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Fotógrafo português premiado no World Press Photo
Sociedade 8 3 min. 12.04.2019

Fotógrafo português premiado no World Press Photo

Fotógrafo português premiado no World Press Photo

Foto: Mário Cruz/World Press Photo
Sociedade 8 3 min. 12.04.2019

Fotógrafo português premiado no World Press Photo

Este é o segundo prémio arrecadado pelo fotojornalista luso na prestigiada competição mundial.

O fotojornalista português Mário Cruz foi premiado no concurso mundial de fotojornalismo World Press Photo. O luso ficou em terceiro lugar na categoria Ambiente, em imagem 'single', na edição de 2019, com a fotografia de uma criança num colchão rodeado de lixo, a flutuar num rio filipino. Os vencedores foram anunciados numa cerimónia em Amesterdão.

A imagem premiada de Mário Cruz mostra uma criança a recolher materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado de lixo, que flutua no rio Pasig, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990. Para o fotojornalista, esta imagem "é um apelo que merece reação rápida".

A fotografia integra um trabalho que Mário Cruz desenvolveu nas Filipinas, batizado "Living Among What’s Left Behind" ("Vivendo entre o que é deixado para trás", em português), que reúne imagens que o fotojornalista captou durante um mês nas Filipinas, onde visitou comunidades que vivem ao longo do rio Pasig, testemunhando uma situação extrema de poluição ambiental que os habitantes enfrentam há décadas. 

A imagem do fotojornalista português ficou em terceiro lugar no World Press Photo 2019, na categoria "Ambiente".
A imagem do fotojornalista português ficou em terceiro lugar no World Press Photo 2019, na categoria "Ambiente".
Foto: Mário Cruz/World Press Photo

"Nós vemos imagens de praias com lixo no areal e ficamos incomodados, mas estas pessoas em Manila [capital das Filipinas] estão rodeadas de lixo diariamente, já há muitos anos, e isto merece a nossa reação rápida", afirmou Mário Cruz em declarações à Lusa, aquando do anúncio da nomeação para o World Press Photo. A fotografia vencedora foi captada nesse sentido: "No fundo é um apelo para que não se ignore o que não pode ser ignorado", acrescentou.

Os habitantes daquelas comunidades tentaram, sem sucesso, ir viver para a capital das Filipinas e acabaram por criar construções ilegais junto ao rio, onde vivem, sem saneamento, e muitos deles da reciclagem do lixo que é atirado fora. "É um problema que se arrastou, e está a agravar-se tomando dimensões preocupantes", alertou o fotojornalista, acrescentando que viu estuários, criados para impedir as cheias, cheios de lixo. "Neste momento só se vê lixo. É dramático olhar para um canal de água e não ver a água, só plástico, e isso merece sem dúvida uma reação", reiterou Mário Cruz,  que é fotojornalista da agência Lusa, mas desenvolveu este projeto a título pessoal.

Além de uma exposição patente até 26 de maio no Palácio Anjos em Algés, em Oeiras, o trabalho desenvolvido pelo fotojornalista nas Filipinas deu também origem a um livro, apresentado recentemente em Portugal.  A capa foi produzida "através do processamento de 160 quilogramas de resíduos industriais e desperdícios de uso doméstico", sendo cada uma "criada individualmente e à mão, resultando em exemplares com capas únicas, que simbolizam a abundância de lixo deixado para trás". 

Esta é a segunda vez que Mário Cruz, de 31 anos, é premiado no World Press Photo. Em 2016, o fotojornalista português conquistou o primeiro lugar na categoria Temas Contemporâneos do World Press Photo, com um trabalho sobre a escravatura de crianças - dos meninos Talibés - no Senegal ("Talibés - Modern Days Slaves"), que deu origem a um livro, depois de publicado na revista norte-americana Newsweek, e que constituiu um alerta global. No Senegal, foram distribuídos panfletos com fotografias feitas por si, tendo sido resgatadas centenas de crianças.  

Além de Mário Cruz, outros dois fotógrafos foram premiados na categoria Ambiente em imagem 'single': o sul africano Brent Stirton (que ficou em primeiro lugar) e o norte-americano Wally Skalij (em segundo).

A competição de fotojornalismo - World Press Photo - é uma das mais prestigiadas a nível mundial e pertence à organização holandesa sem fins lucrativos com o mesmo nome. A organização promove o fotojornalismo e a imagem como forma primordial de contar histórias. Veja os restantes premiados na edição deste ano: 


Veja a lista completa de todas as fotos vencedoras na página do concurso

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