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Facebook lança ferramenta para evitar interferências nas eleições europeias
Sociedade 3 min. 29.03.2019

Facebook lança ferramenta para evitar interferências nas eleições europeias

Facebook lança ferramenta para evitar interferências nas eleições europeias

Foto: dpa
Sociedade 3 min. 29.03.2019

Facebook lança ferramenta para evitar interferências nas eleições europeias

Rede social quer evitar os erros do passado que permitiram a interferência de entidades externas nos sufrágios eleitorais de vários países, incluindo os EUA e a eleição de Donald Trump.

A rede social Facebook lançou esta semana uma nova ferramenta de publicidade nos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) que pretende travar a interferência externa na campanha para o próximo sufrágio para o Parlamento Europeu e maio. Entre os dias 23 e 16, os cidadãos dos 28 Estados-membros elegem os seus deputados que representarão os seus países em Bruxelas. Desta forma, a plataforma com o maior número de utilizadores no mundo inteiro - mais de dois biliões- , quer agora que os eleitores europeus sejam poupados da interferência de poderes externos que poderiam causar ruído na campanha para as eleições

A ferramenta já tinha sido lançada o ano passado nos EUA (nas eleições de meio do mandato), no Brasil e na Índia, apesar de no caso do Brasil, a ingerência ter sido feita em grande parte através da plataforma de mensagens instantâneas WhatsApp, como revelou uma investigação da imprensa brasileira.

Agora também em funcionamento na UE a partir desta sexta-feira, a ferramenta utilizada na criação de anúncios no Facebook e Instagram (esta última adquirida pelo Facebook em 2012) vai obrigar a qualquer indivíduo ou entidade coletiva que queira criar um anúncio relativo às eleições europeias a seguir um procedimento de autorização. A rede explica que este procedimento só permitirá às entidades ou indivíduos que estejam em países pertencentes à União Europeia postar anúncios, impedindo que pessoas ou empresa que estejam fora da UE possam publicitar conteúdo relacionado com as europeias. 

Segundo explica a rede social, os criadores destas campanhas terão ainda de providenciar documentação que comprove a sua entidade, bem como informações de contacto, de modo a que seja possível verificar a sua entidade.


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Nos anúncios, os utilizadores poderão mesmo consultar quem pagou e quanto pagou pela campanha ou quantas vezes o anúncio foi visto. Apesar de ser possível consultar que regiões/territórios foram selecionados para a campanha, não é possível saber que tipo de categorias de utilizadores foram selecionados pelos seus criadores - por exemplo, se o anúncio selecionou apenas utilizadores que estão afiliados a um certo partido na rede social. 

Todos os anúncios serão retidos num arquivo digital durante sete anos, que será aberto à consulta por meios de comunicação, investigadores, estudiosos de ciência política e organizações não-governamentais. Ao mesmo tempo, abrirá a sua Interface de Programação de Aplicação (API) a terceiros, de forma a facilitar o acesso aos dados compilados nestas campanhas.


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Ao mesmo tempo, o Facebook refere ter criado um sistema que identifica campanhas de publicidade que tentem violar as regras mencionadas acima, através da monitorização de palavras referência a tópicos como imigração e ambiente e pede aos utilizadores que reportem qualquer violação ou abuso com que se deparem.

A rede social quer evitar os erros do passado que permitiram a interferência de entidades externas nos sufrágios eleitorais de vários países, incluindo os EUA e a eleição de Donald Trump. Neste caso em concreto, entidades russas terão utilizado a plataforma para emitir mensagens de apoio ao atual presidente dos EUA. 

Apesar de, na altura, Mark Zuckerberg, o CEO e fundador do Facebook, ter admitido que a plataforma poderia ter feito mais, a verdade é que a rede social afirma agora que a ferramenta não resolverá por inteiro o problema: "Estas mudanças não irão prevenir os abusos na sua totalidade. Somos confrontados com opositores espertos, criativos e com poder económico que mudam as táticas logo que nós os detetamos. Mas acreditamos que [a ferramenta] vai ajudar a prevenir a interferência via Facebook nas eleições", afirmou um dos responsáveis Richard Allan. 

A empresa prevê lançar em junho mais medidas a nível mundial para combater este fenómeno. 

Contacto/AFP 

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