Escolha as suas informações

Fundador da marca Patagonia doa 100% da empresa para combater crise climática
Sociedade 2 min. 19.09.2022
Alterações climáticas

Fundador da marca Patagonia doa 100% da empresa para combater crise climática

Yvon Chouinard, fundador da marca Patagonia
Alterações climáticas

Fundador da marca Patagonia doa 100% da empresa para combater crise climática

Yvon Chouinard, fundador da marca Patagonia
Patagonia/ZUMA Press Wire/dpa
Sociedade 2 min. 19.09.2022
Alterações climáticas

Fundador da marca Patagonia doa 100% da empresa para combater crise climática

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
"A Terra é agora a nossa única acionista", diz o fundador da marca, Yvon Chouinard.

Meio século depois de fundar a marca Patagonia, Yvon Chouinard, o alpinista canadiano resolveu doar a companhia, contou o bilionário ao jornal New York Times (NYT). A fortuna é avaliada em três mil milhões de euros e a decisão é irrevogável. 

Aos 83 anos, a decisão de abrir mão da fortuna da família combina com a postura adotada por Chouinard. "Espero que a minha decisão leve à criação de uma nova forma de capitalismo, que não termine com um pequeno grupo de bilionários e milhões de pessoas na pobreza”, disse na entrevista ao NYT. "Vamos doar a quantidade máxima de dinheiro para as pessoas que estão trabalhando ativamente para salvar o planeta." 

Chouinard teve o aval da mulher e dois filhos para transferir 100% das ações na empresa para um fundo fiduciário (Patagonia Purpose Trust) que fica encarregue de assegurar o respeito pelos valores a empresa, e para uma associação que luta contra a crise ambiental e a proteção da natureza (Holdfast Collective). "A Terra é agora a nossa única acionista", ironizou.

Uma empresa pode "obter lucro sem perder a sua alma"

Há décadas que Chouinard se dedica a fazer da Patagonia uma empresa voltada para as questões sociais e ambientais. Em 1985, a companhia prometeu o equivalente a 1% das suas vendas a grupos ambientais e foi um dos primeiros distribuidores de vestuário a converter-se inteiramente ao algodão orgânico, em 1996. 

A marca tornou-se também a primeira a adotar o estatuto de sociedade de utilidade pública da Califórnia, em 2012. Em 2018 mudou oficialmente o objetivo para a missão de "salvar o planeta". 

Em 2006, o bilionário fez uma confissão, em livro: "Sou um homem de negócios há quase 60 anos. É tão difícil para mim dizer estas palavras como é para os outros admitir que são alcoólicos ou advogados". 

No entanto, "uma empresa pode produzir alimentos, curar doenças, controlar a demografia, empregar pessoas e enriquecer as nossas vidas", continuou. Pode, sobretudo, "obter lucro sem perder a sua alma", garantiu.  

"Eu não sabia o que fazer com a companhia porque eu nunca quis ter um negócio", disse ao NYT. "Agora posso morrer feliz, porque sei que a empresa vai continuar a fazer a coisa certa nos próximos 50 anos, sem que eu precise de estar por perto", concluiu.   

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.