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Estado de Direito. Orbán agita de novo a União Europeia
Sociedade 30.09.2020

Estado de Direito. Orbán agita de novo a União Europeia

Estado de Direito. Orbán agita de novo a União Europeia

Foto: AFP
Sociedade 30.09.2020

Estado de Direito. Orbán agita de novo a União Europeia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A dias da apresentação de relatório sobre democracia na União Europeia, o primeiro-ministro turco pede demissão da comissária Jurová.

Antes de o primeiro relatório sobre o Estado de Direito na União Europeia ser divulgado - esta quarta-feira na sequência da reunião semanal do colégio de comissários europeus – Viktor Orbán, o primeiro-ministro turco que sairá certamente retratado como um dos principais ofensores às regras democráticas na Europa, já está a usar a artilharia pesada. Na segunda-feira, dia 28, pediu a demissão de Vera Jourová, a vice-presidente da Comissão Europeia, responsável pela pasta dos Valores e Transparência, e que irá apresentar o relatório.

Numa carta dirigida à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro da Hungria acusou Jourová de ter humilhado o povo húngaro com as suas declarações ao Der Spiegel. Na edição de fim de semana do jornal alemão, a comissária checa disse que "Orbán gosta de dizer que está a construir uma democracia 'iliberal' ... Eu diria que ele está a construir uma democracia doente". Por causa destas declarações, Orbán acusou a vice-presidente de ter desferido um "ataque direto a um governo eleito democraticamente e também uma humilhação para o povo húngaro".

Vera Jourová referiu recentemente ao jornal alemão Der Spiegel que Orbán estava a "construir uma democracia doente".
Vera Jourová referiu recentemente ao jornal alemão Der Spiegel que Orbán estava a "construir uma democracia doente".
Foto: AFP

A Hungria e a Polónia (dois dos principais países do grupo de Visegrado, que inclui ainda a Eslováquia e a República Checa) têm tido relações tensas com as instituições europeias e foram dos principais travões ao acordo de 1,8 biliões de dólares assinado em julho no Conselho Europeu. Os governos de Budapeste e de Varsóvia não querem que a adesão às regras democráticas seja uma pré-condição para receberem fundos europeus.


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No recente discurso do Estado da União, Ursula von der Leyen voltou a referir que "os valores europeus não estão à venda". O pacote de 1,8 biliões de euros ainda não foi aprovado no Parlamento Europeu, e a assembleia de eurodeputados já votou uma resolução sobre a necessidade de tornar mais forte a cláusula de "Rule of law", pelo que a questão da oposição vinda de Visegrado continua a pairar sobre o pacote de recuperação da crise económica europeia provocada pela covid-19.

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