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França. Descriminação de sotaques passa a ser considerado racismo
Sociedade 2 min. 27.11.2020

França. Descriminação de sotaques passa a ser considerado racismo

Ministro francês da Justiça, Eric Dupond-Moretti

França. Descriminação de sotaques passa a ser considerado racismo

Ministro francês da Justiça, Eric Dupond-Moretti
foto: AFP
Sociedade 2 min. 27.11.2020

França. Descriminação de sotaques passa a ser considerado racismo

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
A pena máxima proposta na nova legislação é de três anos de prisão e uma multa de 45.000 euros.

A partir desta quinta-feira, a França reconhece como racismo os actos de discriminação com base no sotaque.  

Apoiado pelo ministro francês da Justiça, Eric Dupond-Moretti, o projeto de leia "que visa promover a França dos sotaques e combater a discriminação com base no sotaque", passou com 98 votos a favor e três contra. 

 O texto introduz o sotaque como critério de discriminação no código do trabalho e no código penal. Proíbe também qualquer discriminação baseada no sotaque na função pública.

"É uma questão de lutar contra a discriminação essencialmente na altura da contratação e não, como li aqui e ali, para proibir o humor", disse quinta-feira o autor do projeto de lei, Christophe Euzet, deputado de centro-direita. 

"Numa altura em que as minorias 'visíveis' beneficiam da atenção legítima das autoridades públicas, as minorias 'audíveis' são as principais pessoas esquecidas do contrato social baseado na igualdade", argumentou Euzet.


Economia francesa revê em alta o crescimento para 18,7%
São as previsões para o terceiro trimestre de 2020, sengundo as estimativas dos instituto de estatísticas francês. Mesmo assim, comparado com o mesmo trimestre de 2019, há uma quebra de 3,9%.

A discussão deu a oportunidade a vários deputados de partilha das suas experiências pessoais e a discriminação que possam ter sofrido na sua juventude. "Sou filha de retornados da Argélia e posso dizer-vos que fui muito gozada na escola", disse Patricia Mirallès, do La République en Marche!.

 A sua colega Michèle Peyron partilhou a mesma experiência quando, em 1971, "subiu" da "sua pequena aldeia no Camargue para Champigny-sur-Marne na região de Paris". "Em alguns meios de comunicação, se tiveres um sotaque que não seja o sotaque padrão de um parisiense próximo, nunca serás um apresentador", acrescentou Libertés et Territoires MP Paul Molac. 

A deputada da Polinésia Francesa, Maina Sage, recordou ter realizado um estudo em 2019 para apoiar os produtores audiovisuais dos territórios ultramarinos: "[Disseram-nos que] quando ofereciam filmes aos canais nacionais eram abertamente solicitados a suavizar as imagens, retirar sotaques, colocar legendas quando tudo era compreensível em francês".

Alguns membros opuseram-se ao texto, como Emmanuelle Ménard, jornalista e deputada independente: "Gosto muito dos sotaques e apoio a sua promoção". Contudo, questionou "a oportunidade" de examinar tal texto "no meio de uma crise de saúde", durante "uma grande crise económica" e numa altura em que a França "enfrenta toda uma série de ataques terroristas". 

Tomada de posição contrastante com a do ministro da Justiça, Eric Dupond-Moretti, que disse estar "muito convencido" sobre a necessidade da nova lei. 

 No mês passado, Jean-Luc Melenchon, dirigente do movimento da extrema-esquerda France Insoumise, foi apanhado pelas câmaras a ser indelicado com um jornalista com sotaque sulista que lhe fez uma pergunta na Assembleia Nacional. "Alguém pode fazer-me uma pergunta em francês? E (torná-la) um pouco mais compreensível...", disse então Melenchon, dirigindo-se a um grupo de repórteres, o vídeo foi amplamente difundido nas redes sociais.

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