Escolha as suas informações

Espanha. Médicos extraem pelo nariz tumor cerebral a menina de quatro anos

Espanha. Médicos extraem pelo nariz tumor cerebral a menina de quatro anos

Sociedade 2 min. 09.05.2019

Espanha. Médicos extraem pelo nariz tumor cerebral a menina de quatro anos

Médicos espanhóis conseguiram remover, com sucesso, um tumor no cérebro de uma menina de quatro anos, através da sua cavidade nasal, com apenas um “centímetro de diâmetro”. O nariz “é a única via que garante a extração total do tumor”, afirma o neurocirurgião responsável por esta operação que tem tido sucesso em “100 % dos casos”.

A cirurgia foi realizada por uma equipa multidisciplinar do Instituto Oliver & Ayats, do Centro Médico Teknon de Barcelona, em Espanha, e amplamente noticiada na imprensa espanhola. Afinal, extrair totalmente e com êxito um tumor do cérebro de uma menina de quatro anos, pelo seu nariz, parece um feito impressionante e digno de filme de ficção científica. Mas não. É uma realidade e muito atual.

Esta extração de um tumor cerebral através da cavidade nasal é possível graças ao recurso a uma cirurgia multidisciplinar endoscópica. Requer um elevado nível de experiência do cirurgião, no recurso a esta técnica, e a presença de especialistas da neurocirurgia e otorrinolaringologia a par com anestesistas e enfermeiros.

E como conseguem os médicos extrair o tumor no cérebro através do nariz? Usando um endoscópio, um aparelho que é introduzido no organismo pela fossa nasal, que capta imagens do interior do cérebro permitindo uma visão direta da região. Com o auxílio de outros instrumentos também introduzidos pelas cavidades nasais, opera-se o paciente.

Esta é uma técnica “minimamente invasiva” que é usada, desde 2005, naquele instituto do centro médico de Barcelona e, cujos resultados mostram que “consegue a remoção completa do tumor cerebral em 100% dos casos”. E isto removendo o tumor por “uma cavidade que tem apenas um centímetro de diâmetro”, anuncia aquele instituto espanhol em comunicado, citado pelo jornal espanhol ABC.

As vantagens em relação à cirurgia tradicional usada para remover estes tumores cerebrais são várias: é muito menos invasiva, o tempo de hospitalização é mais curto e a recuperação mais rápida e com “menos efeitos adversos e danos neurológicos”.

A menina agora operada pela equipa daquele instituto do centro médico de Barcelona sofria de um craniofaringioma, um tumor cerebral benigno, que surge em crianças com idades entre os 5 e os 10 anos, explicou o neurocirurgião responsável pela operação, Bartolomé Oliver, citado por aquele diário espanhol.

“Os restos do tecido embrionário permanecem onde não devem, desenvolvem-se e assim surge o tumor. Em geral, o seu crescimento é lento”, realçou este especialista. Esta lesão comprime a hipófise ou estruturas cerebrais vizinhas, como o hipotálamo e o quiasma ótico, responsável pelo controlo da visão. Devido ao tumor, a menina sofria de dores de cabeça constantes, de perda de acuidade visual e de mal-estar geral.

Com o recurso a esta cirurgia endoscópica transesfenoidal transnasal, assim se chama, “não se manipula o cérebro nem os nervos óticos”, como na cirurgia tradicional, porque agora se atua por baixo destes, daí o perigo de danos neurológicos serem menores, vincou este neurocirurgião.