Explosivos adormecidos da II Guerra Mundial já mataram centenas
Explosivos adormecidos da II Guerra Mundial já mataram centenas
Centenas de pessoas morreram por causa de bombas da II Guerra Mundial que não explodiram quando foram lançadas. Logo em junho de 1945, houve 35 mortos e 50 feridos em Bremen devido à explosão de minas antitanque alemãs. Três meses mais tarde, em Hamburgo, quatro técnicos que procuravam neutralizar uma bomba com 500 kg foram vítimas da explosão.
Mais de sete décadas depois, as estimativas oficiais indicam que ainda haverá milhares de bombas adormecidas por encontrar só na Alemanha.
Especialistas que analisaram inúmeros documentos militares apontam para que tenham caído 2,7 milhões de toneladas de bombas em solo alemão durante o conflito, número que contrasta com as 74 mil toneladas de explosivos alemães lançados pela Luftwaffe sobre o Reino Unido. De minas antitanque a granadas de mão, passando por obuses (sobretudo norte-americanos e britânicos) e peças de artilharia russa, por ano são descobertas na Alemanha quase duas mil toneladas de explosivos.
Além de uma força de segurança especial dedicada a missões deste género, a Kampfmittelbeseitigungsdienst ou KMDB, que perdeu pelo menos 11 peritos, mortos em explosões nos últimos 19 anos, a Alemanha tem ainda empresas privadas envolvidas neste campo.
Perante a situação de elevado desgaste e instabilidade que os materiais explosivos vão sofrendo durante décadas em que estão enterrados no subsolo, os acidentes multiplicam-se: há pouco mais de seis anos, em Euskirchen, um trabalhador da construção civil morreu quando removia terra no local onde se encontrava uma bomba.
Antes, durante o mês de junho de 2010, em Göttingen, quando se procedia ao isolamento da área onde fora encontrada outra bomba, três elementos das forças de segurança morreram e outras seis pessoas sofreram ferimentos na explosão repentina do engenho. As vítimas somavam mais de sete centenas de missões de neutralização de explosivos e o inquérito que se seguiu não apontava erros.
Wolfgang Spyra, um especialista em engenharia química e materiais perigosos, escreveu num estudo sobre o assunto que "algumas destas bombas têm detonadores muito sensíveis a vibrações e impactos e podem explodir sozinhas".
A cidade de Orianenburg, segunda mais bombardeada por quilómetro quadrado, tem mais de três centenas de bombas não detonadas, embora cerca de 200 tenham sido neutralizadas nas últimas décadas. Responsáveis da cidade admitem que as operações de limpeza possam custar até 500 milhões de euros.
A revista do Smithsonian Institute relatou que, em maio de 2015, 20 mil pessoas tiveram de ser deslocadas de uma zona da cidade de Colónia devido à descoberta de uma bomba durante trabalhos de construção civil. Dois anos antes algo de semelhante acontecera em Dortmund e, em 2011, 45 mil pessoas foram forçadas a deixar as suas casas por causa de uma operação de desmantelamento de uma bomba em Koblenz.
Em Frankfurt foram deslocadas 60 mil pessoas em setembro de 2017 devido a uma bomba. Düsseldorf e Munique também já passaram por operações destas. E, nos últimos dias, uma bomba com 250 kg foi neutralizada em Nuremberga.
"É preciso ter a cabeça muito tranquila e mãos seguras. Se houver medo, é impossível fazer este trabalho. Para nós, trata-se de um trabalho normal: tal como um padeiro faz pão, nós desarmamos bombas", resumiu Horst Reinhardt, chefe de uma brigada do KMDB, à revista do Smithsonian.
Situações destas não surgem só na Alemanha – em Londres, perto da Tower Bridge, uma bomba com 250 kg foi encontrada no mês de março de 2015 e foi preciso retirar pessoas de 1.200 casas nas imediações.
Dois meses mais tarde, as forças de segurança esvaziaram três centenas de casas quando um engenho explosivo com cerca de 50 kg foi encontrado perto do Estádio de Wembley. Nestes dois casos, as operações de remoção e transporte para explosões controladas noutros locais foram bem sucedidas.
Outro especialista germânico já retirado, Hans-Jürgen Weise, foi claro em entrevista à Der Spiegel. "O maior perigo é que, ao longo do tempo, os detonadores ficam húmidos e secam várias vezes. A película que os bloqueia é destruída, mas os fusíveis continuam a funcionar: são de latão no caso dos britânicos e de alumínio em relação aos norte-americanos. Engenharia de elevada precisão e muito instável. Um dia serão tão sensíveis que ninguém poderá neutralizá-las".
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