguinte, mas decididos abrir porque fazia bom tempo e as pessoas vêm para se divertir. Foi dramático também para nossos os funcionários”, diz o autarca.

“Não podemos fazer nada”

Esta é a segunda morte no lago de Remerschen nos últimos três anos. Um adolescente de 16 anos perdeu ali a vida em 2015. Segundo as autoridades, não sabia nadar e o local onde se afogou era interdito a banho e não tinha vigilância. Em 2016 uma outra criança foi salva pela equipa de socorros de Schengen (que está a cinco minutos do lago) e no próprio dia da morte de Puto G, pela manhã, uma ambulância teve de socorrer outras duas pessoas no lago.

Confrontado pelo Contacto sobre o reforço da vigilância do lago de Remerschen, o principal conselheiro em questões de segurança do país (do Ministério do Interior), Laurent Deville, é claro na resposta: “Não podemos fazer nada. Isto é da competência da comuna. No lago de Haute-Sûre também não há vigilância. Quanto ao preço de entrada, não é para a segurança. Isto é um caso de responsabilidade civil”.


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