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Estudo. Uma em cada três pessoas infetadas com covid-19 não apresenta sintomas
Sociedade 2 min. 27.01.2021 Do nosso arquivo online

Estudo. Uma em cada três pessoas infetadas com covid-19 não apresenta sintomas

Estudo. Uma em cada três pessoas infetadas com covid-19 não apresenta sintomas

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 27.01.2021 Do nosso arquivo online

Estudo. Uma em cada três pessoas infetadas com covid-19 não apresenta sintomas

Investigadores propõe que se façam testes domiciliários frequentes, baratos e rápidos para identificar e conter casos de infeção por covid-19 pré-sintomáticos ou assintomáticos.

Uma em cada três pessoas infetadas com covid-19 não apresenta qualquer sintoma de doença. Esta é a conclusão de um estudo realizado por uma equipa do Centro de Investigação Scripps, na Califórnia, nos Estados Unidos que analisou um total de 61 estudos científicos e relatórios sobre mais de 1,8 milhões de casos do novo coronavírus. 

Segundo os cientistas, a infeção assintomática parece ser uma característica notável do síndrome respiratório agudo provocado pelo SRA-CoV-2, o agente patogénico que causa a doença covid-19, mas a prevalência é incerta. E é daí que surgiu o objetivo desta investigação que se focou em estimar a proporção de pessoas infetadas pela SRA-CoV-2 que nunca desenvolvem sintomas.


OMS publica novas recomendações para doentes com sintomas persistentes
Nestas novas recomendações, que estão em revisão contínua, a OMS salienta que os doentes de covid-19 “devem ter um fácil acesso aos cuidados de saúde se apresentarem sintomas persistentes, novos ou em mudança”.

Na revisão da literatura publicada na Annals of Internal Medicine, 18 estudos detalham rastreios serológicos para avaliar a presença de anticorpos associados ao SARS-CoV-2, um dos métodos utilizados para verificação de infeções prévias com o vírus, incluindo os resultados dos rastreios em massa realizados em Espanha e Inglaterra que mostraram que um terço dos indivíduos testados tinha anticorpos contra a covid-19 sem nunca ter apresentado sintomas.

Segundo os cientistas, a fracção assintomática da infecção é a proporção de pessoas infetadas que nunca desenvolvem, percebem e relatam sintomas. Entre os agentes patogénicos mais comuns, a fracção assintomática varia muito. Por exemplo, no caso do sarampo não houve registos de portadores da doença assintomáticos, enquanto uma proporção significativa de pessoas com citomegalovírus ou infecção por poliovírus não apresenta sintomas e não tem conhecimento da infecção. No caso da infecção pelo novo coronavírus, a fracção assintomática parece ser de tamanho considerável.

"À luz dos dados aqui apresentados, consideramos que as estratégias de controlo da covid-19, tendo em conta a prevalência e o risco de transmissão da infecção assintomática por SRA-CoV-2. Testes domiciliários frequentes, baratos e rápidos para identificar e conter casos pré-sintomáticos ou assintomáticos - juntamente com programas governamentais que fornecem assistência financeira e, se necessário, alojamento para permitir que as pessoas infectadas se isolem pode ser uma opção viável", escrevem os investigadores. "E à medida que a primeira geração de vacinas SRA-CoV-2 for implantada, será necessária mais investigação para determinar a sua eficácia na prevenção da infecção assintomática", concluem.

É de sublinhar que este tipo de estudos apresentam sempre dificuldades que rondam a subjetividade dos dados, uma vez que a detecção dos sintomas baseia-se nos relatórios dos pacientes. Por exemplo, a anosmia (perda total ou parcial do olfato) revelou-se um sintoma distintivo da covid-19 e os cientistas dependem dos pacientes para perceber e relatar uma diminuição, por mínima que seja, das suas capacidades olfativas normais. Mas tais auto-relatos são influenciados por muitos fatores, incluindo a variabilidade na capacidade de recordar sintomas e a consciência específica de cada um em relação às suas sensações corporais.

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