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Europa terá em 2021 o mais poderoso supercomputador do mundo
Sociedade 3 min. 21.10.2020

Europa terá em 2021 o mais poderoso supercomputador do mundo

Europa terá em 2021 o mais poderoso supercomputador do mundo

Foto: Gerry Huberty
Sociedade 3 min. 21.10.2020

Europa terá em 2021 o mais poderoso supercomputador do mundo

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Situado na Finlândia, o LUMI será uma plataforma de Inteligência Artificial. O Luxemburgo assinou em setembro acordo para desenvolver uma das peças da nova rede de supercomputadores de elite, o MeluXina.

É um passo grande na direção do admirável mundo novo digital que a Europa quer construir para um futuro ao virar da página. Um futuro onde os supercomputadores - uma imagem que um leigo já tem na imaginação - darão lugar a processadores pre-exascale, os precursores dos ainda míticos computadores exascale que terão a velocidade de um cérebro humano. 

Hoje, dia 21, a EuroHPC (European High-Performance Computing Joint Undertaking) - um consórcio da Comissão Europeia e de um conjunto de países para acelerar a aquisição e desenvolvimento de supercomputadores - assinou um contrato para compra do LUMI. Quando começar a funcionar, a meio de 2021, o LUMI será o mais poderoso supercomputador em atividade, fazendo já parte do nível de pre-exascale. 

O Luxemburgo na supercomputação 

O EuroHPC foi criado em 2018, ainda durante o mandato da Comissão Juncker, e está sedeado no Luxemburgo. É através desta entidade que a União Europeia está a entrar no mundo da supercomputação pre-exascale, que nos parece ainda ficção científica. Querendo liderar a corrida mundial, como refere Margrethe Vestager, a vice-presidente da Comissão responsável pela pasta Uma Europa Preparada para a Era Digital, a União Europa já celebrou contratos em várias latitudes. Até ao momento, foram assinadas parcerias em Itália, na República Checa, na Eslovénia e no Luxemburgo. 

Projeto das instalações do MeluXina
Projeto das instalações do MeluXina
Foto: Luxconnect


No Grão-Ducado o contrato com a LuxProvide para o alojamento do MeluXina foi anunciado na presença de Xavier Bettel. Todos estes acordos foram concretizados em setembro, mas os eventos têm sido subjugados pela atenção crescentemente desviada pela crise epidémica. Para completar a rede europeia, falta ainda concretizar os acordo para mais três supercomputadores, um deles no Minho Advanced Computing, em Portugal. 

Mas se a comunicação sofreu com a atual situação, o mesmo não aconteceu com os planos. Os participantes na iniciativa realçaram que a pandemia não atrasou o processo de criar a nova estrela da supercomputação. Se os prognósticos se mantiverem, provavelmente o LUMI estará em atividade enquanto a Europa ainda não se livrou de vagas de covid-19. 

552 petaflops por segundo 

O contrato assinado com a LUMI (da sigla inglesa Large Unified Modern Infrastructure) tem o valor de 144,5 mil milhões de euros. O LUMI conseguirá fazer 350 mil milhões de cálculos por segundo, ou, em linguagem técnica, 552 petaflops por segundo. A sua alta performance confere-lhe o estatuto de pre-exascale. Segundo o comunicado de imprensa, quando o LUMI começar a funcionar, irá ultrapassar o exemplar mais rápido atualmente em funcionamento, o Fugaku, no Japão, que atinge 513 petaflops por segundo. E fará parte de uma elite de apenas cinco destas máquinas topo de gama no mundo inteiro. Será ainda uma das principais plataformas de Inteligência Artificial e, segundo o site, ao longo da sua vida útil será consistentemente reconhecido como um dos “mais poderosos instrumentos científicos”. 

De um ponto de vista prático, a Comissão Europeia espera que o LUMI seja também um instrumento fundamental para resolver algumas dos problemas mais complexos que a Europa enfrenta, desde desafios na área da saúde, cibersegurança, planeamento urbano, eficiência energética e alterações climáticas. O seu poder computacional estará disponível para investigadores e negócios no espaço europeu e as suas aplicações são ainda incalculáveis. 

 O LUMI estará ainda alinhado com a estratégia verde da União Europeia. Segundo o comunicado, o data center onde estará alojado, na Finlândia, irá usar energia renovável. O calor produzido durante será usado nas casas da zona. A previsão é que cerca de 20% da energia usada para aquecimento no distrito de Kajaani seja proveniente da atividade do LUMI, reduzindo assim a pegada ambiental da região.

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