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Europa começa aos poucos a levantar medidas de confinamento
Sociedade 5 min. 14.04.2020 Do nosso arquivo online

Europa começa aos poucos a levantar medidas de confinamento

Europa começa aos poucos a levantar medidas de confinamento

Foto: AFP
Sociedade 5 min. 14.04.2020 Do nosso arquivo online

Europa começa aos poucos a levantar medidas de confinamento

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Um "novo normal" começa esta semana, com vários países a aligeirar medidas de confinamento desde terça-feira. O Luxemburgo anuncia dentro de dias o seu plano de saída.

Gradualmente, os países europeus começam a sair do lockdown, cada um por si, e não segundo um plano conjunto que a Comissão Europeia deveria ter anunciado na passada quarta-feira, 8 de abril, mas que entretanto deixou cair por terra. 

Esta terça-feira a Áustria começou a sair do confinamento, com a abertura de lojas não-essenciais. Em Espanha - o segundo país europeu mais atingido pela covid-19 (com mais de 18.000 mortes registadas até à data) - as autoridades permitiram o regresso ao trabalho de quase dois milhões de trabalhadores da indústria e construção civil. 

E tanto a República Checa como a Dinamarca começam passo a passo a sair do estado de hibernação. Em Itália, a nação europeia mais massacrada pela covid-19 (com mais de 20.000 mortes), também hoje reabriram as livrarias, papelarias e lojas de roupa de criança.


Covid-19. Personalidades pedem novas medidas para reabertura controlada da economia
Profissionais de saúde, empresários e gestore propõem uma série de medidas como o uso generalizado de máscaras e das novas tecnologias para controlar uma nova vaga de infeções.

Em Portugal, um grupo de empresários pediu o recomeço controlado das atividades, como forma de evitar as consequências económicas mais danosas. E no Luxemburgo prevê-se que a ministra da Saúde anuncie o plano de saída do confinamento dentro em breve. Na passada sexta-feira, dia 10 de abril, Paulette Lenert anunciou que, embora os números comecem a estabilizar, "a situação tem de ser vigiada durante mais uma semana" antes de o governo se comprometer com um plano de saída do lockdown. Lenert pediu que até essa data os luxemburgueses respeitem as medidas em vigor.

OMS alerta para perigo iminente

As decisões que estão a ser tomadas para não tornar catastrófica a crise económica que se avizinha não estão, no entanto, isentas de polémica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já avisou que a saída dos estados de confinamento na Europa poderá ser prematura, levando a um regresso descontrolado de novos focos de propagação. Numa conferência de imprensa, na passada sexta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, referiu as condições que deverão existir para aliviar a imposição dos confinamentos. Ter a transmissão do vírus controlada e serviços médicos suficientes e prontos para dar resposta. 


OMS critica levantamento de restrições e põe em causa que não possa haver reinfeção
Vários dirigentes da Organização Mundial de Saúde apelaram aos diferentes governos para evitarem cair na tentação de levantar as restrições antes de controlarem a transmissão local do vírus. A OMS revelou ainda que nem todos os pacientes que conseguem recuperar da doença possuem os anti-corpos no seu organismo para evitar que possam voltar a ser infetados.

Os riscos de surtos em instalações como lares de idosos devem ser minimizados e devem existir medidas preventivas em locais especialmente críticos, como as escolas, aconselhou a organização. Os países devem também ter chegado a um ponto em que os riscos de importação de casos possam ser geridos. Por último, as comunidades devem estar completamente conscientes destes riscos e "completamente envolvidas na transição". E, aparentemente, segundo a OMS, a Europa não está ainda preparada para garantir todas estas condições já em abril.

Entretanto, a Comissão Europeia deverá apresentar amanhã, dia 15, o seu "Plano europeu de levantamento de medidas de confinamento da covid-19", mas, segundo o jornal Politico, que teve acesso a um rascunho enviado aos países, a linguagem do documento que estabelece critérios comuns tornou-se mais cautelosa e as palavras imperativas transformaram-se em conselhos.

França começa a reabrir a 11 de maio

Na segunda-feira à noite, 13 de abril, o presidente Macron anunciou aos franceses uma luz ao fundo do túnel. Mas só a partir de 11 de maio. No quarto discurso ao país no período de um mês, Emmanuel Macron previu que os franceses "voltarão a ter dias felizes". Mas durante as próximas quatro semanas, o estado de confinamento no terceiro país europeu mais atingido pela covid-19 (com mais de 14.000 mortes) mantém-se como está. E só a 11 de maio, o país começará a renascer, com a abertura das creches e escolas e o regresso ao trabalho de milhões de franceses

Neste "dia seguinte", os cafés, restaurantes, bares, cinemas, teatros, salas de espetáculos e museus continuam fechados. E antes de meados de julho não haverá festivais nem concertos. Também os mais idosos e os que tenham condições pré-existentes (diabetes, cancro, doenças cardíacas e respiratórias) devem continuar em isolamento para lá da data de 11 de maio. Até aviso em contrário, as fronteiras francesas com os países vizinhos continuarão fechadas. "A epidemia não está ainda sob controlo", advertiu Macron.

Parte do plano de saída da emergência do governante francês passa pelo aumento do número de testes feitos à população, o uso generalizado de máscaras e, possivelmente, "vigilância eletrónica", cuja adesão, disse, será voluntária, sob garantia de anonimato e deverá ser aprovada pelo parlamento.

Nem todos querem sair já de casa

Em Itália onde as medidas de confinamento foram estendidas até 3 de maio, a decisão do primeiro-ministro Giuseppe Conti de abrir algumas lojas não foi bem recebida por toda a gente. O governador da Lombardia, uma das regiões italianas mais atingidas, avisou que as livrarias e as papelarias irão continuar encerradas porque não são consideradas essenciais.

Também em Espanha, onde os trabalhadores da indústria e da construção civil retomam esta semana o trabalho, o levantamento das restrições foi criticado pelo Partido Popular, cujo líder, Pablo Casado, disse que as ordens confusas do governo poderiam colocar os trabalhadores em perigo. Também o presidente do governo da Catalunha, Quim Torra, classificou a decisão do governo de Pedro Sánchez de "irresponsável".

Os trabalhadores espanhóis foram aconselhados a evitar os transportes públicos, a usar máscaras, a manter o distanciamento social e a lavar a roupa a 60 graus. Foi também recomendado que as empresas que recomecem a laborar definam horários diferenciados para reduzir o tráfego a horas de ponta e que assegurem que os trabalhadores não permanecem demasiado próximos. No mesmo sentido, os peritos de saúde espanhóis também classificaram a medida de prematura e perigosa. 


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