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Europa ainda não sabe o que fazer com o Natal
Sociedade 5 min. 20.11.2020

Europa ainda não sabe o que fazer com o Natal

Europa ainda não sabe o que fazer com o Natal

AFP
Sociedade 5 min. 20.11.2020

Europa ainda não sabe o que fazer com o Natal

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Os governos da Europa estão a adiar decisões sobre as celebrações do Natal e do Ano Novo, com poucos ainda desejosos de dizer exatamente o que será permitido. Mas uma coisa é certa: não será igual aos outros anos.

O Natal? "É uma enorme dor de cabeça", disse um ministro do Governo francês ao Le Monde, porque é uma "escolha impossível entre uma proibição socialmente insustentável" de reuniões familiares e a necessidade médica de não alimentar ainda mais a propagação do coronavírus. 

A dor de cabeça estende-se por toda a Europa com as festividades natalícias a aproximarem-se em plena segunda vaga da covid-19. No Luxemburgo, a ministra da Saúde, Paulette Lenert, já veio dizer que as "pessoas têm de se mentalizar que este ano, o Natal tem de ser celebrado de forma diferente".  Segundo Lenert, a situação mantém-se crítica e os números, elevados, embora se possa prever um ligeiro abrandamento de novas infeções. 

Em Portugal, o primeiro-ministro António Costa deixou claro que este ano não poderá haver a tradicional consoada em Portugal, pois é nas grandes reuniões familiares que ocorrem 68% das contaminações.

"Todos desejamos profundamente que o Natal seja o minimamente afetado possível", mas como disse o presidente da República, "as famílias têm de preparar todas para festejar o Natal de uma forma diversa do tradicional, porventura, juntando-se em momentos diferentes da quadra, não podemos estar todos juntos, devemos repartir-nos". "Não é possível o ajuntamento, sem que ponha em risco a situação". Foi assim que o primeiro-ministro português explicou como vai ser o Natal este ano, para as famílias em Portugal.

Também em França, no discurso em que anunciou o segundo confinamento, o Presidente Emmanuel Macron disse que, se a pandemia fosse controlada, o governo "podia esperar-se um tempo em que fosse possível celebrar a época festiva como uma família". Com os casos de covid-19 a bater recordes todos os dias, esse tempo ainda não chegou na grande maioria dos países. 

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, afirmou que as lojas não essenciais iriam provavelmente reabrir a 1 de dezembro, e as regras de encerramento deveriam ser flexibilizadas para permitir alguma forma de Natal familiar, embora "certamente não como de costume". Os encontros "com dezenas de pessoas" não serão permitidos, disse ele, e o governo só decide no final de novembro se será possível viajar em França durante esse período. 

 As árvores de Natal, pelo menos, podem estar à venda a partir de 20 de Novembro, anunciou o governo, mas os restaurantes não devem reabrir antes de meados de Janeiro e ainda não há certeza de que as igrejas possam realizar a missa de Natal. As regras sanitárias em França não permitem que as pessoas convidem hóspedes para as suas casas. Uma recente sondagem francesa revelou que 53% dos inquiridos estavam dispostos a renunciar ao Natal familiar para evitar a infeção, 75% estavam a planear ver menos pessoas e 70% estavam mesmo dispostos a permanecer em total isolamento.

Na Alemanha, Angela Merkel expressou a esperança de que "seríamos capazes de conceder mais liberdades no Natal" se os cidadãos se mantivessem fiéis às regras apertadas durante todo o mês de novembro. No entanto, os números da Alemanha não parecem relevar esse "bom comportamento", com 23.648 novas infeções nas últimas 24 horas.

"Se sou honesto, não vejo grandes casamentos, grandes aniversários ou mesmo grandes festas de Natal a acontecer em dezembro ou em qualquer ponto deste Inverno", disse recentemente o ministro da saúde alemão, Jens Spahn.

Alguns mercados de Natal, incluindo o Christkindlesmarkt de Nuremberga, já foram cancelados, enquanto outros, como o Striezelmarkt de Dresden, estão a trabalhar em planos alternativos para garantir todas as normas de segurança. As autoridades estão ainda a considerar se seguem o exemplo dos Países Baixos e proíbem fogos-de-artifício na véspera de Ano Novo.

Espanha foi um dos países mais afetados pela segunda vaga da pandemia e  permanece em estado de emergência, com o recolher obrigatório ainda em vigor. O ministro da saúde, Salvador Illa, convocou uma reunião de peritos de saúde regionais para discutir o Natal, mas avisou as pessoas para que não alimentassem esperanças. "Penso que todos os espanhóis sabem que este Natal não vai ser como o último", disse. "Não podemos continuar como se nada tivesse acontecido". 

O governo da região de Madrid está a estudar a ideia de utilizar farmácias para realizar um grande número de testes rápidos antes e depois do Natal, para permitir que as pessoas se reúnam em segurança. 

Na quinta-feira, o governo catalão anunciou que os bares e restaurantes da região, que estão fechados há um mês, reabririam parcialmente a partir de segunda-feira, e definiu um plano em quatro fases para as próximas semanas. O recolher obrigatório na Catalunha das 22h às 6h permanecerá em vigor durante o Natal e o ano novo. No entanto, as famílias poderão reunir-se em grupos de até 10 pessoas a partir de 21 de dezembro. As reuniões estão atualmente limitadas a grupos de seis pessoas. 

Já Itália, um país massacrado pelo vírus, os mercados de Natal foram proibidos e as viagens entre regiões são fortemente restringidas. Está a ser preparado um decreto para a época festiva, com possíveis medidas como a reabertura de lojas e restaurantes a partir de 3 de dezembro, sendo o recolher obrigatório nacional prolongado por uma hora. Os jantares de Natal também podem vir a ser permitidos em decreto, mas apenas com famíliares próximos. 

O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, garantiu às crianças que os seus presentes seriam entregues porque o Pai Natal não estava sujeito a quaisquer restrições de viagem. Mas o Natal não era apenas "uma questão de compras, presentes e de dar um impulso à economia", disse. 

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