Escolha as suas informações

Espectro de nova vaga de covid-19 antes do Natal paira sobre a Europa
Sociedade 4 min. 30.11.2022
Pandemia

Espectro de nova vaga de covid-19 antes do Natal paira sobre a Europa

Pandemia

Espectro de nova vaga de covid-19 antes do Natal paira sobre a Europa

Shutterstock
Sociedade 4 min. 30.11.2022
Pandemia

Espectro de nova vaga de covid-19 antes do Natal paira sobre a Europa

AFP
AFP
O aumento recente de casos está a reavivar receios naqueles que fazem parte de grupos de risco e a fazer soar os alarmes nos hospitais, que temem uma "tripla epidemia".

A descida das temperaturas e uma nova sub-variante do vírus SARS-CoV-2 fazem prever um aumento dos casos covid-19 e das hospitalizações nas próximas semanas, na Europa. Quase três anos depois do início da pandemia, e apesar da recuperação das sociedades, o vírus está de novo a reavivar receios entre aqueles que fazem parte de grupos de risco. 

Ponto de situação sanitário

Em França, depois de uma breve pausa que se seguiu a uma nova vaga no início do outono, a covid-19 está outra vez a aumentar. Na sexta-feira, foram registados 48.629 novos casos, em comparação com 33.177 novos casos na semana anterior, o que corresponde a uma subida de 46%. 

Este recrudescimento já se reflete num "aumento de novas hospitalizações e admissões nos cuidados intensivos", após "quatro semanas de declínio", observou a Autoridade de Saúde Pública francesa, na sua última atualização semanal. Mais de 4.500 hospitalizações foram registadas ao longo dos últimos sete dias, no país.

"O famoso R, que mede a taxa de reprodução covid, está há vários dias acima de 1, o que significa que a incidência do número de casos está a aumentar", afirmou Pascal Crépey, epidemiologista da Escola de Altos Estudos em Saúde Pública, à AFP. "Isto não é muito surpreendente porque esta época do ano é a mais favorável para a transmissão do vírus", ressalvou. 

Estamos perante uma nona vaga? 

Até que ponto esta nova onda de casos covid-19 significa que já estamos a entrar na nona vaga da pandemia? "Estamos num patamar elevado", reconheceu, esta segunda-feira, Brigitte Autran, presidente do Covars (o órgão que sucedeu ao Conselho Científico) , recusando-se a definir para já se se tratar de um regresso temporário dos casos ou de uma "nova" onda. 


Novas infeções por covid-19 aumentam ligeiramente no Luxemburgo
Aos mais de mil infetados confirmados somam-se 622 reinfeções, segundo a retrospetiva semanal do Ministério da Saúde.

Contudo, para alguns peritos, não há dúvida: "Uma nona vaga está a formar-se em França e, de forma mais abrangente, na Europa, no Sudeste Asiático e na América do Norte", disse o epidemiologista Antoine Flahault à AFP. 

Esta nova onda é "provocada em França pela sub-variante BQ.1.1 da Ómicron, responsável pelo recente aumento de infeções mas também de hospitalizações", acrescentou o especialista. 

"Esta nova vaga lembra-nos que a epidemia não desapareceu, o vírus ainda mata e ainda ataca", disse a primeira-ministra Elisabeth Borne na terça-feira na Assembleia Nacional. Que cenário para o futuro? Tem sido sempre difícil prever a evolução da pandemia. Mais uma vez, é "complicado prever o que vai acontecer", nota Pascal Crépey. Em França, "se nos basearmos nos anos anteriores, podemos esperar que a curva continue a subir e que as férias de Natal tragam uma primeira atenuante da curva", graças à interrupção escolar.

Uma das incógnitas é saber até que ponto a sub-variante BQ1.1, que poderá tornar-se predominante, é mais ou menos transmissível ou resistente aos anticorpos da vacinação ou infeção anterior? 

Mais preparados para novas vagas

Estamos melhor armados do que antes? A resposta é sim. As oito primeiras ondas proporcionaram uma certa imunidade à população, que de resto está em grande parte vacinada, embora esteja atrasada nas segundas doses de reforço. 


Portugal sem testes para assintomáticos e internados podem receber visitas
A autoridade de saúde adianta que, perante as altas taxas de vacinação em Portugal, a maioria dos casos de covid-19 apresenta uma gravidade ligeira.

Além disso, os mais recentes tratamentos têm sido eficazes, nomeadamente o Paxlovid, do laboratório Pfizer, um antiviral que impede que a doença progrida para formas graves e que é prescrito para pessoas de risco. 

"A situação é melhor do que há três anos, mas paradoxalmente mais complexa", diz Pascal Crépey. Isto porque "o nível de imunidade da população não é hoje bem medido e há mais variantes a circular".

Quais são os riscos?  De acordo com o Ministério da Saúde francês, entre os 60-79 anos, apenas 37% das pessoas são consideradas protegidas pela vacinação ou por uma infeção anterior; entre as que têm 80 ou mais anos, essa percentagem desce para 21%. 

O risco de uma "tripla epidemia" nos hospitais

Atualmente, os níveis de vacinação não são "suficientes", disse o Ministério esta terça-feira, acrescentando que "há ainda três semanas de mobilização antes do Natal, é agora que é tempo de atuar". 


Vírus sincicial é responsável por 7% das hospitalizações de crianças até 5 anos
As crianças com menos de 2 anos representaram 96,3% dos casos, refere um estudo português.

Outro dos problemas é que uma nova vaga dos casos de covid-19 traz o risco de  atingir um sistema de saúde já em dificuldades, numa altura em que os hospitais se defrontam com uma epidemia de bronquiolite a uma escala sem precedentes, enquanto a gripe sazonal, que também está no horizonte, está a gerar receios do impacto de uma "tripla epidemia" nas estruturas hospitalares. 

A propósito da vacinação, a primeira-ministra Elisabeth Borne lançou na terça-feira "um apelo": "vamos respeitar os gestos de afastamento, usar máscara quando estivermos com pessoas frágeis ou em áreas lotadas". 

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas