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Europa chumba no teste do coronavírus
Sociedade 3 min. 25.03.2020

Europa chumba no teste do coronavírus

Europa chumba no teste do coronavírus

Florin Balaban
Sociedade 3 min. 25.03.2020

Europa chumba no teste do coronavírus

A falta de solidariedade com países como Itália mostra uma inação que fragiliza a UE.

Na quarta-feira da semana passada, Angela Merkel descreveu a gravidade da atual situação enunciando que se trata do maior desafio que os alemães enfrentam desde a Segunda Guerra Mundial. “Isto é sério e é preciso que levem isto a sério”, avisou a chanceler alemã.

Mas se o número de infetados por covid-19, na Alemanha, é dos mais elevados da União Europeia (UE), surpreende o baixo número de mortos em comparação com países como Itália ou Espanha. Com quase 25 mil casos positivos do novo coronavírus, as autoridades alemães registavam até ao momento do fecho desta edição 94 pessoas falecidas, enquanto Itália, com 59.138 casos confirmados, atingia já a soma de 5. 476 mortos.

Uma verdadeira hecatombe que demonstra que as condições com que se enfrenta o novo coronavírus são também decisivas para salvar vidas. Os especialistas tendem em apontar pelo menos duas razões para o êxito da Alemanha: o elevado número de testes efetuados e o número de ventiladores disponível. De acordo com o Financial Times, o sistema alemão de saúde partiu para esta batalha com 25 mil ventiladores e já mandou produzir mais 10 mil. Itália, por sua vez, segundo a Reuters, não tinha mais do que 5 mil ventiladores num país com cerca de 60 milhões de habitantes. Em desespero, o governo mandou fazer mais 5 mil destes aparelhos de suporte respiratório e recebeu da China outros mil.

A prática inação da UE e a falta de solidariedade para dar suporte a países a braços com uma grave situação é cada vez mais um elefante numa loja de porcelana. Países como a Alemanha, que só estão a usar uma ínfima parte dos seus ventiladores, e que só agora enviaram 300 ventiladores para Itália, contrastam com as imagens do avião chinês que aterrou, na semana passada, em Itália com médicos, equipamentos individuais de proteção e aparelhos de suporte respiratório.

O aplauso à chegada a Itália de meia centena de médicos de Cuba mostra também o desespero do país mediterrânico frente à fraca solidariedade europeia. De acordo com o Governo cubano, os especialistas, qualificados e com experiência em epidemias como o ébola, ajudarão os seus colegas lombardos, que estão a trabalhar em condições extremas e hospitais sobrecarregados pelo rápido aumento do número de casos graves.

O grupo vai trabalhar no hospital de campanha de Crema, na região da Lombardia. “Será uma ajuda preciosíssima para o hospital de campanha, que está quase pronto”, disse a autarca de Crema, Stefania Bonaldi. A inauguração estava prevista para esta terça-feira . “Vamos acolhê-los de braços abertos – mas, por enquanto, apenas metaforicamente”, acrescentou.

Só no domingo, milhares de mortos depois, e quando passam semanas do princípio da catástrofe em Itália, é que a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal a Itália de 50 milhões de euros para apoiar o fabrico imediato de dispositivos médicos como ventiladores e equipamentos de proteção como máscaras, óculos, aventais e roupas de segurança.

Na sexta-feira, a Comissão Europeia tinha já anunciado uma suspensão “inédita” das regras de disciplina orçamental aos Estados-membros para permitir que os países “estimulem o quanto quiserem” as suas economias, numa altura de crise devido à covid-19. “Hoje – e isto é inédito e nunca foi feito – acionamos a cláusula geral de salvaguarda, o que significa que os Governos nacionais podem estimular a economia tanto o quanto quiserem. Estamos a relaxar as regras orçamentais para os permitir fazê-lo”, anunciou a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, num vídeo publicado no Twitter.

Segundo o Dinheiro Vivo, sem dar mais informações sobre esta medida, que na prática significa impor aos países objetivos orçamentais mais ‘contidos’ em questões como o défice, suspendendo parte das recomendações para a estabilidade das contas públicas, a responsável observa na mensagem que o surto do novo coronavírus “tem um impacto dramático na economia e atinge grande parte dos setores” da UE.

Empresários portugueses, como o sócio da Padaria Portuguesa, queixam-se que o BCE empresta aos bancos dinheiro a juros negativos de 0,75% e estes emprestam às empresas com spreads superiores a 3%, ganhando muito dinheiro com a desgraça dos outros.

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