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Estudo. Traços de frieza emocional nos adolescentes revelam sinais de psicopatia
Sociedade 3 min. 12.04.2021 Do nosso arquivo online

Estudo. Traços de frieza emocional nos adolescentes revelam sinais de psicopatia

Estudo. Traços de frieza emocional nos adolescentes revelam sinais de psicopatia

Sociedade 3 min. 12.04.2021 Do nosso arquivo online

Estudo. Traços de frieza emocional nos adolescentes revelam sinais de psicopatia

A investigação salienta que os baixos níveis de culpa sobre a possibilidade de cometerem atos imorais e dificuldade em julgar uma ação imoral como errada são aspetos que revelam sinais psicopáticos.

Elevados níveis de frieza emocional nos jovens podem ser indicadores de sinais de psicopatia.

A conclusão é de um estudo pioneiro realizado com adolescentes da população portuguesa, publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry, e que juntou as universidades de Coimbra (UC), do Porto (UP) e do Minho (UMinho), e com instituições britânicas, como a University College London e a Royal Holloway University.


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A investigação envolveu 47 jovens do sexo masculino com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, nos quais foram avaliados os traços de frieza emocional, ou seja, a falta de empatia e desprezo pelo bem-estar e sentimentos dos outros.

Os investigadores explicam que se concentraram nos adolescentes do sexo masculino por diferentes razões. Desde logo, pelo facto de os rapazes  apresentarem "níveis mais elevados de características de frieza emocional, comportamento anti-social, delinquência" e de cometerem "mais crimes do que as raparigas", mas também porque a maioria da investigação sobre o processamento moral em adultos com altos níveis de psicopatia tem-se concentrado nos homens adultos, o que permite traçar uma comparação direta dos resultados obtidos nos adolescentes com as populações adultas já estudadas. 

A investigação salienta que os baixos níveis de culpa sobre a possibilidade de cometerem atos imorais e dificuldade em julgar uma ação imoral como errada são aspetos que revelam sinais psicopáticos.

Na investigação, os jovens visualizaram animações em vídeo com exemplos de transgressões morais do quotidiano, tais como tomar o lugar de uma idosa num transporte público ou guardar dinheiro que caiu do bolso de outra pessoa sem o devolver.

"Os jovens foram questionados sobre quão culpados se sentiriam se fossem os próprios a cometer as ações imorais e quão erradas as julgaram ser", explica Óscar Gonçalves, investigador no Proaction Lab da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), citado num comunicado sobre a investigação.

Ainda que os exemplos dados acima possam ser considerados de gravidade menor, do ponto de vista social, os traços de frieza emocional observados na infância e adolescência são considerados precursores de psicopatia – um transtorno marcado por um comportamento antissocial grave e persistente – na idade adulta, sublinha o documento. 


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Margarida Vasconcelos, investigadora da Universidade do Minho, explica que a principal descoberta deste estudo se relaciona, por isso, com o papel moderador dos traços de frieza na associação entre o sentimento de culpa e o julgamento moral.  

"Os adultos com psicopatia apresentam baixos níveis de culpa, mas julgam ações imorais como erradas, porém o nosso estudo demonstra que os jovens com elevados níveis de frieza emocional apresentam baixos níveis de culpa e julgam as ações imorais como menos erradas".

No entanto, a coordenadora do estudo, Ana Seara, também da Universidade do Minho, ressalva que foram igualmente "encontradas evidências de dissociação entre as emoções morais e o julgamento moral, ou seja, entre o sentimento de culpa e o julgamento das ações imorais". 

"Mesmo em níveis subclínicos de traços de frieza emocional, esta dissociação típica em psicopatia em adultos já se manifesta durante o desenvolvimento." 

O objetivo do estudo é, portanto, não só "contribuir para o desenvolvimento de um modelo de comportamento antissocial severo", mas também "permitir o desenvolvimento de alvos de intervenção, reabilitação e prevenção precoce de comportamento antissocial".

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