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Família portuguesa acolhe guineenses desalojados
Sociedade 3 min. 21.11.2018

Família portuguesa acolhe guineenses desalojados

A office social de Larochette só contactou a Agência Imobiliária Social um mês depois de a família ser desalojada.

Família portuguesa acolhe guineenses desalojados

A office social de Larochette só contactou a Agência Imobiliária Social um mês depois de a família ser desalojada.
Foto: Gerry Huberty
Sociedade 3 min. 21.11.2018

Família portuguesa acolhe guineenses desalojados

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
A família guineense Piedade foi desalojada de casa em Larochette e hoje é o último dia na pousada de juventude de Echternach. Na falta de resposta das autoridades luxemburguesas, a ajuda temporária veio através de uma família portuguesa, mas só chega para semana.

“Soube através do jornal Contacto que esta família estava sem casa. Como temos dois cafés, um em Troisvierges e outro em Heinerscheid, falei com o meu marido e decidimos disponibilizar os quartos em cima do café/restaurante em Heinerscheid [que pertence a Clervaux]. Agora, com o inverno, não é nada cómodo ficarem ao frio. Somos também pais e íamos gostar que nos acolhessem da mesma forma”, disse ao Contacto a proprietária, Ana Figueira.

A medida é temporária, “até conseguirem encontrar um cantinho para eles e para os filhos, organizarem a sua vida em vez de estarem a saltar de sítio em sítio”, acrescenta.

Edicarlos Piedade agradeceu o gesto da família portuguesa e esta terça-feira foi conhecer o local. Ainda antes do fecho desta edição, o Contacto falou com a família Piedade e, afinal, há outra mudança à última hora. “Tem ainda muito trabalho a fazer nos quartos. O marido de Ana Figueira mostrou-me os quartos e disse que ainda não estavam para habitar. Há chão para pôr e também alguns cabos para colocar no lugar. O proprietário foi impecável e explicou tudo à assistente social”, afirmou Edicarlos Piedade.

A família guineense vai voltar, e pela terceira vez, à pousada da juventude de Larochette. “Vamos ter de ficar mais uma semana. Pode ser que, na próxima semana, os quartos estejam prontos”, acrescentou Edicarlos.

O caso de desalojamento já se arrasta há mais de um ano, desde que a casa onde a família Piedade morava, em Larochette, passou a ter um novo proprietário. Desalojada em outubro devido à venda forçada da casa e ao novo proprietário, a família, com três filhos menores, tem estado a saltar de pousada em pousada, com uma passagem também pelo parque de campismo de Consdorf.

Questionado pelo Contacto sobre este caso, o Ministério da Família apenas disse que a família recebeu até ao momento a ajuda de que precisava. “Após consultar os nossos serviços competentes, podemos confirmar que a família recebeu, a todo o momento, a ajuda e o acompanhamento de que precisava”, disse a responsável de comunicação do Ministério da Família, Stéphane Goerens.

Da parte do Ministério da Habitação, a resposta é que os serviços sob sua tutela vão apoiar a família. “Estou certa de que vão fazer tudo para apoiar esta família. Mas recordo que são medidas a médio prazo [arrendamento de três anos], junto de organismos como a Agência Imobiliária Social (AIS), Fonds du Logement ou outros organismos que assinaram uma convenção de arrendamento social”, respondeu a responsável de comunicação do Ministério da Habitação, Christina Schürr.

“As pessoas não devem ir diretamente a estes serviços, mas fazer o contacto através dos assistentes sociais”, acrescentou. Este é o caso de Edicarlos, que tem feito as diligências junto do ’office social’ de Larochette, mas até agora sem resultados.

“Enviámos o dossier dele à AIS no dia 14 [na quarta-feira passada]”, disse a assistente social que está a acompanhar o caso da família, mas o diretor da AIS, Gilles Hempel, ainda não tem conhecimento do dossier. “Logo que recebermos, vamos tratar deste caso”, revelou.

Edicarlos estranha a demora no envio do seu dossier à AIS, um mês depois de ter ficado desalojado. “Parece que estão a descartar-nos. Sinto-me humilhado, a minha mulher está a perder o chão e a minha filha mais nova, de cinco anos, continua a chorar”.


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