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Estudo afirma que núcleo da Terra parou recentemente e começou a girar ao contrário
Sociedade 3 min. 24.01.2023
Ciência

Estudo afirma que núcleo da Terra parou recentemente e começou a girar ao contrário

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Foto: dpa
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Estudo afirma que núcleo da Terra parou recentemente e começou a girar ao contrário

AFP
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O tema está a gerar alguma controvérsia entre os especialistas do assunto.

Muito abaixo da superfície da Terra, um 'gigante' pode ter parado recentemente e começado a girar na direção oposta, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira na publicação científica Nature Geoscience. 

O tema está a gerar alguma controvérsia entre os especialistas do assunto.

O núcleo interno da Terra, uma esfera ardente do tamanho de Plutão, deixou de girar e poderá até ter começado a rodar na direção contrária, sugerem os cientistas nas conclusões divulgadas. 

Este "planeta no interior de um planeta", cerca de 5.000 km abaixo da superfície, é livre de se mover porque flutua no metal líquido do núcleo exterior. 

Mas o mecanismo exato desta rotação continua a ser uma questão de debate. O pouco que se sabe sobre isto baseia-se na análise detalhada das ondas sísmicas, causadas pelos terramotos, à medida que passam pelo centro do planeta. 

E foi ao analisar os dados das ondas sísmicas ao longo dos últimos 60 anos, que Xiaodong Song e Yi Yang, da Universidade de Pequim, concluíram que a rotação do núcleo "quase parou por volta de 2009 antes de recomeçar na direção oposta". 

"Pensamos que o núcleo central está, em relação à superfície da Terra, a rodar numa direção e depois noutra, como um balançar", disseram à AFP. "Um ciclo completo (para a frente e para trás) deste balanço é de cerca de 70 anos", explicaram.

A última mudança de rotação antes da de 2009 terá ocorrido no início dos anos 70. O próximo seria em meados dos anos 2040, completando o ciclo, de acordo com os investigadores chineses. 

"Estudo muito conservador"

Segundo os autores, esta rotação é mais ou menos cronometrada a mudanças na duração do dia, pequenas variações no tempo exato que a Terra precisa para rodar no seu próprio eixo. Mas até à data, há poucas provas de que esta rotação influencie o que acontece na superfície da Terra. 

Mas os dois especialistas estão convencidos de que existem ligações físicas entre todas as camadas que compõem este planeta. "Esperamos que a nossa investigação motive os cientistas a conceber e testar modelos que tratem a Terra como um sistema dinâmico integrado", confessam. 

Alguns peritos independentes saudaram a investigação de interesse mas, ao mesmo tempo, com alguma reserva. "Este é um estudo muito conservador realizado por excelentes cientistas que utilizaram muitos dados", considerou John Vidale, sismólogo da Universidade da Califórnia do Sul, à AFP. 

Mas "nenhum dos modelos existentes explica realmente bem todos os dados disponíveis", referiu, no entanto.  

John Vidale publicou um estudo no ano passado que sugere que o núcleo interior da Terra oscila muito mais rapidamente, mudando de direção a cada seis anos, com base em dados sísmicos de duas explosões nucleares no final dos anos 60 e início dos anos 70. 

Isto está próximo do momento do estudo dos investigadores chineses, que o sismólogo americano descreveu como "uma coincidência".

"Teoria da matriosca"

De acordo com Vidale outra teoria possível é a de que o núcleo interior só se deslocou significativamente entre 2001 e 2013, antes de se ter estabilizado desde então. 

Mas para Hrvoje Tkalcic, geofísico na Universidade Nacional Australiana, o ciclo do núcleo interior é de cerca de 20 a 30 anos, em vez dos 70 anos propostos pelo estudo divulgado esta semana.

"Estes modelos matemáticos estão provavelmente todos incorretos" porque mesmo que expliquem os dados observados, os dados podem caber noutros modelos ainda por teorizar, considera.

A comunidade geofísica tem, portanto, todos os motivos para estar "dividida sobre esta descoberta, e o assunto para permanecer controverso", acrescenta.

Tkalcic compara os sismólogos aos médicos "estudando os órgãos internos de um paciente com equipamento imperfeito ou limitado". Como se estivéssemos a tentar compreender o funcionamento do fígado apenas com a ajuda de um ultrassom. 

Sem o equivalente a um scanner, "a nossa imagem do interior da Terra permanece desfocada", exemplifica.

E espera mais surpresas nesta área, tais como a teoria de que o núcleo interior contém uma esfera de ferro ainda mais pequena, semelhante a uma matriosca, boneca russa. 

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