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França. Alunos regressam às aulas num arranque complexo
Sociedade 3 min. 26.04.2021

França. Alunos regressam às aulas num arranque complexo

França. Alunos regressam às aulas num arranque complexo

Sociedade 3 min. 26.04.2021

França. Alunos regressam às aulas num arranque complexo

AFP
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Regras sanitárias rigorosas poderão levar a turmas inteiras enviadas para casa.

Após três semanas de encerramento, e aproveitando as férias da Páscoa para lutar contra a epidemia da covid-19, as escolas primárias regressam esta segunda-feira às aulas, enquanto que secundário e superior retomam esta segunda apenas em ensino à distância até 3 de maio.

O objetivo das autoridades e fazer com que as dez semanas que faltam até ao final do ano letivo não contribuam para piorar a situação da pandemia no país. Nos últimos dez dias, o número de doentes nos cuidados intensivos tem estado próximo dos 6.000, um número superior aos da segunda vaga, quando a pandemia se encontrava em queda. 

"É essencial levar as crianças de volta à escola", afirmou o Ministro da Educação Nacional, Jean-Michel Blanquer, dizendo que a instituição "não é responsável em si mesma pela epidemia" e que as escolas são lugares "onde os gestos de barreira são mais respeitados" do que em qualquer outro lugar. 

O protocolo rigoroso delineado pela tutela prevê o fim das aulas presenciais de uma turma após um caso de covid confirmado entre os alunos. "É um protocolo realmente rigoroso que levará necessariamente a um número não negligenciável de encerramentos de aulas", reconheceu Blanquer no domingo. Mas reiterou que é preferível "uma pequena minoria de turmas encerradas do que todas as escolas fechadas". 

Com o protocolo já em funcionamento antes das férias, 11.272 turmas tiveram de para com as aulas prenciais entre 29 de março e 2 de abril, três vezes mais do que na semana anterior.

Desafios: auto-testes e vacinação

Um dos grandes desafios da retoma das aulas em França é o de aumentar os testes de forma massiva na comunidade escolar. Nos infantários, creches e escolas primárias, serão realizados 400.000 testes de saliva desde 26 de abril com o objetivo de chegar aos 600.000 por semana até meados de maio. 

E, tal como já acontece no Luxemburgo, a principal novidade é a chegada dos auto-testes: o Governo encomendou 64 milhões para alunos com mais de 15 anos de idade, professores e pessoa auxiliar das escolas.  


Escolas vão precisar de 1,6 milhões de autotestes até às férias de verão
Caso se mantenha a cadência de um autoteste à covid-19 por semana para cada aluno e professor, vão ser precisos 1,6 milhões de autotestes até ao fim do ano letivo.

Os adultos poderão fazer o teste duas vezes por semana em casa, e o resultado é conhecido em 15 minutos. A partir de 10 de maio, também os alunos do ensino secundário serão submetidos ao teste todas as semanas na sua escola, o que já está a preocupar alguns professores, que não se sentem competentes para supervisionar a operação.

Apesar das críticas de médicos e dos receios de alguns professores, o Executivo francês tem defendido a necessidade de manter as escolas abertas para evitar uma "lacuna educacional". 

Segundo um estudo recente da Unesco, a França foi o país europeu que menos fechou as escolas entre março de 2020 e março de 2021 com dez semanas de encerramento no total, em comparação com 28 na Alemanha ou 47 nos Estados Unidos. Depois dos erros informáticos que atrasaram as plataformas de ensino à distância pouco antes das férias, o ministro da Educação assegurou que os problemas não vão repetir-se no novo arranque após as férias da Páscoa.

O reinício do ano letivo agudizou ainda mais a questão das vacinas no país: nos últimos dez dias apenas os professores com mais de 55 anos conseguiram vaga para os centros de vacinação. Numa tentativa de pôr termo à desconfiança em relação à vacina da AstraZeneca, Blanquer recebeu ele próprio a primeira dose da vacina britânica no sábado e incentivou publicamente o pessoal prioritário a vacinar-se o quanto antes.

Com o regresso do bom tempo, o Governo está também a encorajar as aulas ao ar livre. A organização de cantinas, onde as crianças almoçam sem máscara e que Blanquer reconheceu ser o "elo fraco" das escolas, a questão também promete ser complexa. 


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