Família portuguesa acolhe guineenses desalojados
“Soube através do jornal Contacto que esta família estava sem casa. Como temos dois cafés, um em Troisvierges e outro em Heinerscheid, falei com o meu marido e decidimos disponibilizar os quartos em cima do café/restaurante em Heinerscheid [que pertence a Clervaux]. Agora, com o inverno, não é nada cómodo ficarem ao frio. Somos também pais e íamos gostar que nos acolhessem da mesma forma”, disse ao Contacto a proprietária, Ana Figueira.
A medida é temporária, “até conseguirem encontrar um cantinho para eles e para os filhos, organizarem a sua vida em vez de estarem a saltar de sítio em sítio”, acrescenta.
Edicarlos Piedade agradeceu o gesto da família portuguesa e esta terça-feira foi conhecer o local. Ainda antes do fecho desta edição, o Contacto falou com a família Piedade e, afinal, há outra mudança à última hora. “Tem ainda muito trabalho a fazer nos quartos. O marido de Ana Figueira mostrou-me os quartos e disse que ainda não estavam para habitar. Há chão para pôr e também alguns cabos para colocar no lugar. O proprietário foi impecável e explicou tudo à assistente social”, afirmou Edicarlos Piedade.
A família guineense vai voltar, e pela terceira vez, à pousada da juventude de Larochette. “Vamos ter de ficar mais uma semana. Pode ser que, na próxima semana, os quartos estejam prontos”, acrescentou Edicarlos.
O caso de desalojamento já se arrasta há mais de um ano, desde que a casa onde a família Piedade morava, em Larochette, passou a ter um novo proprietário. Desalojada em outubro devido à venda forçada da casa e ao novo proprietário, a família, com três filhos menores, tem estado a saltar de pousada em pousada, com uma passagem também pelo parque de campismo de Consdorf.
Questionado pelo Contacto sobre este caso, o Ministério da Família apenas disse que a família recebeu até ao momento a ajuda de que precisava. “Após consultar os nossos serviços competentes, podemos confirmar que a família recebeu, a todo o momento, a ajuda e o acompanhamento de que precisava”, disse a responsável de comunicação do Ministério da Família, Stéphane Goerens.
Da parte do Ministério da Habitação, a resposta é que os serviços sob sua tutela vão apoiar a família. “Estou certa de que vão fazer tudo para apoiar esta família. Mas recordo que são medidas a médio prazo [arrendamento de três anos], junto de organismos como a Agência Imobiliária Social (AIS), Fonds du Logement ou outros organismos que assinaram uma convenção de arrendamento social”, respondeu a responsável de comunicação do Ministério da Habitação, Christina Schürr.
“As pessoas não devem ir diretamente a estes serviços, mas fazer o contacto através dos assistentes sociais”, acrescentou. Este é o caso de Edicarlos, que tem feito as diligências junto do ’office social’ de Larochette, mas até agora sem resultados.
“Enviámos o dossier dele à AIS no dia 14 [na quarta-feira passada]”, disse a assistente social que está a acompanhar o caso da família, mas o diretor da AIS, Gilles Hempel, ainda não tem conhecimento do dossier. “Logo que recebermos, vamos tratar deste caso”, revelou.
Edicarlos estranha a demora no envio do seu dossier à AIS, um mês depois de ter ficado desalojado. “Parece que estão a descartar-nos. Sinto-me humilhado, a minha mulher está a perder o chão e a minha filha mais nova, de cinco anos, continua a chorar”.
