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Férias para que te quero
Sociedade 3 min. 11.06.2020

Férias para que te quero

Férias para que te quero

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 11.06.2020

Férias para que te quero

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
As agências de viagem vivem dias difíceis porque a crise mexeu com as férias de toda a gente. Enquanto a comunidade lusa privilegia Portugal, os luxemburgueses preferem destinos mais perto evitando correr riscos.

"O trabalho nos meses de janeiro, fevereiro e parte de março, no qual preparámos as férias da Páscoa, Pentecostes e Verão, foi praticamente todo por água a baixo", explica Rui Bernardo responsável da agência Ocean Tours, na capital, sublinhando que a pandemia tem provocado "perdas muito significativas".

O mundo enfrenta uma crise sanitária e económica sem precedentes e o setor do turismo é dos que mais sofreu, vivendo a maior crise das últimas décadas. A queda nas reservas e pacotes de viagem foi vertiginosa, estimando-se que 2020 seja um dos piores de sempre. "A situação está muito complicada devido ao grande número de cancelamentos e anulações que atingiram proporções enormes".

"Estamos a reservar viagens para Portugal desde que algumas companhias estão a voar para lá, mas isso não nos impede de considerar que este seja um ano perdido. As viagens de longo curso com pacotes e promoções estão praticamente todas anuladas e como existem ainda muitas incertezas quanto à reabertura das fronteiras em grande parte dos países, não podemos fazer grande coisa", lamenta Rui.

"As ajudas do Estado têm chegado atrasadas e limitam-se essencialmente ao desemprego parcial. Mas se as compararmos com as perdas verificadas pela queda do volume de negócios, nem sei o que dizer...". "As pessoas têm medo do vírus porque a situação ainda não está controlada. Muitos países continuam a enfrentar a pandemia e respetivas restrições. Grande parte deles não tem os recursos que outros mais desenvolvidos possuem, daí o sentimento de insegurança por parte dos clientes que preferem não arriscar".


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Desde que as regras sanitárias sejam cumpridas com rigor. A garantia é dada pelo diretor da Agência Europeia para a Segurança da Aviação.

As companhias aéreas, hotéis e agências de viagens são dos mais prejudicados pela crise que vai deixar marcas profundas. Maria do Céu Abreu, gerente da agência Arosa, em Esch-sur-Alzette, tem vivido a situação na pele, mas diz que acredita em dias melhores.

As férias coletivas são uma altura privilegiada do ano, sobretudo para a comunidade lusa. A Luxair tem voado para Portugal com os aviões cheios e Maria do Céu espera que assim continue. "Estamos à espera de novidades porque existe ainda muita indefinição sobre o que se vai passar. Apesar de só podermos abrir no dia 15, atendemos os clientes por telefone. As pessoas pedem informações sobre voos e destinos, mas as viagens para Portugal são muito requistadas", garante.


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Depois de Itália, Grécia e Portugal, Espanha já anunciou que abrirá as fronteiras de forma a receber turistas em julho.

A Luxair está a voar regularmente para Lisboa e Porto, a Ryanair e a Easyjet devem começar no final de junho e a TAP prevê vários voos semanais a partir do início de julho. "Nota-se que muita gente quer ir de férias a Portugal, em especial os imigrantes, apesar de alguns estarem, também, a anular viagens".

"As pessoas estão receosas e não se sentem bem com as restrições, o que é normal. Se a utilização das piscinas e outras diversões representam um perigo, é lógico que não arrisquem. Muitos tentam mudar as férias para destinos mais perto e mais seguros", esclarece. "Enquanto nós vamos para Portugal para as nossas casas ou de familiares, quem parte para países desconhecidos corre perigos desnecessários".

"A fase da pandemia tem sido muito difícil neste setor e os meses que se seguem, apesar de a atividade poder retomar o seu curso a pouco e pouco, as perdas são bastante consideráveis. No entanto, como somos uma agência mais pequena, vamos tentando fazer face os problemas como podemos. As minhas três empregadas estão no desemprego parcial, e as ajudas do Estado são curtas. Mas como sou uma pessoa otimista por natureza, espero que possamos dar a volta por cima e dentro de algum tempo voltar à normalidade", conclui.

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