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Gémeos siameses unidos pelo crânio separados com sucesso no Brasil
Sociedade 3 2 min. 02.08.2022
Cirurgia inovadora

Gémeos siameses unidos pelo crânio separados com sucesso no Brasil

Os gémeos quando ainda estavam unidos pelos crânios ao colo dos seus pais.
Cirurgia inovadora

Gémeos siameses unidos pelo crânio separados com sucesso no Brasil

Os gémeos quando ainda estavam unidos pelos crânios ao colo dos seus pais.
Foto: AFP
Sociedade 3 2 min. 02.08.2022
Cirurgia inovadora

Gémeos siameses unidos pelo crânio separados com sucesso no Brasil

AFP
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Bernardo e Artur Lima, de três anos e meio, já podem estar frente a frente, graças à cirurgia mais complexa de sempre.

Artur e Bernardo Lima, de três anos e meio, nasceram gémeos siameses unidos pelos crânios, no Rio de Janeiro, Brasil. A maior parte das suas vidas foi passada num Hospital do Rio de Janeiro, numa cama especial. Unidos, mas sem poderem olhar um para o outro. Agora, finalmente podem olhar-se nos olhos, graças a uma complicada e longa maratona de cirurgias de separação dos dois meninos, que decorreram com sucesso.

Esta foi a "cirurgia mais complexa" de separação de siameses já realizada no mundo, anunciou a equipa médica do Hospital do Rio de Janeiro, explicando que os gémeos foram submetidos a múltiplas operações até à separação final. 

Um caminho para o sucesso possível graças ao recurso de um sistema de realidade virtual. A mãe, Adriely Lima, chorou de alívio após a separação: "Vivíamos no hospital há quatro anos", declarou feliz.

 "Foi sem dúvida a operação mais complexa da minha carreira", admitiu à AFP o neurocirurgião Gabriel Mufarrej, do Instituto Cerebral Paulo Niemeyer (IECPN), pertencente ao hospital onde decorreram as cirurgias. 

A separação dos dois irmãos foi possível graças à colaboração da associação Gemini Untwined, com sede em Londres, de angariação de fundos para a investigação das cirurgias de separação de gémeos siameses unidos pelos crânios.

Também os neurocirurgiões desta associação descreveram todo o processo cirúrgico como o "mais complexo" de sempre, uma vez que os irmãos partilhavam vários vasos sanguíneos vitais.

"No início, ninguém pensava que sobreviveriam. Agora, já é histórico que ambos foram salvos", vincou o neurocirurgião, acrescentando que Artur e Bernardo ainda têm "uma longa convalescença" pelo caminho, durante a qual continuarão internados. "Ainda não sabemos até que ponto eles serão capazes de viver uma vida normal", explicou Gabriel Mufarrei.

Uma nova esperança

No total, os gémeos foram submetidos a nove cirurgias, incluindo uma operação de 13 horas que foi realizada a 7 de junho, e uma outra cirurgia ainda mais longa de 23 horas no dia seguinte.

Na preparação para as intervenções, a equipa médica que contou com mais de uma centena de especialistas utilizou um sistema de realidade virtual de última geração que lhes permitiu analisar e reconstruir a anatomia dos dois irmãos durante a cirurgia.


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Esta separação cirúrgica foi algo digno "da era espacial", descreveu o neurocirurgião britânico Noor Ul Owase Jeelani, do instituto Gemini Untwined.

 "É maravilhoso poder observar a anatomia antecipadamente e realizar a operação sem pôr em risco a vida das crianças", acrescentou. "Nem imagina como esta possibilidade é reconfortante para os cirurgiões", admitiu à agência PA.

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