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Existem cerca de 16 milhões de toneladas de microplástico no fundo do mar
Sociedade 4 min. 08.10.2020

Existem cerca de 16 milhões de toneladas de microplástico no fundo do mar

Existem cerca de 16 milhões de toneladas de microplástico no fundo do mar

AFP
Sociedade 4 min. 08.10.2020

Existem cerca de 16 milhões de toneladas de microplástico no fundo do mar

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Novas investigações mostram que a quantidade de fragmentos incrustados no fundo do mar é muito maior do que o plástico a flutuar na superfície do oceano.

Do fundo do mar vêm números alarmantes. Segundo um estudo da agência científica nacional da Austrália, existem 9,25 milhões a 15,87 milhões de toneladas de microplásticos (fragmentos que medem entre cinco milímetros e um micrómetro) incrustados no fundo do mar. 

Trata-se, segundo os investigadores, da primeira estimativa global deste tipo e liga o alarme para uma questão sobre a qual os ativistas há muito vêm a discutir, uma vez que a luta para limpar o oceano se tem concentrado largamente na erradicação de produtos plásticos de uso único como sacos de compras. 

Os resultados foram publicados na segunda-feira num novo estudo da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization, ou CSIRO. 

Utilizando um submarino robótico, os cientistas recolheram 51 amostras de areia e sedimentos de águas profundas na Grande Baía Australiana em 2017, a centenas de quilómetros da costa, e determinaram a estimativa global com base no número médio e tamanho das partículas. 

O estudo encontrou zero partículas de plástico em alguns sedimentos do oceano profundo, mas até 13,6 partículas por grama em outros, um valor até 25 vezes maior do que o que tinha sido encontrado em estudos anteriores de microplásticos em águas profundas. 

Os cientistas disseram ter feito estimativas conservadoras para ter em conta a gama completa de amostras. Também eliminaram fibras ou outros materiais da sua contagem para descartar a potencial contaminação das amostras. Para os cientistas é fundamental que se evite que o plástico acabe no oceano, em primeiro lugar.

"Mesmo o oceano profundo é susceptível ao problema da poluição plástica. Os resultados mostram que os microplásticos estão de facto a afundar-se no fundo do oceano", disse Justine Barrett, uma das autoras líderes do estudo. 

 Os cientistas acreditam que 4,4 milhões a 8,8 milhões de toneladas de plástico entram no mar todos os anos. 


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"The Plastic Hike" é uma missão de um alemão, conhecido como o "viajante do lixo", para sensibilizar o mundo sobre a proteção ambiental.

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico, entre a Califórnia e o Hawaii, que se estima em mais do dobro do tamanho do Luxemburgo, transporta mais de 87 mil toneladas de lixo. 

Nos últimos anos, centenas de objetos de plástico foram encontrados nas barrigas de baleias que deram à costa em todo o mundo. Com o tempo, alguns plásticos decompõem-se em pedaços mais pequenos e afundam-se no oceano. Os tipos de plástico mais flutuantes não se afundam sozinhos e ou dão à costa nas praias ou acabam em águas profundas. 

Os micróbios e as colónias de mexilhões que crescem em plástico flutuante fazem frequentemente com que toda a massa de lixo se afunde a partir do peso adicionado. Os microplásticos podem ainda ser ingeridos por plâncton mais pequeno e por peixes no fundo do mar. 

Uma vez ingeridos pelos peixes, os microplásticos podem acabar na cadeia alimentar humana, sendo que uma variedade de microplásticos chegou já a ser detetada no intestino humano.

Denise Hardesty, Investigadora Principal e co-autora do estudo, disse que a poluição dos oceanos com plástico é uma questão ambiental internacionalmente reconhecida, com os resultados a indicarem a necessidade urgente de gerar soluções de poluição plástica eficazes. 

 "A nossa investigação descobriu que o oceano profundo é um lavatório para microplásticos", disse Hardesty. O número de fragmentos de microplásticos no fundo do mar foi geralmente mais elevado em áreas onde também havia mais lixo flutuante. 

"Ficámos surpreendidos ao observar cargas elevadas de microplásticos num local tão remoto", comentou a cientista . "Ao identificarmos onde e quanta massa microplástica existe, obtemos uma melhor imagem da extensão do problema. Isto ajudará a informar estratégias de gestão de resíduos e a criar mudanças de comportamento e oportunidades para impedir a entrada de plástico e outros resíduos no nosso ambiente", aponta Hardesty.

"Todos nós podemos ajudar a reduzir o plástico que acaba nos nossos oceanos, evitando os plásticos de utilização única, apoiando as indústrias de reciclagem e de resíduos, e eliminando o nosso lixo de forma ponderada para que não acabe no nosso ambiente. "O governo, a indústria e a comunidade precisam de trabalhar em conjunto para reduzir significativamente a quantidade de lixo que vemos ao longo das nossas praias e nos nossos oceanos", assertou.

Os microplásticos não estão confinados ao oceano. Também são encontrados em partículas do ar e podem ser espalhados pelo vento. 

 Embora as cidades tenham proibido sacos e palhinhas de plástico, a utilização de embalagens descartáveis de plástico tem aumentado no meio da pandemia do coronavírus à medida que os consumidores se preocupam mais com a higiene e a contaminação. Também as máscaras descartáveis acabam nos oceanos tendo já havido casos de animais que morrem graças aos elásticos das mesmas, sendo recomendado que se cortem sempre antes de deitar ao lixo. 

Passarinho morre asfixiado por máscara descartável
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DR


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