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Estudo revela os dez maiores responsáveis pelo aquecimento global desde 1850
Sociedade 4 min. 06.10.2021
Clima

Estudo revela os dez maiores responsáveis pelo aquecimento global desde 1850

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Estudo revela os dez maiores responsáveis pelo aquecimento global desde 1850

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 06.10.2021
Clima

Estudo revela os dez maiores responsáveis pelo aquecimento global desde 1850

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Seis dos 10 primeiros países apontados como os maiores responsáveis pela crise ambiental vão ter de criar estratégias mais ambiciosas para reduzir as suas emissões antes da crucial cimeira climática do UN Cop26 em Glasgow, em novembro.

Um estudo levado a cabo pela Carbono Breve revelou como nações com a maior responsabilidade histórica pela emergência climática e os maiores emissores de dióxido de carbono desde 1850 em todo mundo.

O lugar cimeiro da lista é ocupado pelos Estados Unidos da América, com quase o dobro das recompensas do segundo mais poluente, na China. Em terceiro lugar aparece a Rússia, seguida do Brasil, Indonésia e Alemanha. A Índia encontra-se no sétimo lugar da tabela, seguida do Reino Unido, Japão e Canadá.

A análise inclui, pela primeira vez, como proveniente da destruição de florestas e outras mudanças no uso do solo, juntamente com os fósseis fósseis e a produção de cimento. Fator que automaticamente coloca o Brasil e a Indonésia no top 10, que fica de fora quando considerado apenas como despejado de fósseis. 

Destas 10 nações, os EUA, Alemanha, Grã-Bretanha e Canadá foram as únicas do top que se comprometeram a efetuar cortes de emissões mais profundos antes do Cop26. E apesar das promessas recentes da Rússia, o país continua a permitir que as emissões aumentem, promesses consideradas como "criticamente insuficientes" pela ONG ambiental Climate Action Tracker (CAT), tendo em conta os objetivos de Paris. 

Por outro lado, a China e a Índia ainda não fizeram quaisquer novos planos, enquanto que Brasil, Indonésia e Japão também não registaram melhorias em relação às promessas anteriores. 


Estudo. Cortes drásticos nas fugas de metano devem ser um objetivo-chave do Cop26
Segundo a investigação, apenas alguns produtores chave, Rússia, EUA, China e Canadá, poderiam ter um impacto maciço.

"Há uma ligação direta entre as 2.500 mil milhões de toneladas de CO2 enviadas para a atmosfera desde 1850 e os 1,2 graus de aquecimento que já estamos a experienciar", afirmou Simon Evans da Carbon Brief, citado pelo The Guardian. "A nossa nova análise coloca um enfoque vital nas pessoas e países mais responsáveis pelo aquecimento do nosso planeta".

Na análise em décadas, os EUA mantêm-se o maior poluidor cumulativo desde 1850 até aos dias de hoje. A Rússia foi o segundo maior poluidor até 2007, quando as emissões foram ultrapassadas pelas da China, sobretudo a partir dos anos 70. O Reino Unido foi o terceiro maior emissor durante um século, desde 1870 até 1970, data em que foi ultrapassado pelo Brasil. 

O dióxido de carbono permanece na atmosfera durante séculos e a quantidade cumulativa de CO2 emitida está intimamente ligada à subida da temperatura  global de 1,2ºC, a que o mundo já assistiu. O estudo considera também que não se pode ignorar o CO2 proveniente da silvicultura e do uso da terra na agricultura, uma vez que este constitui quase um terço do total acumulado desde 1850.

Nas negociações das Nações Unidas (ONU), as emissões históricas estão na base das reivindicações de justiça climática feitas pelas nações em desenvolvimento, juntamente com a disparidade na riqueza das nações. 

Reponsabilidade histórica dos mais ricos

Os países mais pobres insistem que os Estados que mais enriqueceram com combustíveis fósseis têm a maior responsabilidade de agir e financiar contra os impactos do aquecimento global.

Robbie Andrew do Cicero, centro norueguês de investigação climática, apontou que "embora as emissões históricas sejam muito importantes, quase dois terços das nossas emissões de CO2 fóssil têm surgido desde 1980, e cerca de 40% desde 2000." Na semana passada, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que as economias desenvolvidas têm de assumir a liderança e a jovem ativista Greta Thunberg também tem insistido na responsabilidade histórica dos mais ricos. 

No mesmo sentido, Tom Athanasiou, parceiro no Climate Equity Reference Project, afirma que é preciso considerar este princípio-chave "se quisermos evitar que a ação climática aconteça nas costas dos pobres". 

A análise da Carbon Brief mostra também que cerca de 85% das emissões cumulativas dos EUA e da China são provenientes da queima de combustíveis fósseis e 15% da desflorestação, sendo o inverso verdadeiro para o Brasil e a Indonésia. A Indonésia fez alguns progressos de forma a parar o abate de árvores, mas o abate de florestas no Brasil acelerou sob a presidência do atual presidente, Jair Bolsonaro. 

Fora do top 10, a inclusão das emissões devido à desflorestação empurra a Austrália do 16º para o 13º lugar. Estima-se que o país tenha arrasado quase metade da sua cobertura florestal nos últimos 200 anos. E mesmo a promessa de redução de emissões do país para o Cop26 é classificada como "altamente insuficiente" pela Climate Action Tracker. 

Embora considere que os que mais contribuíram para o problema do aquecimento global devem assumir a liderança, o presidente do Cop26, Alok Sharma, reitera que todos os países e partes da sociedade devem dar resposta a este "desafio partilhado". 

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