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França. Estagiários nos hospitais à beira do colapso
Sociedade 18.04.2021

França. Estagiários nos hospitais à beira do colapso

França. Estagiários nos hospitais à beira do colapso

Foto: AFP
Sociedade 18.04.2021

França. Estagiários nos hospitais à beira do colapso

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Depois de um ano trabalhar a trabalhar na linha de frente da covid-19, os internos de hospitais na França estão no limite das forças e há mesmo caso de suicídios, alerta sindicato.

França tem mais de 300 mil estagiários de estudantes de medicina, com idade média de 25 anos. "Estes internos são invisíveis mas são soldados da linha de frente", disse a psicóloga clínica do hospital Anne Rocher à AFP.

Em teoria, trabalham 48 horas por semana, "mas ninguém se importa" com isso, disse Marie Saleten, uma das estagiárias e vice-presidente do sindicato dos estagiários de hospitais de Paris.

De acordo com um estudo realizado ao longo de um período de três meses em 2019 pelo sindicato nacional de estagiários, o ISNI, semanas de 58 horas eram, na verdade, a norma. Mas com a chegada da pandemia do coronavírus esse número aumentou para cerca de 80 horas por semana, de acordo com Saleten.

"Eles estão de plantão 24 horas e, durante a pandemia, não consegues fechar os olhos, nem mesmo para dormir uma sesta", disse o chefe do ISNI, Gaetan Casanova. "É demais e todos estão a pagar o preço, tanto os cuidadores como os pacientes. Todos estão em perigo", alertou Casanova.

O ministro da Saúde, Olivier Veran, reuniu-se com representantes do ISNI e de outros grupos na quinta-feira. “Juntos, estamos empenhados em melhorar as condições de trabalho, começando pelo horário de trabalho”, disse o ministro após a reunião, mas o ISNI disse que as respostas foram muito vagas.

Desde o início de 2021, cinco estagiários cometeram suicídio. Isso foi equivalente a "um suicídio a cada 18 dias", disse Casanova.

O ISNI organizou uma "homenagem silenciosa" aos mortos, com a participação de cerca de 40 pessoas. Um cartaz com as frases: "Os Hospitais estão a matar internos. Ajude-nos a viver" foi exibido na entrada do Ministério da Saúde.


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