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Estudo prevê "colapso irreversível" da civilização
Sociedade 2 min. 30.07.2020

Estudo prevê "colapso irreversível" da civilização

Estudo prevê "colapso irreversível" da civilização

Foto: Reuters
Sociedade 2 min. 30.07.2020

Estudo prevê "colapso irreversível" da civilização

De acordo com especialistas, a desflorestação mundial provocada pelo homem ameaça desencadear o colapso que pode ser irreversível num prazo de duas a quatro décadas.

Os investigadores Mauro Bologna, da Universidade de Tarapacá, no Chile, e Gerardo Aquino, do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, especializados em sistemas complexos, construíram um modelo baseado em estatísticas para estudar a sobrevivência humana. O seu estudo foi publicado em maio na revista Nature.

De acordo com os dois especialistas, se a atual taxa de desflorestação continuar, a possibilidade de sobrevivência humana sem enfrentar um colapso catastrófico "é muito baixa". "Concluímos que a probabilidade de evitar um colapso catastrófico é muito baixa, menos de 10% no cenário mais optimista", escreveram.

O estudo centrou-se na questão da interação homem-floresta, uma vez que as florestas estão envolvidas na produção de oxigénio, conservação do solo e regulação do ciclo da água, desempenhando um papel fundamental em todo o ecossistema terrestre.

Salientam também que antes do desenvolvimento das civilizações humanas, o nosso planeta era coberto por 60 milhões de quilómetros quadrados de florestas. Como resultado da desflorestação, restam hoje menos de 40 milhões de quilómetros quadrados.

Se a dinâmica atual do crescimento populacional e da desflorestação não mudar, "todas as florestas desaparecerão em aproximadamente 100 ou 200 anos", concluíram os dois cientistas que defendem que o colapso da civilização industrial moderna parece inevitável, mesmo que as novas tecnologias sejam susceptíveis de permitir à humanidade explorar os recursos naturais de forma mais sustentável e eficiente.

"Um maior nível de tecnologia conduz ao crescimento da população e ao aumento do consumo florestal, mas também a uma utilização mais eficaz dos recursos. Com um nível tecnológico mais elevado, poderemos em princípio desenvolver soluções técnicas para evitar ou prevenir o colapso ecológico do nosso planeta ou, como última hipótese, reconstruir uma civilização no espaço extraterrestre", escrevem Bolonha e Aquino.

Contudo, os autores do estudo reconhecem que as nossas capacidades de engenharia são atualmente insuficientes e que nos falta tempo para criar uma tecnologia suficientemente poderosa para alcançar um avanço qualitativo na resolução do problema.

Contudo, estes cientistas admitem que existe uma possibilidade teórica de evitar uma catástrofe. De acordo com Bolonha e Aquino, as sociedades modernas são orientadas economicamente, com cada país a procurar satisfazer os seus interesses económicos.

"Ao contrário deste tipo de sociedade, podemos ter de redefinir um modelo diferente [para criar] uma 'sociedade cultural', que de alguma forma privilegie o interesse do ecossistema sobre o interesse individual dos seus componentes, e que em última análise corresponde ao interesse de toda a comunidade em geral", dizem os autores do estudo.

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