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Estudo sugere que reuniões por Zoom cansam mais do que as presenciais
Sociedade 4 min. 03.03.2021

Estudo sugere que reuniões por Zoom cansam mais do que as presenciais

Estudo sugere que reuniões por Zoom cansam mais do que as presenciais

Foto: Andre M. Chang/ZUMA Wire/dpa
Sociedade 4 min. 03.03.2021

Estudo sugere que reuniões por Zoom cansam mais do que as presenciais

A investigação da universidade californiana de Stanford alerta para a fadiga gerada pela interação através de plataformas de videoconferência.

Com a utilização exaustiva de programas de videoconferências para reuniões de trabalho e aulas à distância, a psicologia está a dedicar cada vez mais atenção a este fenómeno que alterou os hábitos de milhões de trabalhadores e estudantes em todo o mundo devido à pandemia do coronavírus.

Um estudo publicado pelo laboratório de interação humana da Universidade de Stanford, na Califórnia, reflete a investigação que se realizou sobre aquilo a que os especialistas chamaram "zoom fatigue" [fadiga do zoom]. Para os investigadores, o mosaico de rostos com que interagimos, geralmente a partir de casa, com dificuldade em captar a linguagem não verbal e com o nosso rosto exposto ao escrutínio dos outros e a nós próprios, gera mais stress.

O seu autor do estudo, Jeremy Bailenson, compara este fenómeno ao embaraço do elevador, onde as regras não escritas sobre a distância social entre estranhos são quebradas e a reação natural é evitar olhar para minimizar o contacto visual com o objetivo de compensar esse excesso de proximidade. 

"No Zoom, o oposto é verdadeiro. Numa reunião normal, independentemente de quem fala, cada pessoa está a olhar diretamente para os olhos dos outros", explica Jeremy Bailenson. Este elevador virtual é também um enorme espelho no qual nos vemos refletidos. Para Bailenson, é semelhante a ter um assistente a seguir-nos durante oito horas do dia de trabalho com um espelho no qual vemos a nossa cara enquanto trabalhamos.

A solução é simples, diz. Basta alterarmos as definições para não nos vermos a nós próprios, mas a opção por defeito é ver o resultado de como a nossa própria câmara se concentra em nós. Porque é que isto é negativo? Segundo a investigação, porque a auto-avaliação constante pode ser stressante, especialmente para as mulheres e cita um estudo no qual um grupo de mulheres reagiu prestando mais atenção a verem-se a si próprias num vídeo ao vivo.

Nenhum trabalho de campo abordou o que acontece quando essa exposição se prolonga durante horas, dia após dia. "Os utilizadores do zoom vêem o reflexo de si próprios com frequência e duração sem precedentes (exceto para aqueles que trabalham em estúdios de dança cheios de espelhos)", explica o investigador.

O esforço de comunicação é também maior em comparação com o necessário para uma chamada telefónica. O trabalho da universidade norte-americana cita experiências que provam que as pessoas falam num tom 15% superior quando intervêm por videoconferência, e assinala que a falta de proximidade física é compensada por exagerar a linguagem não verbal com movimentos de cabeça, por acenar com a cabeça com mais insistência, ou por olhar fixamente para a câmara. Além disso, é mais difícil interpretar a aparência e os sinais do outro do que presencialmente, o que gera um esforço extra para os decifrar.

Outro problema de quem está em teletrabalho é na forma estática de comunicação, que, ao contrário do telefone ou conversas presenciais, não permite andar ao mesmo tempo, tornando-a menos natural. David Michael Hough, Diretor de Educação da empresa de saúde Elsevier, estima que tem entre seis e nove reuniões Zoom todos os dias a partir da sua casa em Madrid. "Penso que o conceito de fadiga existe, mas se estiver consciente disso, tem a oportunidade de encontrar um equilíbrio. Depois de muitas chamadas consecutivas, preciso de me afastar do meu computador". No entanto, vê mais vantagens do que desvantagens: "É mais fácil reunir uma equipa global, os documentos são partilhados, as emissões de carbono são reduzidas, há mais transparência ao permitir-nos entrar nas casas uns dos outros, e a empatia é aumentada pelas interrupções de membros da família, visitantes ou do cão", contrapõe.

A Universidade de Stanford considera este estudo o primeiro que analisa a fadiga do Zoom através da perspetiva da psicologia. O artigo foi publicado em Techology, Mind and Behaviour, uma revista da Associação Americana de Psicologia. 

São sugeridas medidas como a utilização de um teclado externo para aumentar a distância do ecrã, reduzir o tamanho da janela Zoom no monitor, desligar a câmara periodicamente quando não se está a interagir e mover-se um pouco pela sala.

A sensação de cansaço na utilização diária de uma ferramenta que até há poucos meses atrás era praticamente desconhecida para muitos chega até ao seu criador. Segundo a Bloomberg, Eric Yuan, o próprio fundador e CEO da Zoom, queixou-se da sua ocupada agenda de videoconferências no passado mês de abril. "São demasiadas reuniões no Zoom, odeio-o", afirmou então.

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